Expansão de radioterapia atrasa no país; estavam previstos 80 aparelhos

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 27/07/2016 - Data de atualização: 27/07/2016

Com o projeto, a expectativa é que o total de serviços de radioterapia no SUS seja ampliado em até 28%. Hoje, há 286 máquinas para o tratamento disponíveis na rede.

O número, porém, ainda está longe do ideal, diz Eduardo Weltman, da Sociedade Brasileira de Radioterapia. Ele estima, a partir de critérios da Organização Mundial de Saúde, deficit de 300 máquinas para as redes pública e privada do país.

"Muitos pacientes têm indicação de radioterapia, mas como não tem vaga, começam a quimioterapia, tratamento que não é o melhor [para o caso]", afirma.

Hoje, a estimativa é que 60% dos pacientes com câncer no país precisem da radioterapia. Neste ano, são esperados 597 mil novos casos, segundo dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Sem amplo acesso aos serviços, pacientes esperam na fila por tratamento. A situação é mais difícil quando há necessidade de tipos específicos de radioterapia.

Diagnosticada com um linfoma raro, a professora Elaine de Moura Cabral, 51, que mora em Brasília, só conseguiu acesso ao tratamento que precisa em Campinas (SP), em 2014, após dez meses de espera. "Agora, tive uma recidiva e devo entrar na fila de novo", relata.

Para Luciana Holtz, presidente da Oncoguia, associação que representa pacientes, apesar da expansão da rede ser uma conquista para o setor, é preciso investir em medidas para melhorar o cenário também a curto prazo.

"A nossa angústia é o paciente hoje, que precisa da radioterapia e enfrenta esperas gigantescas", afirma.

No Hospital Dom Pedro de Alcântara, de Feira de Santana (BA), um dos poucos com as obras adiantadas, hoje o aparelho disponível atende a cem pessoas por dia. O tratamento dura cerca de 40 dias.

A diretora da unidade de oncologia, Lídia Matos, espera resolver a fila com a chegada do novo aparelho.

OUTRO LADO

O Ministério da Saúde diz que os projetos para instalação dos aparelhos de radioterapia devem ser concluídos até 2018.

Segundo a pasta, a expectativa é que dois serviços, dos 15 em fase avançada, comecem a operar em 2016 (Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana, na Bahia, e Fundação de Assistência Hospitalar da Paraíba).

Outros projetos estão em reanálise técnica, de acordo com o ministério. "São projetos arquitetônicos complexos, que envolvem energia nuclear e precisam de licença ambiental, além da alta tecnologia empregada, e por isso precisaram, em um primeiro momento, de revisões e construção de projetos adequados para a realidade de cada unidade", diz a pasta.

O ministério destaca que o plano não prevê somente entrega de aparelhos e o custeio dos novos serviços, mas também medidas de expansão tecnológica.

Os aceleradores lineares foram comprados da empresa Varian, que também se comprometeu a instalar a primeira fábrica desses equipamentos no país, em Jundiaí (SP).

Segundo a empresa, a previsão é que a fábrica esteja pronta até metade de 2017 e esteja operando em 2018.

A pasta diz ainda que o investimento em assistência em oncologia no SUS cresceu 84% desde 2010. Neste período, que envolve anos anteriores ao projeto, outros 80 novos aceleradores lineares passaram a operar na rede pública, segundo o governo. Em 2015, 134 mil pessoas tiveram atendimentos em radioterapia pelo SUS.

"A expansão dos recursos resultou no maior acesso ao diagnóstico precoce e tratamento, bem como a inclusão de medicamentos mais modernos e eficazes", afirma.

Matéria publicada na Folha de São Paulo em 18/04/2016.



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