Atestado dificulta acesso de paciente com câncer à vacina

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 06/04/2021 - Data de atualização: 06/04/2021

A exigência de atestado médico está dificultando o acesso de pacientes oncológicos à imunização contra a Covid apesar de estarem na faixa etária indicada para receber a vacina. O alerta é de entidades de apoio ao paciente com câncer. A obrigatoriedade consta no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina Contra a Covid-19 do Ministério da Saúde.

Para as entidades, a exigência é desnecessária e configura uma barreira ao paciente SUS, que têm dificuldade de acesso ao médico. Além disso, obriga os doentes a se deslocarem até os hospitais em busca do atestado, não raro mais de uma vez, expondo-os a riscos de infecção pelo coronavírus.

A Femama (federação que reúne mais de 70 ONGs de apoio à saúde das mamas) encaminhou ofício ao ministério pedindo a suspensão da medida, mas não obteve retorno.

No documento, a entidade diz que não há risco diferente observado ao imunizar pessoas com histórico de câncer e que todas as vacinas disponíveis são seguras e eficazes, até para pacientes oncológicos.

“Os infectologistas são taxativos: as vacinas não utilizam o vírus vivo e, assim, não causam a doença sob hipótese alguma. Podem ser administradas em todos os pacientes imunocomprometidos com tranquilidade”, diz a mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da Femama.

A médica diz que nenhum outro país tem exigido o atestado. “Milhões de pessoas com câncer já foram vacinadas no mundo, e a segurança da vacina está mais do que estabelecida. Não tem por que continuar com essa exigência”, diz ela.

Para ela, a medida acirra as disparidades de saúde. “Pacientes no sistema privado de saúde podem conseguir com muito mais facilidade o atestado médico, enquanto usuários do SUS não possuem contato direto com o profissional de saúde que os acompanha.”

Caleffi lembra que muitos podem ter que esperar meses por nova consulta para solicitar o documento. Os casos das aposentadas Maria Aparecida, 84, de Porto Alegre (RS), e de Maria José, 78, de São Paulo (SP), ilustram esse cenário. Ambas fazem tratamento de câncer de mama e só souberam no posto de vacinação que precisavam de atestado médico para receber a vacina.

Maria Aparecida estava no carro de familiares e foi levada até o hospital privado onde faz tratamento. Sua médica não estava, mas a assistente puxou o seu prontuário e lhe entregou no atestado autorizando a vacinação. Uma hora depois, ela já estava vacinada.

Já Maria José chegou com a filha de ônibus ao posto do Centro de Exposições do Anhembi. Ao saber da exigência, ficaram sem saber o que fazer. “Estava sem crédito no celular.

Tivemos que voltar para casa”, diz a filha Lucia Helena.

No dia seguinte, ainda sem o celular, ela foi até a clínica onde a mãe fez quimioterapia pelo SUS até o mês passado, mas o médico já tinha ido embora. Só dois dias depois conseguiu o documento e sua mãe pôde ser vacinada.

Para a psicóloga Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, é preocupante ver pacientes com câncer, dentro da idade permitida para a imunização, enfrentando barreiras para tomar a vacina. “Se os técnicos estão inseguros, precisamos de uma nota técnica do Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde que esclareça isso”.

Na opinião do oncologista Drauzio Varella, a exigência de atestado não faz sentido. “Os cânceres do tipo linfoma ou as leucemias estão associados a uma deficiência imunológica, então nesses pacientes a vacina pode ser contraindicada, mas no caso de tumores sólidos, como os de estômago, cabeça e pescoço e intestino, não há, de modo geral, esse problema.”

O plano de vacinação diz que, embora a eficácia e a segurança das vacinas contra a Covid não tenham sido avaliadas na população de pacientes oncológicos, considerando as plataformas das vacinas disponíveis (vetor viral não replicante e vírus inativado) é improvável que exista risco aumentado de eventos adversos.

Ainda assim, o texto recomenda que a avaliação de risco benefício e a decisão referente à vacinação ou não deverão ser realizadas pelo paciente em conjunto com o médico, “sendo que a vacinação somente deverá ser realizada com prescrição médica”. O ministério não respondeu ao questionamento da Folha sobre se mudará a exigência.

Para o oncologista Bruno Ferrari, do grupo Oncoclínicas, é importante que o paciente tenha o aval do oncologista que o acompanha. Ele não vê a exigência como fator limitante, mesmo no SUS. “Ninguém melhor que o próprio médico para tirar eventuais dúvidas do paciente. Mas, claro, diante de impossibilidade [de acesso ao médico], é mais seguro tomar a vacina.”

Para Maira Caleffi, o Ministério da Saúde deveria facilitar o acesso. Aqueles com câncer metastático, em uso de drogas orais, que estão fazendo quimioterapia e radioterapia, que terminaram o tratamento nos últimos seis meses e que estão cirurgias agendadas seriam os prioritários.

A médica diz que a suspensão de procedimentos eletivos afastou pacientes oncológicos em acompanhamento e com suspeitas de câncer. “Isso aumentou a possibilidade de haver mais tumores avançados.”Para Ferrari, a queda de exames diagnósticos para o câncer impactará o sistema de saúde. “Com mais casos avançados, o custo do tratamento é maior e as chances de cura diminuem.” Ele é autor de estudo que identificou aumento de risco de morte de paciente oncológico infectado pela Covid.

Enfermeira é 1ª PM vacinada em nova leva de imunização Everton Lopes Batista

são paulo A 1° tenente Rosemeire Santos de Miranda, 43, professora de tiro defensivo na APMBB (Academia de Polícia Militar do Barro Branco) formada em enfermagem, foi a primeira policial militar vacinada contra a Covid-19 na nova fase de imunização realizada pelo governo de São Paulo.

“Nós não paramos em nenhum momento. É importante recebermos a vacina porque estamos na linha de frente, e também podemos ser vetores de transmissão do vírus. Agora estamos mais seguros para fazer o nosso trabalho”, disse a tenenteapósreceberaprimeira dose da vacina na APMBB, na Água Fria, na zona norte de São Paulo, em evento com o governador João Doria (PSDB).

A partir desta segunda (5), serão vacinados todos os agentes de segurança pública do estado que estão na ativa. Vão receber a injeção profissionais das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros, agentes penitenciários, guardas civis metropolitanos, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, serão disponibilizadas 180 mil doses do imunizante em 76 unidades da PM. Na cidade de São Paulo, serão 21 pontos de vacinação em unidades da corporação. “[Policiais] Estão em contato com a população e enfrentam os riscos [da contágio]”, disse Doria, que afirma que todos os agentes elegíveis serão vacinados até 15 de abril.

Mais cedo, ele participou de entrega de vacinas no Instituto Butantan. Foram enviadas ao Ministério da Saúde mais 1 milhão de doses da Coronavac —já foram 37,2 milhões de entregues desde 17 de janeiro.

Matéria publicado pela Folha de São Paulo - Impresso em 06/04/2021.






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