Estudo identifica mecanismo que pode explicar resistência de câncer de mama ao tratamento

Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode estar por trás da resistência ao tratamento em casos de câncer de mama metastático. O estudo, desenvolvido por cientistas do hospital Houston Methodist, nos Estados Unidos, teve como foco o tratamento com o  trastuzumabe deruxtecana (T-DXd), medicamento cada vez mais utilizado em estágios iniciais desse tipo de câncer. 

Publicado na revista científica “Clinical Cancer Research”, o estudo analisou 47 pacientes e 109 lesões metastáticas pré-tratamento a fim de compreender por que alguns tumores não respondem a essa terapia.

A pesquisa identificou a sinalização S100-RAGE como o principal mecanismo por trás da resistência precoce ao T-DXd. Segundo o estudo, essa via funciona como um sistema de comunicação interno das células cancerígenas, permitindo que sobrevivam, cresçam, se adaptem ao estresse e resistam ao tratamento.

"Nosso estudo sugeriu que a sinalização S100-RAGE pode indicar resistência precoce a este medicamento e que mesmo terapias combinadas podem ser menos eficazes", afirmou o doutor em bioengenharia Stephen Wong, titular da Cátedra Presidencial John S. Dunn em Engenharia Biomédica e professor de Radiologia e Medicina do Houston Methodist, em comunicado. 

Para lidar com o mecanismo que favorece a resistência, os pesquisadores testaram um inibidor oral do receptor RAGE, chamado TTP488 (azeliragon), combinado ao T-DXd. Nos experimentos feitos em laboratório e em modelos animais, a combinação aumentou a morte das células tumorais e restaurou a resposta ao tratamento, além de reduzir a carga metastática.

"A parte animadora é que essa via parece ser passível de bloqueio terapêutico. O uso de opções terapêuticas para bloquear a via de sinalização tornou as células cancerígenas sensíveis ao tratamento de primeira linha. Em modelos laboratoriais de metástase, a combinação terapêutica com esse tratamento precoce reduziu significativamente o número de lesões metastáticas, o tamanho das lesões e a carga tumoral geral”, acrescentou  Stephen Wong.

De acordo com os pesquisadores, o estudo ainda está em fase pré-clínica. Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários estudos clínicos para confirmar se a alternativa é segura e eficaz em pacientes. Apesar disso, a identificação da via S100-RAGE abre caminhos para combater a resistência ao câncer de mama metastático. 

Matéria de fonte externa
Fonte da matéria: O Tempo
Crédito da foto: Canva - Furkan Celik de Studio Turkey

 

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