Tratamentos contra o câncer são cada vez mais individualizados

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 28/10/2014 - Data de atualização: 28/10/2014

O tratamento individualizado - que analisa a situação de cada paciente em particular - é a tendência inegável no processo de cura do câncer de mama. A condição física do paciente, os fatores externos, a velocidade de crescimento das lesões cancerígenas no organismo, as doenças associadas - tudo precisa ser levado em conta. Para isso, explicam os especialistas ouvidos pelo O POVO, é preciso recorrer a equipes multidisciplinares nos centros terapêuticos.

As pesquisas científicas também se debruçam sobre essa tendência. Os estudiosos tentam entender os meandros e detalhes das várias formas de reação do câncer, as diferenças entre os casos, a heterogeneidade. Fármacos como o chamado Herceptin (Trastuzumab) - desenvolvido para mulheres que possuem a molécula HER-2 superexpressa, por exemplo -, são aplicados somente em uma parcela das pacientes. O medicamento, considerado uma das maiores descobertas em câncer de mama nas últimas décadas, tem reação mínima nas células dos tecidos não afetados pelo câncer – preservando as pacientes e ajudando na qualidade da sobrevida.

Conforme explica Alarico Marques, oncologista clínico da Oncoclinic, as pessoas agem de modos diferentes ao câncer de mama (e aos cânceres em geral) e os sintomas variam mesmo entre pacientes que recebem a mesma medicação com posologia idêntica. "Atualmente, os tratamentos são mais individualizados, pois temos mais informação sobre a doença. Conhecemos melhor a doença e temos mais informação para acrescentar ao desenvolvimento das terapias utilizadas nos pacientes, por isso, os tratamentos estão mais direcionados”, afirma.

"Cada paciente tem tratamento próprio. A tendência é (o tratamento) ficar mais individualizado. Estamos avançando nas pesquisas. O tratamento do câncer, em geral, é complicado. São muitas alterações para conhecer. Com as pesquisas da atualidade, estamos conhecendo essas alterações com frequência maior e temos mais informação disponível – o que leva ao tratamento mais específico. Estamos avançando, mas ainda tem muita coisa para conhecer. Por exemplo, em alguns pacientes fazemos tratamentos idênticos, mas temos reações diferentes. A perspectiva é que o conhecimento sobre a doença fique mais claro com o tempo”, afirma Alarico Marques.

Terapias-alvo

Conforme explica Susanne Crocamo - pesquisadora clínica do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) – as terapias-alvo buscam individualizar a doença do paciente e combater alvos específicos nas células cancerígenas, pois uma das principais barreiras no tratamento contra o câncer é a agressão feita às células normais – que acabam sofrendo com o efeito dos fármacos. "Poupando as células normais, essas terapias são mais eficientes e mais toleráveis”, afirma Susanne. Além do medicamento Herceptin (Trastuzumab), existem outras drogas (já comercializadas e em pesquisa) para inibir somente o crescimento e a proliferação das células cancerígenas, preservando os tecidos normais. (Isabel Costa)

PREVENÇÃO

Segundo Susanne Crocamo - pesquisadora clínica do Inca - as chances de cura do câncer de mama estão ligadas ao diagnóstico precoce. "Quanto menor o tumor é diagnosticado maiores serão as chances de o paciente ficar curado e ao tratamento mais efetivo”. 
 
Por essa razão, explica a pesquisadora, esforços têm sido realizados para o aprimoramento da imagem, através da qual se consiga visualizar tumores cada vez menores, "como é o caso de aparelhos com tecnologia 3D (Tomossíntese) que associados a mamografia fornecem melhor qualidade de imagem principalmente em mamas muito densas e jovens e da Cintilomamografia (imagem molecular da mama) que ainda está em estudo, mas parece ser útil na identificação de áreas suspeitas à mamografia”.
 
Além disso, a nanotecnologia (ramo científico que desenvolve produtos a partir de partículas minúsculas) para diagnóstico de células circulantes tumorais poderá desempenhar papel importante por se propor a identificar células malignas na circulação sanguínea em pequenas quantidades mesmo antes de o tumor poder ser visto em exame radiológico, explica Susanne.
 
ENTENDA

Para Rafael Kaliks - oncologista clínico e diretor científico do Instituto Oncoguia – uma das maiores descobertas sobre câncer de mama foi a divisão da doença em vários tipos. "Antes, nós colocávamos tudo em um grande saco. Hoje sabemos que eles são diferentes entre si e agrupamos de acordo com alguns critérios”. O médico cita a divisão entre o câncer metastático (quando atinge outras partes do corpo) ou localizado (quando está restrito aos seios).

 
Há também os receptores hormonais (com proteínas na parte externa das células, indicando que o tecido tumoral se prolifera em resposta a alguns hormônios), os positivos para HER-2 (proteína localizada na célula, que torna a doença mais agressiva) e o triplos negativos (quando a lesão é negativa para os diversos receptores). Rafael afirma que as descobertas sobre esSas divisões permitiram produzir medicamentos específicos para cada variação, potencializando a ação dos tratamentos e garantindo mais quantidade (e qualidade) de sobrevida para as mulheres.

"Temos que pensar no câncer como uma doença crônica e não transmissível. A maioria dos cânceres detectados precocemente são tratados com cirurgia e tratamento coadjuvante. Mas, para quem não é curado assim, ainda existe a possibilidade de uma sobrevida prolongada, com medicação específica. Principalmente, para os tumores positivos para HER-2. Desde que os tratamentos sejam disponibilizados para as mulheres, é claro”, pontua Rafael.

Matéria publicada em O Povo em 26/10/2014.





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