[REPORTAGEM] Outubro Rosa: alerta também vale para homens

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015

Outubro é o mês da prevenção do câncer de mama, quando centenas de cidades são coloridas de rosa para alertar sobre a importância de prevenir e rastrear a neoplasia que mais atinge mulheres no mundo. O que pouco se fala na ocasião, no entanto, é que o câncer de mama não é só cor-de-rosa. Que pode também atingir também homens, embora em apenas 1% dos casos.

A falta de informação a respeito da neoplasia em pessoas do sexo masculino, o tabu relacionado ao autocuidado em saúde entre os homens e o preconceito sofrido por pacientes acometidos pela doença quase exclusivamente feminina, colocam um panorama nocivo, de diagnósticos quase sempre em estágios avançados e que muitas vezes não permitem a cura ou o controle da doença.

Mas por que o câncer de mama atinge muito menos homens que mulheres?

Sergio MasilliA razão é hormonal. A maioria dos cânceres de mama é dependente do tempo de estimulação do hormônio feminino no corpo. Todas as pessoas, de ambos os sexos, têm hormônios femininos e masculinos no organismo, mas como na mulher a concentração dos femininos é absolutamente maior, a sua exposição a eles também é. É o que explica o médico do setor de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Dr. Sérgio Masili.

"A mama da mulher é muito mais exposta ao hormônio feminino que a do homem. Fora isso, a quantidade de glândulas mamárias na mulher também é muitíssimo maior, assim, há maior área para surgimento do tumor".

Diagnósticos Avançados

Por causa da baixa incidência do câncer de mama entre homens, não há muitos estudos avaliando o comportamento da doença nestes casos ou para o desenvolvimento de medicamentos antineoplásicos específicos aos pacientes acometidos pela doença. Também, o baixo número de casos não justifica o rastreamento populacional, uma razão pela qual os casos são geralmente diagnosticados em estágios clínicos avançados.

Eduardo MillenO secretário geral da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Dr. Eduardo Millen, orienta os homens a atentarem-se a possíveis mudanças nas mamas. "Devem ficar atentos a sinais como dor, sensibilidade, caroços ou o aumento do volume das mamas, e procurar por ajuda médica imediatamente".

Cabe apontar que normalmente o aumento do volume mamário (ginecomastia) está relacionado a alterações hormonais e não ao câncer. Mas, lamenta Dr. Masili, muitos e muitos médicos, ao deparar-se com casos de pacientes homens com glândula mamaria aumentada, "assumem que é fator relacionado à idade ou a problemas hormonais, sem propor investigação. Tem que ser investigado!".

Há 11 anos, o Sr. Rogério Pacheco (o nome foi trocado a pedido do personagem), 75 anos, residente em Lorena (SP), foi alertado pela esposa sobre marcas de sangue que começaram a aparecer em seu pijama, na região da mama direita. "Isso aconteceu algumas vezes, e certo dia eu estava fazendo a barba diante do espelho e pressionei suavemente o mamilo, que esguichou sangue", relata.

Sr. Rogério imediatamente buscou o médico de sua confiança, um clínico geral. Biópsia feita, e o resultado foi positivo. Câncer de mama. "Eu não tinha a menor ideia que um homem pudesse ser acometido pelo câncer de mama", lembra. O paciente fez a mastectomia total e, felizmente, não precisou realizar tratamentos adjuvantes. Hoje, Sr. Rogério faz acompanhamento clínico e diz-se muito mais atento com sua saúde do que antes.

"Nada passa com minha saúde sem chamar minha atenção! Faço meus exames de controle, visito médicos periodicamente, me cuido".

Prevenção e Risco

Dr. Eduardo alerta: Assim como para todos os outros tipos de câncer, a atitude preventiva com a prática de atividades físicas, o controle da obesidade e a alimentação balanceada são as principais maneiras para o homem ficar longe do câncer de mama.

Também, ele chama a atenção para os riscos do uso de anabolizantes. "Todos os hormônios anabolizantes são metabolizados, processados no fígado, tendo como produtos finais o estrogênio e derivados, que atuam na mama fazendo o que se chama de estímulo à proliferação do tecido mamário. Como esse crescimento está sendo superestimulado por hormônios, têm-se um risco aumentado ao câncer de mama".

Além do risco do câncer, complementa Dr. Millen, o uso de anabolizantes causa danos hepáticos importantes. "E qualquer dano hepático ocasiona o crescimento na produção de estrogênio, aumentando também o risco à doença".

Mutação genética - Além do uso de anabolizantes, problemas hepáticos (ocasionados, por exemplo, pelo uso excessivo de álcool), obesidade, má alimentação e falta de atividade física, há fatores genéticos ligados ao câncer de mama em homens. Assim como na mulher, a mutação nos genes BRCA aumenta o risco ao câncer de mama. Qualquer homem que tenha um familiar em primeiro grau com diagnóstico de mutação, deve passar por acompanhamento oncogenético.

"Mas são casos muito, muito raros", finaliza Dr. Masili.






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