Os avanços na oncologia

Ver conteúdo relacionado
  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2013 - Data de atualização: 15/05/2013

O Instituto Oncoguia, organização não governamental fundada em 2009, em São Paulo, existe para defender que os direitos dos pacientes com câncer sejam garantidos por meio de participação e organização de eventos, palestras, ações sociais e parcerias. No portal do Instituto Oncoguia é possível encontrar artigos de especialistas, notícias do Brasil e exterior, informações sobre direitos e tratamentos.

Quais os principais avanços no diagnóstico e no tratamento do câncer nos últimos dez anos?
 
O maior avanço no diagnóstico consiste em uma melhor definição das doenças pela patologia, agora com base em alterações nas proteínas contidas no tumor, e em características moleculares, que nos permitem não só classificar melhor os cânceres, mas também pesquisar a presença de alvos terapêuticos.
 
Outro grande avanço diagnóstico foi o PET-CT, uma tomografia mais sofisticada e que consegue ver lesões metastáticas mesmo quando essas ainda são pequenas. Do ponto de vista de tratamento, citamos algumas:

  • Utilização de Imatinibe para leucemia mielóide crônica e para um tumor denominado GIST.
  • Utilização de medicações como Trastuzumabe e Lapatinibe para mulheres com câncer de mama com hiperexpressão de uma proteína denominada Her2.
  • Desenvolvimento de diversas medicações (maioria orais) para o câncer renal.
  • Desenvolvimento da radiocirurgia, modalidade de radioterapia que consegue alvejar pequenos nódulos sem ter de irradiar grandes áreas em volta.
  • Cirurgias minimamente invasivas para os mais diversos tipos de câncer.

Quais as mudanças em protocolos e diretrizes clínicas mais significativas? O avanço que afetou um maior número de pacientes foi sem dúvida a incorporação de terapia anti-Her2, utilizada em aproximadamente 20% dos casos de câncer de mama. Lamentavelmente o SUS ainda não incorporou essas medicações no Brasil (exceção ao Estado de São Paulo).

Outra grande mudança ocorreu em relação ao Mieloma Múltiplo, que vem tendo cada vez mais opções de tratamento medicamentoso, com consequente diminuição na indicação de transplante. Já o cenário do tratamento de câncer renal foi totalmente modificado nos últimos 10 anos, passando de uma ausência completa de tratamento sistêmico para três ou quatro opções de tratamento.

De que forma os tratamento orais têm substituído os mais invasivos? Tratamentos com medicações orais vêm sendo cada vez mais usados em oncologia. Isso melhora a qualidade de vida de pacientes que passam a ter de ir muito menos para centros de infusão de quimioterapia. Vale mencionar que essas medicações não são desprovidas de efeitos colaterais, que podem inclusive ser tão severos quanto os de medicações endovenosas. Hoje, algo em torno de 40 a 50% dos pacientes com câncer utilizam alguma forma de tratamento oral. A tendência é que essa proporção aumente nas próximas décadas.
 
O diagnóstico precoce ainda é fundamental para um tratamento de sucesso? Sim, apesar de os tratamentos estarem cada vez mais eficazes, a prevenção (não fumar, manter peso adequado e prática sexual segura) e o diagnóstico precoce ainda são as melhores ferramentas para diminuir a mortalidade pelo câncer.
 
De uma maneira geral, os serviços públicos de saúde do Brasil estão preparados para acompanhar os avanços da Medicina nessa área? Não, lamentavelmente não estão. Embora haja alguns poucos centros de excelência capacitados para fazer qualquer tratamento, eles estão sobrecarregados e as consequentes filas e atrasos no tratamento acabam eliminando o benefício que terapias mais modernas poderiam proporcionar.
 
O que ainda é possível melhorar no tratamento? Em nosso país, a maior prioridade é uma estratégia agressiva de prevenção do câncer, através da educação sobre necessidade de evitar sobrepeso, não fumar e manter prática sexual segura, além de incorporar a vacina para o HPV e promover maior aderência à mamografia e ao Papanicolau.
Em relação ao tratamento, a máxima prioridade é encurtar os atrasos que ocorrem entre a primeira queixa ou exame alterado e o início do tratamento. As filas são uma doença em nosso sistema de saúde. Outro ponto crucial é a falta de equipamentos e profissionais que possam administrar radioterapia. Há um déficit monumental.
 
Matéria publicada no informativo Voz da Saúde (ed. mar/abr 2012)





Folhetos Diferentes materiais educativos para download

A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2022 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Ver versão completa do site. Desenvolvido por Lookmysite Interactive