Novembro Azul: cirurgia para retirada de próstata por câncer cai 21,5% no SUS entre 2019 e 2020

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 04/11/2021 - Data de atualização: 04/11/2021

Entre 2019 e 2020, o Ministério da Saúde registrou uma queda 21,5% nas cirurgias para retirada de próstata no Sistema Único de Saúde (SUS). Também houve quedas significativas em exames relacionados à saúde do homem e em consultas urológicas na saúde pública.  Os dados representam o reflexo da pandemia de coronavírus no diagnóstico e tratamento da doença, e fizeram com que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) utilizasse o Novembro Azul deste ano para alertar sobre os impactos da crise sanitária na saúde masculina e enfatizar a importância de o homem retomar a procura por cuidados médicos. 

Os números do Ministério da Saúde, divulgados pela SBU, mostram queda de 27% na coleta de antígeno prostático específico (PSA)  na comparação entre o ano pré-pandemia e 2020, quando o coronavírus chegou ao Brasil. Houve também diminuição de 21% na biópsia de próstata, análises que, junto ao exame de toque retal, ajudam a diagnosticar a doença. 

A diminuição do número de consultas urológicas no sistema de saúde público é ainda maior: em 2019, foram 4.232.293 e, em 2020, 2.816.326 — representando uma queda de 33,5%. E, neste ano, mesmo com o avanço da vacinação contra a covid-19, a quantidade de atendimentos segue baixa. Até julho, foram contabilizados apenas 1.812.982. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não-melanoma. A estimava de novos casos para o ano passado foi de 65.840, correspondendo a 29,2% dos tumores que afetam o sexo masculino.  

Gustavo Franco Carvalhal, urologista membro da Escola Superior de Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), destaca ainda que, no Brasil, a cada sete minutos ocorre um novo diagnóstico da doença, sendo que 20% dos casos já estão em estágio avançado — havendo maior possibilidade de morte. E é principalmente neste aspecto que, segundo o especialista, a queda no número de diagnósticos decorrente da pandemia vai impactar. 

— Com a pandemia, os homens tiveram medo de procurar atendimento médico, de fazer check-up e exames de prevenção. Isso terá efeito futuramente, porque eles vão chegar com doenças mais avançadas — afirma, salientando que, quando diagnosticado em estágio inicial e sem metástase, o câncer de próstata tem mais de 90% de chance de cura.  

Para Gustavo, a redução da procura foi uma consequência de dois fatores. Um deles está relacionado ao receio de ser contaminado pelo coronavírus e o outro refere-se aos recursos de saúde, que foram todos direcionados ao combate da pandemia, resultando em menos disponibilidade para consultas e internações por outras doenças. Por isso, há uma demanda reprimida muito alta, um fenômeno visto a nível mundial. 

Entre as medidas viáveis para minimizar esses impactos, está a avaliação individual de cada paciente, defende Eduardo Franco Carvalhal, chefe do Serviço de Urologia do Hospital Moinhos de Vento. Assim, será possível identificar quem precisa ser tratado com brevidade e quem pode aguardar um pouco, sem que isso interfira no resultado terapêutico: 

— Temos usado muito, sobretudo neste período de pandemia, a estratificação de risco. Pacientes com risco baixo ou intermediário de progressão podem aguardar algum tempo pelo atendimento sem nenhum dano. Já pacientes com alto risco de progressão precisam ser tratados com brevidade, mesmo durante a pandemia. 

O cenário de pouca procura por especialistas da área, entretanto, está mudando aos poucos. Gustavo relata que no Rio Grande do Sul e em outros Estados brasileiros já é possível notar uma retomada gradativa da procura por atendimento no segundo semestre, graças ao avanço da vacinação e à redução dos casos de covid-19 no país.  

— Está na hora de retomarmos os cuidados com a saúde do homem e a prevenção de doenças. Diagnósticos precoces salvam vidas, já que diminuem a chance de morte — enfatiza o médico da Escola Superior de Urologia da SBU.  

Ações conjuntas

Pensando em reverter esses números, a Sociedade Brasileira de Urologia e o Ministério da Saúde assinaram um acordo de cooperação técnica, que tem como principal objetivo o desenvolvimento de ações conjuntas para orientar sobre temas como câncer de pênis, testículo, próstata e bexiga, hiperplasia benigna da próstata, fimose, queixas urinárias, disfunção erétil, vasectomia e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).  

Para que haja mais informação sobre a necessidade de consultas, a SBU também vai treinar os profissionais da Atenção Primária de Saúde para que eles saibam identificar problemas que devem ser encaminhados a especialistas. Esse movimento, segundo Gustavo, visa facilitar a divulgação da importância de ir ao médico: 

— O homem que vai ao urologista para a prevenção do câncer de próstata pode descobrir outros problemas de saúde, porque ele não faz somente a prevenção do câncer, mas também é direcionado a outros tratamentos, caso seja necessário.  

O que é a próstata 

Localizada na parte baixa do abdômen dos homens, logo abaixo da bexiga e à frente do reto, a próstata é um pequeno órgão em formato de maçã que envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. Sua função é produzir parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides e é liberado durante a ejaculação. 

Sobre a doença 

O câncer de próstata é mais comum em homens com idades entre 50 e 70 anos. Em pessoas mais jovens, a doença acontece raramente, apenas quando há uma hereditariedade muito forte. Além disso, a maioria dos diagnosticados e tratados não morre. Em outras situações, no entanto, a doença pode avançar rapidamente, se espalhando para outros órgãos e levando o paciente a óbito.  

Fatores de risco e prevenção 

No Brasil, a recomendação é de que o homem procure atendimento para prevenção do câncer de próstata a partir dos 50 anos. Mas, se ele apresentar algum dos fatores de risco, deve consultar um especialista mais cedo, a partir dos 45 anos. Entre esses fatores, estão: histórico familiar, raça e sedentarismo. 

O médico Ernani Rhoden, professor de urologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e chefe do Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia, explica que homens com histórico familiar têm duas vezes mais chances de ter câncer de próstata do que aqueles sem histórico. Assim como indivíduos negros, que podem apresentar a doença de forma mais agressiva e devem começar a avaliação médica cinco anos antes dos demais, mesmo com a ausência de sintomas.  

Em relação ao sedentarismo, o especialista pontua que dietas hiperproteicas e hipercalóricas, com alto consumo de alimentos processados e decorrente obesidade, são fatores de risco para as neoplasias de forma geral. Considerando que a doença está relacionada ao envelhecimento masculino, ele salienta também que as regiões sul e sudeste do Brasil apresentam as maiores taxas de câncer de próstata no país — isso porque quanto maior a expectativa de vida, mais alto será o número de casos de neoplasia. 

Sintomas e tratamento 

Em sua fase inicial, o câncer de próstata costuma ter evolução silenciosa, ou seja, pode não apresentar sinais ou levar algum tempo até que os sintomas apareçam. Entre eles, os mais comuns são: dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato da urina e necessidade de urinar mais vezes.  

Mas, além da dificuldade de identificar a doença pela falta de sintomas iniciais, o câncer de próstata ainda hoje é rodeado por tabus, pontos que colaboram para que os homens não procurem atendimento com um especialista.  

— O homem tem receio de procurar atendimento para investigar um câncer porque ele acha que, se tiver que fazer um tratamento, isso vai deixá-lo impotente sexual. Então, às vezes, ele não vai ao médico por medo de perder a masculinidade — diz Gustavo Franco Carvalhal, membro da Escola Superior de Urologia da SBU e professor da PUCRS. 

O especialista destaca que, felizmente, a impotência não acontece na grande maioria dos casos, já que os tratamentos são bem menos agressivos e as cirurgias minimamente invasivas oferecem menores riscos de complicações do que no passado. Além disso, há novas drogas orais que têm auxiliado no tratamento da doença avançada, aumentando a expectativa de vida do paciente. 

— A atitude mais corajosa é procurar atendimento para esse tipo de doença. Queremos que as pessoas não sofram ou morram de câncer e isso é possível no câncer de próstata. Conseguimos amenizar a dor e o sofrimento, e evitar a morte com o diagnóstico precoce, Não se pode esperar os sintomas — reforça.  

Ernani Rhoden, professor da UFCSPA e chefe do Serviço de Urologia da Santa Casa, afirma que, assim como todas as neoplasias, o câncer de próstata tem diferentes estágios, que servem para orientar os especialistas sobre a extensão da doença. Em casos localizados, aumenta a possibilidade de tratamentos curativos com técnicas menos agressivas, que diminuem as sequelas. A taxa de cura nessas situações também é muito alta.  

Portanto, para a doença que só atingiu somente a próstata, pode ser indicado cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante. Quando o câncer é localizado, mas está avançado, normalmente indica-se radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal. Já para doença metastática, quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo, costuma-se indicar terapia hormonal.  

— Há dois riscos principais relacionados aos tratamentos, mas que não acontecem com todos os homens: incontinência urinária e problemas na esfera da sexualidade. No entanto, são sequelas potencialmente tratáveis e corrigíveis, seja com medicamento ou cirurgia — assegura Rhoden.  

Fonte: GZH






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