O estudo clínico chamado de Cleópatra testou a adição de uma medicação denominada Pertuzumabe ao tratamento padrão do câncer de mama avançado, em mulheres cujo tumor tem hiperexpressão da proteína Her2. Isto representa entre 20 e 25 por cento das mulheres com câncer metastático (e portanto incurável).
O tratamento padrão desta doença consiste em uma associação de quimioterapia com um anticorpo que alveja Her2, o trastuzumabe, já aprovado no Brasil há muitos anos, mas ainda não oferecido no SUS para mulheres com doença avançada. Agora, comparando este tratamento padrão (trastuzumabe e quimioterapia) com o padrão associado ao Pertuzumabe, as mulheres que receberam Pertuzumabe, trastuzumabe e a quimioterapia (docetaxel) viveram 15 meses a mais que as que só tomaram o tratamento padrão.
O Pertuzumabe já está aprovado pela ANVISA no Brasil, e portanto está sendo usado na saúde suplementar. Já no SUS, exceto por algumas iniciativas institucionais raras (e louváveis) no país, de alguns poucos hospitais no pais, nem sequer o trastuzumabe esta sendo oferecido para as mulheres com doença metastática.
A partir de agora, o tratamento padrão para câncer de mama Her2 positivo metastático passa a ser a associação de Pertuzumabe, trastuzumabe e quimioterapia, exceto em raros casos.
No SUS, temos lutar para que o governo seja capaz de negociar de maneira adequada com os fabricantes dos medicamentos, para que possamos oferecer as medicações que aumentam a vida das pacientes em bem mais que um ano. Os argumentos de que o benefício destas novas medicações era limitado são falsos. O Ministério da Saúde através da CONITEC precisa reconsiderar sua decisão anterior.