Médicos pedem postura ativa das pacientes do câncer de mama

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/12/2021 - Data de atualização: 02/12/2021

O jornal O GLOBO realizou, com o patrocínio da Roche, a terceira e última live de uma série sobre câncer de mama, abordando a importância do auto cuidado na prevenção e tratamento da doença.

Com o tema “Câncer de mama e autocuidado: modo de fazer”, o encontro contou com a médica mastologista do Hospital Central da Aeronáutica e do Hospital Universitário Antônio Pedro Luciana Boechat, com o oncologista Sérgio Simon do Hospital Albert Einstein e do Grupo Oncoclínicas, fundador do Grupo Brasileiro de Estudos em Câncer de Mama (GBECAM) e com a influenciadora digital Linda Rojas, fundadora do projeto e site Uma Linda Janela, em que compartilha a passagem e superação do câncer de mama. A mediação foi da jornalista do GLOBO Constança Tatsch.

Os médicos reforçaram a necessidade de a paciente ter um papel ativo no tratamento, sem medo de fazer perguntas e decidindo, em parceria com o médico, todos os passos que serão dados.

— É importante engajar a paciente no tratamento. Ela tem várias funções, entre elas, decidir as opções de tratamento, avaliando o que ganha e o que perde em termos de controle de efeitos colaterais e chances de cura. Além disso, deve adotar medidas diárias como exercício e controle de peso, tudo que puder fazer para ficar curada. É preciso ter contato direto e ela tem que estar ciente de todos os passos do seu tratamento — disse Simon.

O oncologista explica que, em 1980, quando começou a trabalhar na área no Brasil, o câncer de mama era uma doença, mas um dos grandes avanços, especialmente nos últimos 20 anos, foi entender que, na verdade, se trata de várias doenças diferentes, pelo menos quatro tipos grandes, e cada uma com um tratamento diferente.

— Tenho paciente que chega e diz: ‘mas eu tenho uma amiga que está com câncer de mama e o tratamento dela é totalmente diferente, por que?’ É importante que ela seja informada por que está tomando hormônio ou está fazendo radioterapia, por exemplo, para ter aderência ao tratamento — completou o médico.

Já Boechat é uma médica que “puxa a orelha de todo mundo porque precisa fazer dar certo”. Uma coisa que ela cobra das pacientes é ter tudo organizado: exames e carteirinha em ordem, não faltar ao exame e não pular consulta.

A mastologista também valoriza uma relação muito franca com a paciente, para que ela tire todas as dúvidas que precisar. Por outro lado, defende que as mulheres sejam sempre totalmente informadas sobre a gravidade da situação, mesmo quando o prognóstico é ruim.

— Tem que conversar sobre perda de libido, de cabelo, sobrancelha, peso, pele, se pode tomar sol, fazer depilação, tirar cutícula. É importante explicar tudo. Assim como numa gestação há coisas que não se pode fazer durante o tratamento e talvez mesmo depois — disse Luciana Boechat.

Para ela, porém, é importante aprender a enxergar além das restrições:

— Chorando ou cantando o saco de cimento pesa 50 quilos. Chorar não deixa o cimento mais leve. Existem situações que vêm parar piorar ou podemos tirar um bom partido. Se a paciente nunca fez atividade física, poxa, vamos virar a chave. Vamos melhorar o peso, Deus está dando uma chance — afirma.

A mastologista reforçou que, hoje, a metástase não é mais “uma sentença de morte”. Assim como ocorre com o diabetes ou com uma cardiopatia, a diferença é que a paciente vai continuar em tratamento:

— Se vai viver um, cinco ou 20 anos, eu não sei. Mas vira uma doença crônica e cada vez a medicina evolui com tratamentos precisos prolongando a vida do paciente com qualidade.

Os médicos pediram que as mulheres façam a mamografia para diagnosticar a doença de forma precoce.

Sérgio Simon alertou para a frequência do o câncer de mama em mulheres jovens. Segundo estudo, a idade média no Brasil é de 53 anos, contra 63 anos nos EUA, com muitas pacientes abaixo dos 40 anos.

— Isso chama atenção para a necessidade de planejar o tratamento, e a fertilidade tem que ser pensada desde a primeira consulta. Também é importante abordar o problema de câncer familiar, que é provocado por uma mutação no DNA que a família tem e pode ser transmitido pelo pai ou pela mãe.

Momento especial

A live foi marcada por algo muito especial: a influenciadora Linda Rojas, que teve um câncer de mama em 2012, quando tinha 24 anos, e depois de cinco anos enfrentou uma recidiva, participou diretamente da maternidade, após ter dado à luz ao seu filho, Martin.

Rojas não conseguiu congelar óvulos em nenhum dos dois tratamentos, primeiro por questões financeiras, depois pela urgência em iniciar o combate ao câncer. Ela contou que os médicos explicaram as dificuldades na questão da fertilidade, mas que sempre teve muito apoio e foi vista muito além da doença.

— Trabalhei com a possibilidade da infertilidade, sofri, chorei, mas entendi que precisava ressignificar isso na minha vida, já tinha o sonho de adotar e continua muito em pauta. O medo faz parte, ainda mais para uma doença que ainda tem um estereótipo, mas hoje a gente vê as carequinhas na rua, elas estão vivendo. A gente está aqui mostrando que teve ou tem uma doença, mas também tem uma vida e nada mais simbólico do que estar aqui falando direto da maternidade — celebrou.

O debate, assim como os outros dois já realizados sobre o tema, está disponível no YouTube e no Facebook do jornal O GLOBO.

Fonte: O Globo






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