[MATÉRIA] Municípios brasileiros vacinam meninas contra o HPV

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015

A vacina contra o HPV (Vírus do Papiloma humano) pode estar próxima de ser incorporada no Sistema Único de Saúde.

A inclusão da vacina no calendário nacional de vacinação é uma urgência em oncologia. Isto porque apesar de inúmeros projetos de melhoria para o rastreamento e detecção precoces, a mortalidade por câncer de colo de útero ainda atinge números alarmantes em nosso país. Alguns dos subtipos do vírus (existem mais de 100) são responsáveis por cerca de 90% dos casos de câncer de colo do útero e, segundo estimativas do INCA, a cada ano 18 mil mulheres são diagnosticadas com a doença e metade delas morre em decorrência do tumor.

Além da estreita relação entre o vírus transmitido por relações sexuais sem proteção e a neoplasia de colo do útero, o HPV também está associado ao câncer de ânus, pênis, garganta e boca.

Saiba mais sobre o HPV.

Apesar de não se conhecer o número de casos de infecção pelo HPV no Brasil, estima-se que a infecção afeta algo em torno de 75% da população sexualmente ativa do país. Vale ressaltar porém que apenas uma pequena proporção das pessoas infectadas desenvolve ao longo de anos ou décadas algum câncer relacionado ao vírus. A grande maioria das pessoas se cura da infecção sem maiores seqüelas. Somente no Estado de São Paulo, dos 56.803 casos de DSTs notificados entre janeiro de 2007 e junho de 2009, um em cada três estava relacionado ao HPV (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo 2010).

Iniciativas locais

A alta incidência de câncer de colo de útero levou algumas cidades brasileiras a criarem programas municipais de vacinação contra o HPV, a fim de imunizar meninas antes do início da prática sexual. Araraquara (SP), Barretos (SP), Itu (SP), Catalão (GO), Ipojuca (PE), Campos de Goytacazes (RJ), São Francisco do Conde (BA), Teresina (PI), Pedro de Alcântara (SC), Taboão da Serra (SP) e Distrito Federal são alguns dos exemplos.

Com iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com os departamentos de DST/AIDS e Vigilância Epidemiológica do município, Araraquara incluiu a vacina bivalente (HPV-16 e HPV- 18) em 2011, para imunizar meninas nascidas em 2001 e 2002.

No ano passado foram vacinadas as meninas nascidas em 2001 e neste ano, o alvo são aquelas nascidas em 2002. A enfermeira do setor de imunização da Vigilância Epidemiológica do município, Mariana Câmara, conta que das 1700 meninas nascidas em 2001, 1100 foram vacinadas. "O restante das vacinas foi aplicada em meninas e mulheres com até 26 anos, por ordem de chegada às unidades de saúde”. Neste ano já foram investidos R$252 mil no programa, relativos às duas primeiras doses da vacina. "E ainda falta aplicarmos a terceira dose”.

Em Itu, cidade localizada a 100 km de São Paulo, a Campanha de Vacinação Pública contra o HPV foi instituída a partir de uma Lei Municipal (n° 1244), há dois anos. De autoria do executivo, a lei preconiza a vacinação de meninas que, presumidamente, não iniciaram a vida sexual. Já foram vacinadas as nascidas em 1999 e 2000 e, a cada ano, um novo grupo é imunizado. Segundo o prefeito de Itu, Herculano Passos, ações de prevenção a doenças marcam a atual administração do município. "A preocupação do governo é com prevenção. Garantia de que, no futuro, outras meninas serão imunizadas contra o HPV. É luta ituana contra o câncer de colo do útero”, diz. Em 2010, 77% do público alvo da campanha foi imunizado e em 2011 a porcentagem de adesão saltou para 87,5%.

Mobilização

Com 85 mil habitantes, a cidade de Catalão (GO) é a única no centro oeste brasileiro a oferecer vacina contra o HPV. Em andamento desde o ano passado, o programa de vacinação foi criado por iniciativa do ginecologista Roberto Marot, diretor do Hospital Materno Infantil de Catalão: "Foi por pura teimosia minha!”.

Diretor de um programa em andamento desde 1999, que consiste em coleta de citologia com a finalidade de detectar o vírus do HPV e o câncer de colo de útero em mulheres das zonas urbana e rural do município, Marot constatou a estagnação no número de adesões, ano após ano. "Hoje não chega a 20% o número de mulheres em idade de rastreamento que faz os exames de Papanicolau”.

Na outra ponta, como diretor do hospital, percebeu um número crescente de casos de adolescentes grávidas e atingidas pelo vírus do HPV. "Com tais dados, iniciei um trabalho de convencimento ao Poder Público e conseguimos implantar o programa. Não é uma lei municipal, mas a mobilização pública em torno da ação foi tão grande, que não creio que algum prefeito poderá encerrá-la”.

A proposta é vacinar todas as meninas nascidas entre 1998 e 2002. No ano passado foram imunizadas aquelas de 11 e 12 anos e neste ano o foco são as meninas de 10, 13 e 14. "Assim criaremos um cinturão contra o HPV e protegeremos, também, meninos. O custo disso é muito baixo, principalmente se compararmos com aquele que é gasto no tratamento de uma paciente com câncer de colo do útero”.

Desafio - No primeiro ano do programa em Catalão, a vacina foi aplicada no Hospital, mas a adesão entre a primeira e terceira doses foi decrescente. Assim, neste ano, a Secretaria Municipal de Saúde programou a vacinação nas escolas da cidade. "Agora estamos indo até o nosso público alvo. Enviamos carta aos pais, que autorizam a vacinação feita diretamente nas escolas”. O médico afirma que, neste ano, somente duas famílias não autorizaram.

Mais cidades

Brasília e Taboão da Serra foram as últimas cidades brasileiras a divulgar a inclusão da vacina em seus calendários municipais de vacinação, no final de 2012. No Distrito Federal, meninas de 11 a 13 anos, que estudam em escolas públicas e privadas, passarão a receber as 3 doses em março, desde que autorizadas pelos pais e responsáveis, informou ao Jornal Folha de São Paulo (em matéria publicada no dia 15/09/12) a subsecretária de Vigilância À Saúde do Distrito Federal, Marília Coelho.

Também para meninos - Taboão da Serra inovou e demarcou-se como o primeiro município brasileiro a vacinar, também, garotos. No mês de setembro, 3 mil meninas e meninos entre 9 e 12 anos receberam a primeira dose da vacina quadrivalente. A segunda foi ministrada em novembro e terceira será aplicada no primeiro trimestre desse ano.

Para sensibilizar os pais sobre a importância da imunização, a Prefeitura Municipal promoveu encontros e palestras com as famílias nas escolas municipais da cidade e distribuiu folhetos educativos sobre o tema.

A aprovação da imunização para meninos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aconteceu em 2011. Antes daquele ano, a vacina era recomendada apenas para meninas e mulheres.

Iniciativa estadual

Rio de Janeiro será o primeiro Estado brasileiro a oferecer a vacina contra o HPV. A Lei foi publicada em Diário Oficial no dia 10 de outubro de 2011 e já está regulamentada.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, o processo de compra da vacina está em fase de finalização e, ainda no primeiro trimestre desse ano, meninas de 9 a 11 anos receberão a primeira dose, nos postos de vacinação de todos os municípios cariocas.

Saiba tudo sobre o câncer de colo do útero.







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