O que se discute nos Fóruns do Instituto Oncoguia são os mais diversos determinantes para se enfrentar a epidemia do câncer no contexto brasileiro.
Trata-se de um cenário extremamente complexo, permeado por fatores epidemiológicos, de gestão, de educação, de (sub) investimentos e legais, entre tantos outros.
Neste ano o Fórum contou com uma importante participação para a discussão sobre infraestrutura. A de um profissional brasileiro que atuou no 'universo do câncer' em um dos países do mundo que trata a oncologia e os pacientes com mais primazia, os Estados Unidos.

Dr. Gilberto Lopes, coordenador do HCor- ONCO e Diretor Científico do Oncoclínicas Brasil, é professor de Oncologia da Universidade John Hopkins (EUA).
Ele apresentou ao público dados que fundamentam as razões pelas quais os Estados Unidos vem reduzindo crescentemente a mortalidade por câncer.
Para ele, a pedra fundamental foi a assinatura, pelo Presidente Nixon, em 1971, da Lei Contra o Câncer (Cancer Act), "que abriu as portas dos investimentos em câncer e permitiu parcerias entre agências do governo, universidades e empresas privadas, para o desenvolvimento de pesquisas".
Embora o câncer seja a segunda causa de mortes naquele país, o oncologista mostrou dados apontando que a mortalidade vem caindo nos últimos anos. Em homens a queda foi de 21% e em mulheres, de 12%.
"Também, hoje 2/3 dos pacientes com câncer vivem mais de 5 anos, enquanto há algumas décadas atrás, apenas 1/2 viviam. Isso diz respeito a investimentos que foram e são feitos".
Por aquiSobre o Brasil, o oncologista apontou problemas que conhecemos. Subfinanciamento, disparidades regionais, infraestrutura frágil, dificuldades para a promoção do diagnóstico precoce.
"A medicina brasileira precisa deixar de ser simplista. Veja, nos Estados Unidos, quando um paciente chega ao consultório com tosse, o médico pensa já no pior diagnóstico e parte a investigação de lá. Aqui, o paciente é diagnosticado com gripe! Precisamos ficar no meio termo (...) se a tosse não cessa, tem que ser investigada", aponta.
Sobre o modelo ideal de tratamento do câncer, Dr. Giberto é irrefutável: "Mesmo nos Estados Unidos não existe esse modelo, porque esse modelo não existe!".
O médico explica que neste ideal, o paciente estaria no 'centro', com toda a equipe multidisciplinar em seu entorno, treinada em medicina baseada em evidências, amparada por tecnologia - de forma que tudo isso possa ser financiado. Neste cenário, ainda, estariam os centros de saúde (para a prevenção e controle de doenças) e os centros de tratamento em funcionamento total.
De fato o Brasil precisa concentrar e muito seus esforços na saúde em oncologia para chegar, minimamente, no modelo ideal.