[ENTREVISTA] Paciente conta que demorou 3 meses para iniciar radioterapia

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015

O baixo acesso à radioterapia em Goiás foi tema que marcou o IV Fórum de Discussão de Políticas de Saúde em Oncologia. O problema, que não é exclusivo daquele Estado e que atinge todo o país, tem impedido milhares de pacientes de realizar o tratamento oncológico de forma adequada.

A advogada Deyse Roberta Barboza de Souza, 26 anos, convive com Linfoma de Hodgkin há uma década. Tratando-se no SUS, ela conta que no ano passado aguardou 3 meses para iniciar o tratamento de radioterapia, razão pela qual o tumor voltou obrigando-a a retomar o tratamento de quimioterapia que à ocasião já havia sido finalizado.

A garota afirma que somente conseguiu iniciar o tratamento pois seu médico interveio. Diz que tudo o que acontece no hospital é por determinação e garra dos profissionais.

"De forma alguma critico o hospital onde trato. Pelo contrário. Sei que lá todos fazem esforços sobrenaturais para atender os pacientes. Realizam tratamento radioterápico até de madrugada. Meu médico atende 25 pessoas por dia! É uma sobrecarga enorme para o profissional (...)”.

O Portal Oncoguia conversou com a paciente.

Confira!

Instituto Oncoguia: Fale sobre você

Deyse - Sou advogada e tenho 26 anos. Sou portadora de linfoma de Hodgkin. A primeira vez que a doença se manifestou foi em 2002, quando tinha 16 anos. Sempre tratei no mesmo hospital, onde já passei pela pediatria e pelo transplante autólogo de medula óssea. Hoje estou tranquila, há um mês e meio fora da quimioterapia e em período de observação. Mas os médicos não dizem que estou curada, pois deverei ser observada pelo resto da vida. Esta é a quarta vez que faço tratamento.

Instituto Oncoguia - Você contou que esperou 3 meses para iniciar o tratamento de radioterapia no hospital onde se trata. Fale sobre isso.

Deyse - No final do ano passado eu estava finalizando o tratamento. Encerrei as sessões de quimioterapia e faltava as de radioterapia. Aguardei por três meses para iniciar o ciclo de radioterapia e a espera fez com que o nódulo voltasse. Corri no meu médico e creio que tenha sido ele quem se articulou para que eu iniciasse o tratamento. Em vez de fazer somente a radio, precisei voltar ao tratamento quimioterápico.

Instituto Oncoguia - Porque a demora?

Deyse - Por causa de filas. Eu tinha que marcar a consulta com radioterapeuta, o que demorou dois meses! Depois disso demorou mais tempo para a liberação e realização de exames. Somente após o período é que conseguiram me encaixar. Tenho certeza que só consegui fazer as sessões porque meu médico interveio. Acho que a demora aconteceu porque sou jovem. Costumam priorizar os idosos.

Instituto Oncoguia - E você recorreu à justiça? Acionou a defensoria pública?

Deyse - Não. E para falar a verdade, não vi ainda a atuação da defensoria pública em nosso estado, até porque esse serviço ainda não está estruturado por aqui. O Ministério Público é ausente (totalmente ausente). Eu já entrei com processos para outras pessoas e já tive casos em que o paciente morreu. Isso é muito, muito frustrante. Na minha opinião, não há ninguém que olhe para os pacientes aqui em Goiás além dos próprios médicos, que dão o seu suor para conseguir as coisas. O meu médico, por exemplo, atende 25 pessoas por dia! É uma sobrecarga enorme para o profissional. O hospital não consegue acolher todo mundo.

Instituto Oncoguia - Você sempre realizou todo o tratamento pelo SUS?

Deyse - Sim. Eu até tentei contratar um plano de saúde, que não cobria meu tratamento, apenas alguns dos exames que precisava realizar. Desisti do plano pois o SUS, embora demorado, podia me promover a cobertura completa (quimioterapia, radioterapia, transplante, internação).

Instituto Oncoguia - Nesses 10 anos em que se trata no SUS percebeu melhorias nos Sistema?

Deyse - Houve sim. A estrutura do Hospital onde faço o tratamento melhorou e aumentou a quantidade de médicos e equipe multidisciplinar. Hoje há psicólogos, nutricionistas etc. Mas o paciente continua sem informações sobre o que ele tem direitos, onde pode reclamar etc.

Instituto Oncoguia - Qual acredita que vem sendo a principal demanda dos pacientes oncológicos de Goiás?

Deyse - Vejo muita gente do Maranhão, de Tocantins, do Pará que vem tratar aqui. Essas pessoas, muitas vezes, vêm, mas precisam retornar para as suas cidades após o tratamento, o que causa um grande desgaste. Muitas vezes, até tentam recorrer a casas de apoio, que por sua vez não têm vagas. Já ouvi muita gente que veio para se consultar, mas não conseguiu, pois o veículo da sua cidade foi embora antes disso.

Instituto Oncoguia - E como você se informa sobre os seus direitos?

Deyse - Eu fiz a faculdade de direito, para ver se ajudava as pessoas a passar por aquilo que eu estava passando. Eu busco Fóruns, congressos, informações para ajudar outras pessoas que não têm condições de fazê-lo. Nessas longas esperas no hospital, aproveito para conversar com pacientes (...) sobre seus direitos, alimentação, qualidade de vida etc. Em tudo o que eu puder, ajudo.






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