[ENTREVISTA] Bronzeamento Artificial - Proibição não impede o uso

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015

No ano de 2009, uma Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA (RDC 56/09) determinou a proibição do uso das câmaras de bronzeamento artificial no território nacional.

A medida aconteceu quando a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), incluiu a exposição às radiações ultravioletas na lista de práticas e produtos carcinogênicos para humanos, estimulando agências de vigilância de diversos países do mundo a banirem o seu uso.

A alta intensidade de radiação ultravioleta emitida pelas cabines de bronzeamento artificial, além de aumentar os riscos do câncer de pele pode ocasionar outras lesões e o envelhecimento cutâneo.

Essa informação, baseada em estudos diversos, já está mais que difundida por aqui. Mas enquanto a ANVISA determina a proibição e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) condena o uso das câmaras de bronzeamento artificial, clínicas de todo o país - amparadas por liminares concedidas pela Justiça a empresas que produzem o equipamento - continuam oferecendo o tratamento e colocando a saúde de brasileiros em risco.

Somente em São Paulo (SP), há cerca de 8 câmaras de bronzeamento artificial em pleno funcionamento, em renomadas clínicas de estética.

O Portal Oncoguia conversou com a Dra. Carolina Marçon, dermatologista membro da SBD, sobre os riscos do bronzeamento artificial e a proibição das cabines no país.

A médica afirma que o bronzeamento artificial é sempre sinônimo de danos à pele.

"E são danos cumulativos. Os resultados aparecem após 10 ou 15 anos da adesão contínua desta prática de bronzeamento.”

Confira a entrevista.

Instituto Oncoguia - Em 2009, a ANVISA proibiu o uso das câmaras de bronzeamento artificial, devido à sua relação com o câncer de pele. Fale sobre isso.

Carolina MarçonDra. Carolina - O bronzeamento artificial é baseado em altas doses de radiação UVA. Também presentes no sol, a radiação UVA causa o bronzeamento, não causa a queimadura e está ligada ao envelhecimento e ao câncer de pele.

Instituto Oncoguia - Existem estudos científicos que demonstraram a ligação entre o bronzeamento artificial e o câncer de pele?

Dra. Carolina – Existem diversos estudos Norte Americanos, por exemplo. Muitos deles apontam para o aumento da incidência do câncer de pele em jovens, que são os mais adeptos ao bronzeamento artificial.

Instituto Oncoguia - Com qual tipo de câncer de pele o bronzeamento artificial está mais relacionado?

Dra. Carolina – Com todos os tipos de câncer de pele. O mais incidente deles é o carcinoma basocelular, seguido do carcinoma espinocelular. Por fim, alguns subtipos do melanoma, que é a neoplasia de pele mais letal.

Instituto Oncoguia - É possível estimar o risco do câncer de pele em uma pessoa que faça uso das câmaras de bronzeamento frequentemente?

Dra. Carolina –O risco existe para todas as pessoas que se submetem ao bronzeamento artificial. Quanto maior o tempo total de exposição (dose de radiação acumulada), maior o dano celular e maiores as chances do desenvolvimento do câncer de pele. O risco aumenta ainda mais nos indivíduos que têm fototipo (caracterização da pele quanto sua coloração e reação à exposição solar) baixo, ou seja, que tem pouca capacidade (determinada geneticamente) de produção de melanina. São aqueles com tendência a queimar e não bronzear, que têm olhos e cabelos claros, que são ruivos e que apresentam sardinhas na pele, por exemplo. Há outros fatores que potencializam esse risco, como histórico pessoal e/ou familiar de câncer de pele.

Instituto Oncoguia - E o que é a melanina?

Dra. Carolina - A melanina é um pigmento da pele, produzido com o estimulo da radiação. No caso do bronzeamento artificial, se faz um estimulo muito intenso, sem que a pele tenha tempo de se preparar e promover a autoproteção.

Instituto Oncoguia - Quais outras lesões de pele o bronzeamento artificial pode causar?

Dra. Carolina - Envelhecimento, dano de colágeno e de elastina, aparecimento de rugas, manchas (escuras, claras) e aumento da vascularização da pele, que resulta em alteração na sua consistência, entre outros. Algumas lesões são possíveis de se tratar, outras são muito difíceis de reverter.

Instituto Oncoguia - Para terminarmos, qual a forma correta de buscar o tão desejado bronzeamento? É correto bronzear-se?

Dra. Carolina - Bronzeado significará dano, sempre, e é fundamental que se tenha isso em mente. Partindo desse ponto, a recomendação é que a exposição ao sol aconteça da melhor maneira possível, respeitando-se os limites da pele. Não tomar sol entre às 10h e às 16h, bronzear-se paulatinamente, com calma, para que a pele possa produzir melanina, usar protetor solar corretamente, aplicando-o e reaplicando-o, utilizar roupas e chapéus com protetor solar etc.






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