Conheça as causas e sintomas do câncer de boca

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 20/06/2022 - Data de atualização: 20/06/2022

A saúde bucal, ainda muito associada só ao cuidado com os dentes, ganha importância extra quando o assunto é câncer de boca. A doença, que já é considerada um problema de saúde pública, tem diagnosticado mais de 15 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). 

Perceber qualquer sintoma estranho em áreas internas ou externas da boca, algo que pode acontecer numa simples visita ao dentista, é essencial para se ter o diagnóstico prévio que conduzirá ao tratamento e posterior cura da doença. 

O câncer de boca (também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral) é um tumor maligno que afeta lábios, e estruturas da boca como gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas), e a região embaixo da língua. Segundo o INCA, é mais comum em homens acima dos 40 anos, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste. No começo de junho, o ator Rubens Caribé faleceu pela doença aos 56 anos, chamando atenção sobre o assunto. 

O diagnóstico precoce costuma ser raro pelo fato de as lesões iniciais geralmente serem assintomáticas, segundo o cirurgião dentista João Epaminondas, especialista em pacientes com necessidades especiais. Ele ressalta que, às vezes, até o próprio profissional de saúde desconhece a patologia. “É comum o desconhecimento e a falta de percepção dos sinais e sintomas pelo paciente, a ignorância sobre seus fatores de risco, e a ausência de exame clínico rotineiro da boca pelos médicos”, diz. 

A doença pode se manifestar sob a forma de feridas (que não cicatrizam) na boca ou no lábio, caroços, inchaços, áreas de dormência, sangramentos sem causa conhecida, dor na garganta que não melhora, rouquidão persistente, e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na parte interna da boca ou do lábio. Nas fases mais evoluídas, o câncer de boca provoca mau hálito, dificuldade em falar e engolir, caroço no pescoço, e perda de peso.

João Epaminondas ressalta que determinadas alterações já podem ser diagnosticados por um cirurgião-dentista, devido ao potencial de malignização. “Quando em fase inicial, não apresentam sintomatologia, sendo encontradas lesões na cor vermelha (eritroplasica), branca (leucoplasica) ou em uma mesma lesão, apresentando ambas as cores. Também podem ser encontradas em forma de placa, nódulo ou úlcera, com borda endurecida e que não regride ou cicatriza no prazo de 15 dias”, explica. 

Os homens costumam ser os mais atingidos pela doença por serem mais adeptos do tabagismo e etilismo – sendo que nos últimos anos essa proporção tem diminuído, já que mais mulheres também estão consumido álcool e cigarro. “Estudos mais recentes têm avançado em busca de relacionar novos fatores etiológicos, entre eles o HPV, decorrente do ato de sexo oral, e fator associado ao surgimento do carcinoma de células escamosas, este sendo o tipo histopatológico mais comum de câncer em cavidade oral”, diz.

A falta de higiene bucal também oferece a sua parcela de risco no desenvolvimento da doença. Segundo o dentista, esse tipo de desleixo com a boca contribui para o surgimento de inflamações que, por sua vez, produzem substâncias nocivas ao organismo. “Um estudo recente da USP mostrou que a nitrosamina pode aumenta as chances de câncer. Cabe salientar que o processo de inflamações na boca aumenta a quantidade de vasos sanguíneos na região, fator que cria um 'ambiente' favorável à nutrição de tumores”, explica. 

Tratamento 
Uma vez identificado uma lesão sugestiva de malignidade, esta devera ser imediatamente submetida à biopsia (pode ser realizado pelo profissional cirurgião-dentista ou médico). Com o resultado positivo, o paciente deverá ser encaminhado ao profissional especialista em cirurgia de cabeça e pescoço. A partir de então, o paciente será avaliado quanto à indicação cirúrgica (remoção de toda ou parte da lesão) e na sequência, encaminhado para tratamento de radioterapia (local) e/ou quimioterapia (sistêmica).

O cirurgião-dentista explica que, em estágios iniciais, a doença é tratada exclusivamente de forma cirúrgica, o que acarreta menos danos ao paciente; já em casos mais avançados, o tratamento geralmente contempla as modalidades terapêuticas de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. “Nesses casos, a sobrevida global desses pacientes nos primeiros cinco anos após o tratamento está em torno de 35%, e podem acarretar alterações que impactam na qualidade de vida dos sobreviventes”, completa. 

Sequelas 
As sequelas dependem do tipo de tratamento ao qual o paciente foi submetido. “No caso do tratamento cirúrgico, as sequelas estão relacionadas diretamente ao porte e complexidade da cirurgia, que por sua vez são fatores relacionados à extensão e localização do tumor”, diz João. Em casos mais simples, os tumores passam por ressecção e normalmente não acontece nenhuma sequela. Em situações mais graves e avançadas, pode haver problemas na deglutição e articulação das palavras.

No caso de pacientes submetidos a tratamento de radioterapia local em cavidade oral, as consequências são alterações tardias ao tratamento como sensação de boca seca (xerostomia); redução no fluxo salivar (hipossalivação); alteração ou ausência do paladar (disgeusia/ageusia); limitação na abertura bucal (trismo); cárie de radiação; risco para necrose óssea, além maior susceptibilidade às infecções oportunistas em cavidade oral, sendo a candidíase a mais comum.

“Em casos de pacientes que foram submetidos à quimioterapia no grupo de cabeça e pescoço, as alterações geralmente se manifestam durante o período de imunossupressão da droga, e essa, por sua vez, potencializa algumas das alterações já descritas anteriormente. Assim, é necessário sempre conhecer sobre as drogas utilizadas”, alerta o médico. 

Ida ao dentista
Tudo começou com uma lesão na gengiva. Mário Baldino, então com 76 anos, achava que era uma simples afta. Mas a ferida nunca sarava. A esposa, Marinalva Dantas, desconfiou de algo sério e insistia numa ida ao dentista. Foram mais de três anos até isso acontecer. Ele foi conduzido a um estomatologista, um especialista no diagnóstico de doenças de boca. A biópsia foi realizada e o resultado foi maligno. A cirurgia foi realizada em 2017, com sucesso. Mas não seria a última. 

No ano seguinte, surgiu um nódulo no pescoço de Baldino. Depois vierem mais nódulos no pescoço e outra lesão na boca. O aposentado teve que se submeter ao tratamento de quimioterapia e radioterapia. “Foi uma série de tratamentos difíceis, mas ele foi curado”, diz Marinalva, ressaltando que ficou como sequela ao marido, a falta de salivaçao. 

A causa do câncer em seu marido não ficou muito clara, diz Marinalva, já que ele não era um fumante inveterado. Mas ela ressalta: a demora em ir ao dentista quando se manifestou a primeira lesão foi determinante para que a doença avançasse com mais gravidade. 

Fonte: Tribuna do Norte






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