Como a atividade física melhora a qualidade de vida do paciente com câncer

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 01/02/2022 - Data de atualização: 01/02/2022

No meu último texto aqui no VivaBem, expliquei como a atividade física é uma importante estratégia para reduzir o risco de ter câncer. Sabemos, também, que os exercícios podem melhorar da qualidade de vida do paciente oncológico e ajudar a diminuir os índices de mortalidade por câncer e também outras causas.

Nos três tipos de tumores mais incidentes na população brasileira (mama, próstata e colorretal), estes efeitos pós-diagnóstico já são comprovados. Em pacientes com diagnóstico de câncer de próstata não metastático, por exemplo, um estudo que avaliou 2.705 homens demonstrou que a prática de pelo menos três horas semanais de atividade física vigorosa, como ciclismo, tênis, corrida ou natação, proporcionou uma redução de 49% na mortalidade por todas as causas e um risco 61% menor de mortalidade específica por câncer de próstata.

Já outro levantamento, que incluiu 1.455 pacientes com câncer de próstata localizado, mostrou que os homens que faziam três ou mais horas semanais de caminhada rápida apresentaram um risco 57% menor de progressão da doença, na comparação com aqueles que caminharam em ritmo de baixa intensidade. Além disso, a atividade física pós-diagnóstico foi associada a uma melhor qualidade de vida física e mental entre os sobreviventes do câncer de próstata.

O mesmo ocorre para o câncer mama. Dados do Projeto americano After Breast compilaram informações sobre mulheres que sobreviveram à doença e mostraram que baixos níveis de prática de exercícios foram associados a um risco aumentado de 22% de mortalidade pelo tumor. Além disso, as sobreviventes do câncer de mama que aumentaram suas atividades físicas em qualquer nível, do pré ao pós-diagnóstico, apresentaram uma diminuição do risco de mortalidade total, na comparação com aquelas que não mudaram seus treinos ou permaneceram sedentárias.

Informações interessantes também foram trazidas por uma revisão sistemática de 16 estudos, que comparou os níveis mais altos e mais baixos de atividade física pré-diagnóstico entre sobreviventes de câncer de mama, com uma baixa de 23% no total de óbitos e mortalidade específica por câncer de mama. No pós-diagnóstico, os riscos de mortalidade total e específica por câncer de mama foram reduzidos em 48% e 28%, respectivamente. Ou seja, com maior tempo e intensidade, os ganhos cresciam consideravelmente, principalmente para aquelas que adotaram os treinos depois de iniciar o tratamento.

Finalmente, os exercícios aeróbicos e de resistência melhoraram, também, a aptidão cardiorrespiratória medida como consumo máximo de oxigênio, força muscular e porcentagem de gordura corporal em pacientes com câncer de mama em estágio inicial.

Os benefícios da atividade física também foram demonstrados em pacientes com diagnóstico de câncer de cólon e reto. Uma meta-análise de 11 estudos, que incluiu 17.295 pacientes com um período de acompanhamento variando de 3,8 a 11,9 anos, demonstrou que quem era mais ativo antes do diagnóstico inicial tinha menor mortalidade geral e específica por câncer. Da mesma forma, pacientes que se mantiveram fisicamente ativos depois da descoberta da doença demonstraram menor mortalidade específica pelo câncer colorretal e geral.

Outra ampla análise de sete estudos, com 8.056 participantes, confirmou que níveis mais elevados de exercícios antes do diagnóstico foram associados a uma maior sobrevida específica do câncer e global. Os benefícios também foram observados se a atividade física fosse iniciada após o diagnóstico

Como os estudos comprovam, manter-se ativo é fundamental para a prevenção e para os melhores resultados do tratamento do câncer. Todo mundo pode e deve se exercitar, respeitando seus próprios limites, com as orientações de um profissional, para que os ganhos para a saúde sejam potencializados em termos de cura, sobrevida e qualidade de vida.

Fernando Maluf
Diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.
Colaboração para o VivaBem

Fonte: Uol 






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