Brasil soma 85 mil doentes sem radioterapia

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2013 - Data de atualização: 15/05/2013

Até o final do ano, o Brasil vai acumular 85 mil pacientes com o diagnóstico de câncer , mas sem acesso ao tratamento fundamental para mudar o curso da doença.

A radioterapia – indicada principalmente para tratar os tumores malignos de mama, próstata, garganta e pele (todos líderes em incidência no País) – não contempla todos os doentes brasileiros, mostra mapeamento feito pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR).

Os números – já conhecidos pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e pelo Ministério da Saúde – foram realizados com o cruzamento de três levantamentos feitos pelo Inca. O primeiro projeta os novos casos de câncer que serão acumulados no ano de 2012 (520 mil, uma média de 12 por hora). O segundo, é o número de máquinas atualmente em funcionamento (230 aparelhos). E o terceiro que contabiliza a capacidade de tratamentos desta rede de oncologia radioterápica, que não dá conta dos 320 mil doentes que precisam exclusivamente da radioterapia para combater suas doenças.

Ainda nas contas do Inca, para atender as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), seriam necessários mais 155 aparelhos de radioterapia.

"O panorama que temos é horroroso”, sentencia Carlos Manoel Mendonça de Araújo, diretor de radioterapia do Inca. "São quase 90 mil brasileiros que não estão nem na fila de espera, com a esperança de serem atendidos. Esta estatística é sobre o número de pessoas que simplesmente não serão atendidas.”

Quando os algarismos pontuam o intervalo entre o diagnóstico do câncer e o acesso ao tratamento, o cenário também é ruim. Em geral, a demora é de 113 dias, de acordo com um relatório feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado. Os especialistas sabem que este prazo tende a ser ainda maior em Estados em que não há um único aparelho de radioterapia, como Amapá e Roraima.

"Como se não bastasse ter de lidar com o déficit de maquinário e a ausência de perspectiva de ter acesso ao tratamento perto de casa, alguns doentes viajam quilômetros para fazer radioterapia – já debilitados – e ainda esperam meses nas filas já grandes dos hospitais de câncer do Sudeste e Sul”, lamenta o presidente da SBR, Robson Ferrigno.

Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia – entidade que oferece assistência para as pessoas com câncer e seus familiares – confirma a deficiência de radioterapia até mesmo nos centros de excelência no tratamento do câncer.

A instituição faz um trabalho voluntário com as mulheres vítimas de câncer de mama que chegam ao Hospital Pérola Byngton, em São Paulo, uma referência nacional em atendimento aos cânceres de mama e colo do útero.

"Mapeamos que boa parte destas mulheres, mesmo com o resultado de câncer de mama em mãos, levou um ano pulando de unidade em unidade até conseguir acesso ao tratamento”, diz Luciana.
 
Matéria publicada no Portal IG em 26/04/2012





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