ARGENTINA - Todos por Cristina

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  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2013 - Data de atualização: 15/05/2013

A notícia de que a presidente será operada de um câncer na tireoide causa consternação no país e coloca em segundo plano os atritos com adversários, inclusive a imprensa. Líderes de países vizinhos engrossam o coro da solidariedade

Dona de uma trajetória política que entremeia a própria história pessoal, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, viu sua agenda de segundo mandato se alterar completamente com a descoberta de um câncer na glândula tireoide, tornado público na noite de terça-feira. As polêmicas e embates que prometiam dominar o início do novo governo ficaram para segundo plano e a saúde da chefe de Estado dominou o noticiário. Vindo de uma sucessão de episódios dramáticos nos últimos anos e meses, como a morte do marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, e a gravidez interrompida da nora, Cristina afirmou ontem, na primeira aparição pública após o anúncio, que seguirá trabalhando com o maior dos compromissos. Ela será operada no próximo dia 4, em uma clínica particular de Buenos Aires, onde deverá ficar internada por três dias.

Analistas políticos argentinos consultados pelo Correio apontam que o novo episódio forçou um intervalo nos atritos da governante com setores econômicos e com a grande imprensa. Eles consideram também que, a exemplo de outros líderes vizinhos acometidos pela doença (veja quadro), a Casa Rosada reagiu de forma adequada ao assumir publicamente o problema e anunciar que o vice, Amado Boudou, assumirá o cargo no período de licença da presidente, entre 4 e 24 de janeiro. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro entre os vários líderes latino-americanos que ligaram ontem para a presidente, entre eles a colega brasileira, Dilma Rousseff.

Os principais jornais argentinos dedicaram a capa e um extenso espaço de cobertura para o estado de saúde da presidente. Os diários Clarín e La Nación, adversários do governo e envolvidos em uma longa queda de braço com Cristina, dedicaram grande parte de suas edições ao caso, coberto ao longo do dia em seus websites. No do Clarín, abaixo de várias reportagens sobre o tema, aparecia a notícia da publicação, no Diário Oficial argentino, da promulgação da lei que declara de interesse público a fabricação e distribuição de papel-jornal. Na prática, a medida torna estatal a empresa Papel Prensa, e o Clarín e o La Nación deixam de ser seus acionistas majoritários.

A primeira aparição pública após o anúncio do câncer foi em um ato para a apresentação de um programa para sanar dívidas das províncias (estados). A presidente procurou demonstrar força e pediu a empresários e trabalhadores prudência e equilíbrio nas reivindicações, em um cenário econômico no qual os sindicatos se queixam de salários e impostos, enquanto as empresas reclamam da perda de competitividade. Cristina aproveitou para recomendar ao vice, Amado Boudou, que tome cuidado com o que vai fazer durante os 20 dias em que assumirá a presidência.

Sem oposição

Na avaliação do analista político Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría, de Buenos Aires, o embate entre o governo e o dirigente da poderosa central sindical CGT, Hugo Moyano, assim como os atritos com o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, eram até terça-feira os temas políticos mais relevantes para 2012. Agora, passou a ser a saúde presidencial, afirmou. Fraga analisa que quanto maior a personalização da liderança política, como no caso da Argentina, mais importante é o tema da saúde. Ainda mais que, nesse caso, se trata da maior acumulação de poder político-institucional desde 1983, comenta o analista.

A notícia pegou todo o país de surpresa. Para o professor argentino Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp, gerou um clima de solidariedade na Argentina. Sempre que algo assim acontece, as diferenças com a oposição ficam um pouco adormecidas, afirmou. Houve um grande debate político nas última semanas, mas essa notícia (da doença) cria um intervalo.

Tanto Ayerbe como Fraga veem como positivo o fato de o governo tratar com transparência a doença da presidente e divulgar o diagnóstico prontamente. O jornal La Nación trouxe uma reportagem na qual afirma que Cristina levou um grande susto ao ouvir a palavra câncer e teve um momento inicial de consternação, mas logo se recompôs ao ser tranquilizada pelos médicos. Em seguida, o secretário de Comunicação da Casa Rosada, Alfredo Scoccimarro, fez um comunicado breve e claro sobre o caso, a exemplo do que fizeram o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente paraguaio, Fernando Lugo. Atitude contrária teve Chávez, que até agora mantém sigilo sobre seu estado de saúde, alimentando especulações.

Telefonema do Planalto

A presidente Dilma Rousseff ligou ontem, no meio da tarde, para a mandatária argentina, Cristina Kirchner, e lhe desejou sorte no enfrentamento da doença. Segundo o Blog do Planalto, Dilma disse ter certeza de que a presidente argentina terá a força necessária para superar esse momento difícil. A governante brasileira tinha tentado falar com Cristina de manhã, mas encontrou-a em um compromisso oficial. Além de Dilma e do venezuelano Hugo Chávez, também telefonaram para a chefe de Estado argentina os colegas Sebastián Piñera (Chile), Fernando Lugo (Paraguai) e Juan Manuel Santos (Colômbia). O equatoriano Rafael Correa enviou mensagem pelo microblog Twitter.

Presidente ficará afastada por cerca de três semanas

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi diagnosticada com um carcinoma papilar no lóbulo direito da glândula tireoide e, segundo a Casa Rosada, será submetida à cirurgia na próxima quarta-feira. Cristina deverá permanecer internada por 72 horas após a operação e ficará de licença até 24 de janeiro. A doença foi detectada durante exames de rotina em 22 de dezembro. Segundo o diretor científico do Instituto Oncoguia e oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein (São Paulo), Rafael Kaliks, trata-se do tipo mais comum de câncer e suas chances de recuperação são de cerca de 85%.

Kaliks explicou que o procedimento típico nesses casos é a retirada total da glândula tireoide, situada na parte anterior do pescoço. A cirurgia será realizada em um hospital particular na cidade de Pilar, cerca de 60 km ao norte de Buenos Aires. O médico responsável será Pedro Saco, considerado um dos mais renomados especialistas argentinos nesse tipo de câncer, segundo informação oficial.

Em entrevista a agências internacionais, o presidente da Sociedade Latino-Americana de Tireoide, Marcos Abalovich, afirmou que, após a cirurgia, Cristina deverá tomar pílulas de iodo radioativo. Kaliks considerou que trata-se de uma medida de segurança para garantir que todas as células cancerígenas que possam ter restado sejam destruídas. Nesses casos, segundo ele, é provável que a presidente permaneça internada e até mesmo isolada até que a radiação seja totalmente eliminada de seu corpo.

A dificuldade nesse caso, segundo o médico brasileiro, é que no período em que a paciente estiver ingerindo as pílulas de iodo radioativo ela não deverá, ao mesmo tempo, fazer a reposição hormonal que a presidente necessitará para o resto da vida após a retirada da glândula que produz os hormônios. Por isso, ela deverá sentir alguns sintomas, como indisposição e cansaço. Ele pondera, contudo, que o procedimento cirúrgico é simples e raramente oferece alguma complicação.

Fonte: CORREIO DE SANTA MARIA / ONLINE





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