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  • Leticia Maria de Miranda Bento - Câncer de Mama
    Sou filha única e minha mãe descobriu o câncer de mama em 2011, quando eu tinha 16 anos. Nossa Senhora de Fátima a levou às 15h de 26/02/2019.
Minha amada mãe nasceu em 13 de maio de 1961. Sua biópsia da mama saiu em 13 de outubro de 2011. Dias e meses da primeira e da última aparição de Nossa Senhora em Fátima. Seu nome era Maria de Fátima. Sou filha única e minha mãe descobriu o câncer de mama em 2011, quando eu tinha 16 anos. Após a cirurgia de emergência, a quimio e a rádio, teve um pouco de paz em 2013. Eu, imatura, passei o ensino médio estudando para o vestibular, passei e fui morar em outro estado. Acreditava que estava honrando as escolas que meus pais pagaram. Porém, percebi que tinha depressão. Pedi ajuda, voltei para casa e comecei o tratamento. Minha mãe estava bem fisicamente, mas seu psicológico também não era forte. Era sempre muito vulnerável, parecia uma criança, mesmo antes da doença. A alimentação poderia ser melhor e faltou tratamento psicológico. Sempre incentivem seus familiares a cuidarem com emocional, creio que ele contribui para o desenvolvimento de sua doença. Antes do câncer, ela teve endometriose e meu nascimento foi fruto de uma fé verdadeira e séria, visto que não podia engravidar. Teve dois abortos espontâneos depois. Prosseguindo, em 2015 constataram metástase na coluna. Ela voltou ao tratamento e passou a usar um apoio externo que ajudava a preservar a coluna. Iniciei a faculdade neste mesmo ano. Meu pai, de sangue italiano, passou a apresentar sintomas de depressão por conta do stress de cuidador e obteve licença para acompanhá-la no tratamento. O WhatsApp era um grande aliado e aumentou o afeto entre eu e minha mãe. Em 2016 a liberaram do tratamento, fazia apenas aplicação de Zometa para os ossos. Em 2017, me arrumaram um imóvel para morar próxima ao meu curso e trabalho por conta de estes serem em outra cidade, e passei a não vê-los todos os dias. Em 2018... Na sexta feira de carnaval, ela não conseguiu levantar da cama. Estava com metástase nos ossos, pulmão e fígado. A atenção era nos ossos. Foi grande o baque, ela apresentou grande desanimo nos primeiros dias, mas se adaptou. Nossos animais (gatos, cão) foram grandes companheiros nos anos de tratamento. Precisei pedir aos Ministros de Eucaristia que fossem aos domingos para que ela pudesse comungar. A cada comunhão, ela chorava por receber Jesus e de saudades de participar da Santa Missa. Reiniciamos o tratamento e eu procurava ir para casa em todos os finais de semana. Era uma batalha árdua, pois além da situação que se apresentava, a depressão me tirava a força para ajudá-la. Voltei a me medicar e pude oferecer um pouco da ajuda e da alegria que ela merecia. Fazia absolutamente tudo o que podia por mim. Melhorou, conseguiu andar, em maio fomos a uma fazenda tomar café da manhã para comemorar seu aniversário e dia das mães. Em 02 de novembro, finados, conheci meu namorado e foi a maior alegria para minha mãe. Ela o amou muito. Em janeiro de 2019, ela foi internada pois não conseguia levantar e estava com anemia. Meu pai fazia de tudo para dar conforto para ela, mas ele não sabia preparar uma comida especial, algo leve que ela gostasse. Obteve alta e decidimos que ela ficaria na casa de minha avó materna, pois ela ficaria mais acessível. Lá não havia escadas e seus irmãos iriam com mais frequência. Meu pai, devido ao temperamento forte junto ao estresse da doença da esposa, não estava sabendo lidar tão bem com as visitas que apareciam em nossa casa. Ela estava já com múltiplas lesões na coluna. Ela gemia de dor e eu sentia uma raiva tão grande, queria brigar com ela e pedir para parar com isso, mas logicamente ela não podia. Minha mãe passou 1 mês na casa de minha avó. Eu, quando da sua internação, surtei, pedi para sair do serviço para ficar com ela. Eles me deram 15 dias. Mal consegui ajudar, minha cabeça me deixava com medo e eu mal conseguia preparar o suplemento fundamental para ela. Minha tia e minha avó cuidaram da nutrição de minha mãezinha. Porém nas última semana, devido à grande quantidade de medicamentos: morfina, dexametasona, gabapentina, plasil, quimioterapia em comprimidos, visto que não conseguia se locomover ao hospital para fazer rádio, dentre outros medicamentos. Ela acordava com a roupa molhada de suor e ia ao banheiro e tomava banho com imenso sacrifício. Os gemidos era muito difíceis de ouvir e, certa noite, em que estava dormindo aos pés de sua cama, pedi a Cristo que a acolhesse, visto o curso irreversível da doença e concluísse o seu calvário neste vale de lágrimas. Nas duas últimas semanas, nas quais eu já havia voltado a trabalhar e estudar, foram terríveis. Eu chorava todos os dias. Era doloroso ouvir sua voz ao telefone e estar longe. Mas sabia que precisava continuar por ela. Ela sabia que parada eu não podia ajudar ninguém. Falei o celular com ela na quinta feira. Na sexta, foi de ambulância ao hospital e sofreu muito com os balanços do automóvel na estrada. Chegou com muita dor e foi internada. Sábado, ao falar com minha tia, fui informada de que o médico liberou para que eu entrasse antes do horário de visitas. Cheguei e ela estava com a máscara de oxigênio. Ela olhou com os olhos bem abertos para mim e já não podia falar. Já havia, durante a madrugada, pedido a misericórdia de Deus e estava na fase da partida. Pedi perdão pelos meus erros e neste dia ela pode ver pela última vez alguns familiares que ela amava. No domingo, o padre foi ministrar a unção dos enfermos, e ela balbuciou "Padre, eu não aguento mais”. Neste dia, ela gritava muito e não sabíamos ao certo se era pela dor ou pela confusão mental. Pude conforta-la todo esse tempo relembrando a fé que a sustentou durante a vida e agora a estava levando para os braços de Deus. Minha prima cantou para ela e ela gostou. Cantamos para ela em muitos períodos no hospital. Segunda feira, o médico informou que a partida viria. Veio na terça, às 15h. Estávamos eu, meus tios e pessoas muito queridas. O velório e o enterro estavam lotados. Subimos em procissão até o cemitério. Era cerca de 15h e uma chuva caiu. Depois, abriu-se o céu e fez sol. Senti paz ao saber que seus sofrimentos não mais existiam. Que ela jamais abrira a boca para blasfemar e agora sua alma seguia rumo à eternidade. Deus a amou tanto que pode acolhê-la. Vi o milagre de sua vida, entrega incondicional e partida ocorrer diante de meus olhos e isso me conforta. Mater Misericordiae, ora pro nobis.


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