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  • Cristiane Aparecida Caciolato Reis - Câncer de Esôfago
    Perdemos a batalha, 11 meses de tristeza, dúvidas, lágrimas, dor... uma doença que esconde muito, médicos que não relatam a verdade.
Meu nome é Cristiane, tenho 34 anos e perdi meu pai amado com câncer de esôfago.

No dia 19 de dezembro de 2013 recebemos um diagnóstico através de resultados de exames de um tumor maligno. Foi desesperador, às vésperas do Natal. Meu pai sempre amou Natal, festas e como a consulta dele, com cirurgião era somente dia 16 de janeiro de 2014, decidimos não contar e deixar que esse último Natal fosse perfeito e assim foi. 

Na primeira consulta com cirurgião, quando descobriu a doença, meu pai, os três filhos e a minha mãe o acompanhou na consulta, pois seria um susto para ele (havia perdido recentemente o cunhado que era como irmão com câncer de boca e ele acompanhou o sofrimento e fim da batalha também). 

O cirurgião disse a meu pai que haviam duas notícias, uma boa e uma ruim - "a ruim é que o Senhor está com câncer de esôfago e a boa é que está no início e com tratamento e cirurgia tudo ficará bem." Meu pai chorou, se desesperou, mas encarou. 

No outro dia foi internado para todos os exames pré-operatórios no hospital Mario Covas em Santo André. Voltou para casa e começou a radioterapia, foram 42 sessões que ele encarou muito bem, sentiu alguns efeitos colaterais, mas não desanimou.

A intenção do médico na radioterapia era diminuir o tumor para retirá-lo na cirurgia. Com a radio concluída houve internação novamente e exames para ver o tumor. Nesse tempo meu pai não conseguia se alimentar, sentia muita dor e engasgava muito, papinhas entraram na dieta.

Ai veio a triste e duvidosa notícia: "o tumor grudou na veia do coração e a cirurgia não poderia ocorrer, pois era muito arriscado e ele não aguentaria". 

Então meu pai fez 10 sessões de quimioterapia branca, conhecida como mais leve, porque o caso estava controlado. Após as quimioterapias, outra internação para o tal diagnóstico: "cura", pois o tumor havia morrido e uma vez morto, mesmo estando ali, não faria mal. Teria que fazer monitoramento para que observasse apenas e assim fomos para casa. 

Só que não foi bem assim, as reações de náuseas da quimio foi muito difícil, as dores e a dificuldade de engolir ainda estavam presentes. Fomos um mês direto no PS, pois os médicos diziam que era normal. Ali só tomava remédio (morfina) para aliviar a dor e para retirar as náuseas. 

As idas ao hospital se tornaram mais frequentes, ate que um dia a dor estava insuportável e nós estávamos cansados de vê-lo sofrer e decidimos armar um escândalo até um médico atender e pedir exames. 

Uma nova internação, essa mais dolorosa porque meu pai ficou com a cabeça ruim, medo de morrer, depressão, uma dor de cabeça insuportável e ela nos trouxe o diagnostico de neurocisticercose, o conhecido bicho de porco na cabeça, que com a radio e a quimio foi eliminado, mas descobrimos que o tumor estava ativo como um vulcão em erupção, que havia dado metástase e que o caso seria raro reverter. Assim, voltamos para casa. 

No mês de junho outra má noticia: meu pai não podia nem comer e nem beber pela boca, teria que fazer uma cirurgia para colocar uma gastrostomia porque as alimentações seriam apenas por ali por ter aberto uma fístola do esôfago para o pulmão e tudo que passava pelo esôfago gotejava no pulmão. Essa foi uma crise maior ainda, pois o médico disse que seria para sempre. 

Não contamos que seria para sempre e passamos os dias vendo ele se acabar, dia após dia. Outras internações ocorreram, mas nada resolvia. 

Então, meu pai entrou em tratamento paliativo com quimio todas as semanas e  em consulta  com o oncologista, uma conversa franca no qual eu e minha irmã ouvimos que os dias dele estavam acabando e o que realmente tinha que ser feito era qualidade de vida até o fim.

Qualidade de vida? Como com aquela gastro? Resolvemos deixar a gastro e passamos novamente a alimentá-lo pela boca, doses pequenas, tudo pastoso e devagar introduzimos o alimento sólido.

A alegria e a vontade de viver foi tão intensa que nas primeiras semanas achamos que um milagre estava vindo, mas não, meu pai começou a engasgar mais, tosses, febre, dores pelo corpo, dor incontrolável nas costas, o câncer estava tomando todos os órgãos. 

As dores no corpo e nas costas eram terríveis a ponto de trocarmos o colchão, compramos poltronas inclináveis, mas não adiantava. 

Na última internação, meu pai não ficava em pé, com dores nas articulações e ossos. Foram 3 dias e os pulmões comprometidos. No dia 07/11/2014 a visita foi liberada aos familiares e meu pai sentia muita dor, a morfina de 2 em 2 horas não fazia efeito. 

Uma aspiração do pulmão por conta da tosse fez com que alguns tumores rompessem e muito sangue saia pela boca, pela gastro... Os médicos resolveram sedá-lo para que ele aguardasse a sua hora e assim foi, dia 07/11/2014 ele foi sedado as 18h05min e não acordou mais, faleceu no dia 08/11/2014 as 22h40min.

Perdemos uma batalha, perdi meu Pai: alegre, bondoso, comer era seu hobby. Ele tinha muito medo da morte. Hoje me pergunto: será que os médicos poderiam ter feito mais? Por que daquele diagnóstico que estava curado? Briguei tanto e não tive resposta, acho que falta muita informação no geral. 

Meu pai consumia R$ 2.500,00 por mês de alimentação específica para gastro, que era obrigação do governo dar, mas o mesmo negou por duas vezes. 

Câncer você levou meu pai...


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