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  • Carolsilram - Linfoma Não Hodgkin
    Minha mãe me ensinou tudo na vida, menos a viver sem ela.
Em agosto minha mãe começou a perceber uns caroços em seu pescoço e foi atrás para descobrir o que era. O médico falou que não era nada. Pois bem, esse caroço foi aumentando agressivamente e dando febre, até que minha mãe retornou ao médico e pediu alguns exames.

Ela fez os exames e acabou passando na emergência para ver o resultado, já que a febre tinha voltado e ela já estava emagrecendo. O médico da emergência viu o exame e também falou que não era nada e nem medicação passou. Alguns dias depois, na sua consulta com o médico que solicitou o exame, o mesmo falou que o exame estava alterado e a encaminhou para um cirurgião. Minha mãe passou com o cirurgião no dia 19/11/2020 quando ele afirmou ser câncer e solicitou mais exames para a confirmação. Então começou a correria de marcação de exames e de briga com o convênio já que não autorizavam um dos exames. Quando autorizaram já era meio tarde...

O que eu sei é que minha mãe é uma guerreira e que lutou até o último dia.
 
Antes de dar entrada no hospital ela já estava sofrendo, mas sofrendo por que? Porque os médicos pensavam que ela tinha garganta inflamada. Mesmo sabendo da suspeita do câncer, passavam medicação para tomar no hospital e medicação via oral para tomar em casa. Nisso se foram quase 3 semanas com minha mãe sofrendo e sem conseguir comer ou beber água. Ela já estava com fadiga, febre e herpes devido a febre.

Foram muitas idas e vindas até o hospital e sempre a mesma coisa, até que ela começou a tomar vitaminas e beber mais água. Foi quando ela começou a lutar, só que ela já estava debilitada. Em 17/12/2019 os médicos tomaram uma atitude e internaram minha mãe, ela ficou dois dias na emergência. Foi horrível, tinha que se humilhar para poder ver ela, pois era na emergência e não em quarto. Após dois dias na emergência levaram ela para UTI onde eu pude conversar e ficar com minha mãe de madrugada. Uma hora depois me retiraram do quarto.

Uma médica questionou o que tinha acontecido, então comentei tudo isso que escrevi aqui em cima. E então ela falou: "Prepara os familiares".

Foi o fim pra mim, porque minha mãe é minha amiga, minha confidente. Eu passava horas no telefone com minha mãe, fazia ela acordar cedo só para ter a nossa primeira ligação do dia. Mas enfim... Passei a madrugada em choro após a noticia que a médica deu, pois eu estava sozinha e não sabia como falar para meu pai e meu irmão. Só falei para eles irem até o hospital.
 
Virei a noite e o dia. Era umas 7:30 da manhã do dia 19/12/2019 e não era horário de visita, mas queria ver minha mãe ou, pelo menos, ter notícias sobre como ela reagiu à noite que passou. Uma pessoa me deixou entrar e, como ninguém me retirou do quarto, eu permaneci. Essa pessoa era a médica da minha mãe e deixou eu ficar com ela, disse que eu só precisaria sair se fossem fazer algum procedimento. Foi ótimo, já que minha mãe me queria por perto. Ficamos conversando e ela brigando comigo porque faltei no serviço.

Fiquei com minha mãe até 11 horas, que seria o horário da visita, então minha mãe foi fazer uma cirurgia no coração para utilizar o cateter para medicação. Ela queria que eu ficasse presente, mas infelizmente não deixaram.
 
No horário da visita à noite minha mãe estava consciente e com ela, graças a Deus, estávamos eu, meu marido, meu pai, meu irmão e minha cunhada. Nos revezamos para entrar no quarto, pois só podíamos visitar de dois em dois. Minha mãe estava feliz com nossa presença e nós felizes por ter dado tudo certo na cirurgia, pois eu estava muito aflita.
 
A médica oficial era muito boa, era bem transparente e sabia o que estava fazendo. Minha mãe teve muitos altos e baixos no hospital, mas ela nunca ficou sozinha em nenhuma visita. Minha tia estava aqui em todas as visitas durante a semana na parte da manhã, já que nós trabalhamos e poderíamos perder o emprego.
 
Durante esses 18 dias de UTI tive mais uma notícia que precisei avisar os familiares.  Essas notícias acabavam comigo. Eu ficava desnorteada, sem saber o que fazer e não sabia o que estava acontecendo. Só queria minha mãe comigo.
 
Visitei ela e a sua situação realmente estava ruim. Minha mãe tinha febre que não abaixava, pressão mais baixa que o normal, taquicardia e respiração sempre em 30.
 
Meu Deus, eu pedia tanto para o senhor tirar minha mãe dessa com saúde, para ajudá-la, para mantê-la forte. Ela tinha era que estar com a gente. Sempre que os médicos davam uma notícia dessas, minha mãe dava a volta por cima e melhorava. Eu agradecia a Deus pela melhora que minha mãe estava tendo.
 
Dia 25/12/2019 foi seu último dia consciente na UTI, lá era onde conversávamos, brincávamos, descontraiamos. No dia 26/12/2019 deixaram minha mãe em coma induzido, foi quando tiveram o diagnóstico. E como demorou para sair esse diagnóstico... Foi confirmado o diagnóstico de Linfoma não hodgkin, um câncer agressivo e em estado avançado. No mesmo dia ela já começou a quimioterapia e, em seguida, hemodiálise. No dia seguinte a médica falou que ela tinha reagido muito bem e que a quimioterapia era sua salvação, mas que estava aguardando outros resultados para fazer uma quimioterapia mais direta.
 
Era triste ver minha mãe naquele estado, mas continuei forte, cheia de fé e cheia de energias positivas.  Continuamos com as visitas todos os dias, sempre cuidando dela, dando carinho, conversando, falando sobre como foi meu dia, mexendo no cabelo dela.
 
Todos os dias foram assim até que no dia 04/01/2020, na visita do período da manhã, a médica disse palavras frias. Ela utilizava o termo "morte" mesmo e isso me assustava. Falou que era para meu irmão e meu pai visitá-la. Ali eu me acabei, chorei em cima da minha mãe, pedi para Deus lhe dar mais força, falei que ela era forte e que não podia nos deixar porque precisamos dela aqui, falei que era pra ela continuar lutando.
 
Voltei para casa arrasada e pedi para meu pai e meu irmão visitá-la naquela noite. Cheguei em casa e almocei, foi quando meu pai me ligou e disse que o hospital havia telefonado pedindo para comparecermos. Fomos até o hospital em desespero, pois já sabíamos que não era notícia boa. Chegando lá foi realmente isso, minha mãe se foi. Foi uma noite de choro e de questionamento.
 
Não sei porque Deus a levou, sabendo que ela era nossa fortaleza. Não acredito que isso esteja realmente acontecendo. Minha mãe tão cheia de vida, sempre alegre, uma pessoa que era cheia de empatia, que deixava de comprar para ela para poder ajudar o próximo, porque Deus iria querer levar uma pessoa assim? Uma pessoa tão boa que perdoava até o que não era perdoado, uma mulher trabalhadora que gostava de ter sua independência financeira, uma mulher que me enche de orgulho, que defendia seus filhos com unhas e dentes, que tratava seu genro como filho e dizia sempre para ele que o tinha como filho.
 
Hoje minha mãe não está fisicamente presente entre nós, mas ela sempre estará presente em minhas memórias e em meus pensamentos, jamais esquecerei a mulher incrível que minha mãe foi. Pensei tantas coisas quando ela se foi. Pensei em jogar muitas coisas para o alto, mas essas coisas eram o sonho da minha mãe em me ver realizando e conquistando meus objetivos. Minha mãe nunca teve inveja ou raiva de nossas escolhas, muito pelo contrário, ela sempre apoiava nossa decisões e dava conselhos. Não me canso de dizer o quanto ela é incrível.
 
Minha mãe só deixou lembranças boas, graças a Deus. Ela nunca nos deixou decepcionados, com raiva, ou qualquer coisa do tipo. Ela só nos deixava orgulhoso da mãe que tínhamos. Como eu amava deixar minha mãe mais bonita do que já era... Eu amava cuidar dela, fazer sua maquiagem, arrumar seu cabelo, tirar fotos suas... Ela era minha modelo... Como eu amava mimar ela... Sempre dava presentinhos para ver um sorriso no seu rosto.
 
Agora vou sempre lembrar-me de como ela era incrivelmente boa, uma mulher guerreira, batalhadora, uma verdadeira heroína que nos deixou saudades, mas isso é um até breve, um dia estaremos juntas novamente. Eu te amo minha rainha e sempre vou te amar. Quanto o seu desejo de eu cuidar do meu pai e meu irmão, pode deixar comigo. Eu vou cuidar da nossa família,  minha velhinha.


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