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  • Bárbara Gomes de Oliveira - Câncer Colorretal
    Ele perdeu a batalha, mas sempre será nosso herói. Te amo pai!
Já faz um tempo que queria escrever neste espaço e compartilhar nossa história, mas sempre que começava a escrever acabava lembrando de tudo e me emocionando, então nunca conseguia terminar. Mas hoje consegui.
 
Bem, perdi meu pai há cerca de oito meses, depois de um ano e cinco meses de muita luta, dor, desafios, obstáculos, momentos difíceis, mas também de muito autoconhecimento e aprendizado.
 
Quem tem algum parente próximo, ou mesmo ente querido, que sofre de câncer sabe o quanto essa doença é terrível, fazendo todos que amam o paciente sofrerem junto com ele. Com minha família não foi diferente. Nessa jornada, ao lado de meu pai, estavam eu, minha mãe e minha irmã. Sempre fomos muito unidos e só podíamos contar um com o outro, pois não temos família na cidade onde moramos.
 
Papai era nossa fortaleza. Aquele tipo de homem a moda antiga: chefe da família, seguro, independente, ativo, que sempre resolvia todos os problemas. Não tinha nada que eu, minha irmã e mamãe temêssemos, pois a gente sabia que o papai estaria lá pra resolver. Cuidava tanto de nós que talvez, tenha sido por isso, que esqueceu de cuidar dele mesmo.
 
Há alguns anos, acho que oito ou sete anos atrás, papai passou a reclamar de umas dores estranhas na barriga. Como ele sempre foi muito comilão, adorava comida gordurosa e carne vermelha, achávamos que essa dor devia ser por causa dos seus excessos a mesa. Mas, mesmo assim, depois de um tempo, ele procurou um médico que lhe passou uma dieta e prescreveu uns antiácidos, afirmando que seu problema devia ser em decorrência de uma gastrite.
 
No entanto, os anos foram passando e volta e meia meu pai se queixava dessa dor, a qual ele passou a chamar de "aquela dor". Com o tempo, a dor foi piorando e chegamos a levá-lo na emergência aqui dos hospitais da cidade, mas sempre os médicos passavam buscopan e o liberavam.
 
É verdade que em uma das últimas vezes, um médico o encaminhou para um gastroenterologista e solicitou alguns exames, mas papai acabou deixando pra lá. Nunca marcou. Com o passar dos anos ele até se acostumou com essa dor.
 
Hoje eu vejo o quanto fomos passivas. Devíamos ter tomado uma atitude naquela época, talvez hoje ele ainda estivesse vivo.
 
Bom, certo dia ele passou muito mal, diferente de como ficava nas outras vezes, nenhum remédio fazia a dor passar. O abdômen começou a inchar, não conseguia comer nada que tinha ameaças de vômito, além de apresentar uma diarreia discreta. O levamos a um pronto socorro aqui na cidade e lá passou a madrugada, comigo junto, mas foi liberado pela manhã.
 
Era um sábado. Voltamos com ele para casa, mas nada dele melhorar. Foi então que, na terça feira, o levamos em outro pronto socorro, onde o atendimento foi bem melhor. Depois de alguns exames, o chefe da cirurgia veio falar conosco e disse que papai tinha que ser operado imediatamente, pois estava com um quadro de obstrução intestinal.
 
Perguntei qual poderia ser a causa dessa obstrução e ele me disse que provavelmente deveria ser por uma torção do próprio intestino, comum em idosos (papai estava com 66 anos). Ouvi, mas tinha um pressentimento de que não era só isso, algo dentro de mim me dizia que a coisa era muito mais grave do que parecia, visto o estado que ele se encontrava.
 
Nos últimos anos, havia emagrecido muito e achávamos que era normal da velhice, mas naquele momento comecei a encaixar as peças. A dor esquisita, o emagrecimento sem causa, e enfim, a obstrução intestinal.
 
Já suspeitava que podia ser aquela doença maldita. A operação correu bem, iniciou às onze da manhã e terminou por volta das cinco da tarde. Logo fomos vê-lo no quarto e notamos que estava usando uma bolsa de colostomia.
 
Sequer sabia da existência disso, nem o que era uma ostomia; a enfermeira nos explicou por alto do que se tratava, mas o que mais nos abalou foi a dor e a revolta que papai estava sentindo por estar mutilado, como ele disse. Foi muito triste.
 
O primeiro golpe que levou dessa doença desgraçada. Na manhã seguinte, o médico veio falar com a gente e foi logo abrindo o jogo: que a colostomia do papai era definitiva e que na cirurgia encontraram um tumor grande no intestino, que tinha sido a causa da obstrução, e que tinha sido mandado para biópsia, mas que com a experiência dele podia afirmar que era câncer e que meu pai tinha menos de dois anos de vida.
 
Uma baita paulada na gente, mas tínhamos que nos manter fortes, pois sabíamos o que íamos enfrentar, pelo menos a gente achava que sabia. A recuperação foi difícil, ele teve complicações pós-cirúrgicas e ficou quase um mês internado. Saiu mais magro do que entrou, parecia um cadáver de tão magro.
 
A ida para casa chegou e o começo foi muito difícil, febres, falta de apetite e uma depressão que se abateu sobre meu pai que chegava a doer em mim. Nunca na vida tinha visto meu pai chorar e agora estava vendo assim: frágil, abatido, derrotado. A operação e a ostomia o abateram tanto, que ele nunca mais andou. Tínhamos que carregá-lo para fazer tudo, nem banho ele tomava mais sozinho.
 
Depois de uns quatro meses, começou a apresentar uma melhora, ganhou um pouco de peso, mas continuava sem andar. Foi quando começou a quimioterapia: oito ciclos ao todo.
 
Passava o dia no quarto, vendo televisão e vez ou outra aceitava receber uma visita. Dávamos banho, preparávamos a comida, levávamos ao hospital para a quimioterapia e consultas. Com o tempo ele passou a ser uma criança que a gente cuidava, sempre fui muito ligada ao meu pai, mas essa situação nos aproximou mais.
 
Pudemos conhecer melhor um ao outro e falar de coisas que antes não tínhamos coragem. Consegui dizer "pai eu te amo" e ele também para mim. Parece que nossos laços se fortaleceram, e de tudo, a única parte boa que ficou para mim foi essa.
 
Sempre conversávamos e, apesar dele não gostar de falar da doença, um dia me confessou que estava com medo do que podia acontecer e eu lhe disse que também estava com muito medo e o abracei, sem dizer mais nada.
 
Um ano e cinco meses se passaram e no dia 10 de julho de 2016, um domingo lindo e ensolarado, papai nos deixou e foi ao encontro de Deus. Faleceu de insuficiência hepática, pois o câncer se espalhou para seu fígado.
 
Até hoje não me conformo, não choro mais como antes, mas ainda sofro muito. Sempre me lembro dele e é inevitável não chorar, pois a saudade dói demais. Daria tudo para vê-lo de novo, abraçá-lo, deitar no seu colo. Hoje ficam só lembranças e a saudade do meu herói.
 
Meu conselho a quem tem um ente amado com câncer é: tenha muita força! E sobretudo, viva o presente, diga tudo que nunca teve coragem de dizer a essa pessoa, dê muito amor, fique a seu lado. Faça ela saber que tem o seu carinho e apoio, pois isso é muito mais importante do que ter um plano de saúde caro.
 
Que Deus dê força a todos os parentes de pacientes com câncer, meu respeito e admiração a todos que ainda estão lutando e também, aos que perderam essa luta.
 
Que Deus abençoe a todos!


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