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  • Amábile Luzia Oliveira da Silva - Tumor Carcinoide Gastrointestinal
    Por incrível que pareça, o câncer uniu ainda mais a minha família.
Primeiro de tudo, peço serenidade a Deus para que eu consiga aqui expressar tudo o que passamos após o diagnóstico de câncer do meu pai. Não estarei fugindo do assunto, apenas é um meio de demonstrar como o câncer também me "curou". 

Casada há 3 anos, sempre quis engravidar, mais parecia algo distante, todos os meses aquela expectativa, foi quando em 26/11/2012 recebi o meu tão sonhado POSITIVO, foi uma festa, cada dia uma alegria e uma sensação diferente, porém quando em 19/12/2012, em uma ultra-som de rotina descobri que o coração do meu bebê já não batia mais, curetagem na hora. 

Desde aquele dia a tristeza se instaurou em mim, entrei em depressão, só chorava, contava os meses e imaginava como estaria meu bebê, minha barriga. Segundo minhas contas, meu bebê nasceria em julho de 2013. 

O tempo foi passando e quanto mais se aproximava de julho maior era minha tristeza, já me via chorando o mês de julho inteiro. 

Foi quando em 28/06/2013 meu irmão, que ainda era solteiro e morava com meus pais, me ligou e disse que havia reparado no lixo do banheiro que havia muitos papéis higiênicos sujos de sangue, questionei minha mãe, a princípio ela relutou, mais acabou confessando que era do meu pai, na ingenuidade deles seria hemorróida. 

Conversei com alguns amigos que trabalham na área de saúde para saber qual o especialista que deveríamos procurar e me orientaram um gastro, assim foi feito. 

Conseguimos uma consulta para o dia 03/07/2013, nesta data lá estávamos, eu, meu irmão, minha mãe e meu pai, super apreensivos. Por questão de respeito ao meu pai, fiquei do lado de fora do consultório (me lembro de na noite anterior ter chorado muito e ter pedido a Deus em oração que iluminasse o médico e que ele fosse preciso no diagnóstico).

Eles entraram para a consulta, o tempo lá fora parecia não passar, uma angústia tremenda, quando por fim, saíram da sala, minha mãe a frente chorando e atrás meu irmão também chorando, Saímos dali, me lembro dos meus pais terem seguido pra casa e eu no carro junto com meu irmão saímos a andar pela cidade aos prantos, choramos tudo o que tínhamos para chorar, para nós, havíamos acabado de receber a sentença de morte do meu pai. 

Iniciamos o tratamento (eu tinha que ser forte, pois meu irmão e minha mãe pareciam não ter estrutura para isso), nos indicaram um especialista em Jaú-SP. Fomos, lá ouvimos tudo o que havíamos ouvido com o primeiro médico, mas ele era o especialista, nos disse que o tumor do meu pai estava com 3 cm e estava localizado há 3 cm do ânus, que a reconstrução seria impossível e que a amputação do reto seria o mais correto, nos orientou a iniciar a rádio e a quimioterapia.

Por uma questão de comodidade optamos por fazer essa parte do tratamento em Marília-SP, por ficar mais próximo de nossa cidade, e assim foi, 28 seções de radioterapia, 10 seções de quimioterapia(meu pai viajava todo dia 80km para fazer o tratamento e por incrível que pareça, dirigindo, sempre acompanhado de minha mãe) e após isso, a cirurgia.

Nesse período, Deus colocou anjos em nossas vidas, no Hospital das Clínicas de Marília só encontramos pessoas dispostas a nos ajudar. Foi nos indicado um cirurgião em Marília mesmo e optamos por ele por sentir mais confiança. 

A cirurgia ocorreu em 11/12/2013, 5 horas de duração, a angustia da espera foi algo indescritível, sabíamos da amputação do reto e que meu pai usaria para sempre bolsinha pra fazer suas necessidades, mas quando o médico terminou a cirurgia e nos disse que havia corrido tudo bem e que havia sim amputado o reto do meu pai, eu e meu irmão chorávamos como crianças. Meu pai não merecia passar por aquilo, ele tinha sempre sido um herói, sofreu tanto na vida para nos dar formação em ensino superior e agora na hora de se aposentar estava passando por isso, não nós não aceitávamos. 

Mas isso não cabia a nós, quem teria ou não que aceitar seria meu pai e isso ele tirou de letra. Desde o primeiro dia quem cuidou dos curativos na "bolsinha" foi ele, sempre ele que fez os procedimentos de limpeza sozinho, foi ai que começamos a nos questionar, quem eramos nós para não aceitar? 

Após a cirurgia, ainda foram mais 20 sessões de quimioterapia e meu pai lá, dirigindo os 160km por dia com minha mãe SEMPRE ao lado dele. 

Hoje, como li em "A culpa é das estrelas" meu pai está em SEC (sem evidência de câncer), pesando 125kg, feliz, mas acho que só chegamos até aqui porque na verdade meu pai (o doente) foi o mais forte de todos. 

Meu irmão e minha mãe emagreceram horrores, eu ao contrário, engordei horrores, mas Deus estava a nossa frente e meu pai nos carregou sem desanimar. 

Sabe o por quê iniciei contanto sobre meu aborto? Porque o câncer do meu pai curou a minha depressão causada pela perca do meu bebê. O câncer nos deu mais força, nos uniu, hoje damos muito mais valor a cada minuto juntos e meu pai nos provou ser um verdadeiro HERÓI. 

Câncer não é uma sentença de morte. Basta a família se unir e um cuidar do outro, pois todos se tornam "doentes", mas juntos podemos ir muito mais além. 

Espero ter contribuído. Obrigada pela chance do desabafo. 

Amábile


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