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Triste não é morrer. Triste é NÃO viver

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 05/07/2016 - Data de atualização: 05/07/2016


"Vou viver, vou morrer, vou viver...”

Um paciente com metástase convive com esse dilema psicológico diariamente. Em um mesmo dia, vem o medo do fim e logo na sequência uma certeza absoluta de que tem muita vida ainda pela frente. A loucura é ainda mais intensa nas semanas de exames. Abrir um papel muda tudo: pode renovar o otimismo, ou testar nossa força.

Em junho, uma amiga abriu os exames de imagem após meses a fio de muita quimioterapia. Lá dizia que o tumor do fígado diminuiu (Vou viver!), mas também mostrava uma nova lesão nos ossos (f*! Vou morrer!). Haja confusão e emoção! "Como assim diminuiu de um lado e aumentou do outro? É pra comemorar? É pra chorar? É pra escolher a música do funeral? Socorro!” Optamos pelo caminho do meio. Rimos dessa doença muito louca, criamos diversas teorias sobre o tumor novo "nada a ver” e, juntas, choramos por não conseguir imaginar o que viria a seguir.

E há quem pense que nossa vida de "doente” é monótona... Chata é sua rotina de casa, trabalho e Facebook kkk.

 

 


Entre um áudio gigante no whatsapp e outro eu e essa irmã de luta sempre refletimos sobre cada sentimento que o câncer nos traz. Impossível conviver com ele sem mergulhar profundo no nosso coração e na nossa alma. Bom, você sabe, morrer não é uma opção, é uma certeza comum a todos os seres humanos. A diferença é que passamos a maior parte da nossa vida fingindo que o nosso futuro é infinito e a morte vai acontecer apenas aos 150 anos velhinhos na cama quente. Lá vai uma notícia: a vida acaba, muitas vezes de forma inesperada. E não importa as milhares de horas que investiu estudando, ou trabalhando, ou os emails que tem pra responder, as metas financeiras que estabeleceu, aquela blusa linda que não usou esperando "a ocasião”, as pendências emocionais. Nada importa. Acho que todos deveriam ter esse encontro com a realidade... pensar no fim abre os olhos para um novo "sentimento” chamado prioridade.

Quando descobri a metástase e comecei a ler sobre "prazo” e "sobrevida” senti como se alguém virasse a ampulheta e eu precisasse correr, correr sem nem saber ao certo pra onde. Olhava para minha sobrinha de 1 ano e pensava "não vou estar na festa de 15 anos dela”. Olhava pra mim e a tristeza cortava o coração "poxa, tenho tanta coisa pra fazer ainda”. Fiz planos para um velório com caipirinha e sertanejão. Comprei um lenço da Louis Vuitton em 12x na certeza de que não precisaria pagar (hahaha bobinha!), dividi meus bens, declarei amor até pra quem eu não amava, tomei vários porres, fiz tatuagem, falei umas verdades engasgadas (nem todas... ainda), fui rebelde, fui boazinha, chorei dois oceanos no colo das amigas, mandei tomar no c* quando deu vontade... e o maluco é que nesse processo à espera do fim descobri que estava sendo muito feliz, como nunca havia sido antes (sério!). 

Os caminhos para quem convive com o câncer são claros: você pode desperdiçar seu tempo remoendo e tentando adivinhar se a vida será curta ou longa ou apenas VIVER esse tempo indefinido que tem. Escolhi viver. Não tem médico, nem estudo, nem Google, nem bula de medicação nenhuma que vá determinar meu tempo... Se for apenas mais um dia pode ter certeza que nessas 24hrs que restam eu vou dar o meu melhor, vou estar inteira e de verdade, mesmo que essa verdade seja carregada de dor (porque viver não é só dizer e postar que está feliz o tempo todo... o nome disso é "aparência”, tô fora!).

Eu não vou ficar aqui dando lição de moral para você "saudável” que tem toooda a vida pela frente, mas optou pelo caminho mais raso e fácil da superficialidade. A vida é feita de escolhas e eu desejo que você não descubra tarde demais que o tempo passa e é hoje que você tem que arriscar e dar o salto no escuro que tanto te assusta (talvez você nunca mais tenha essa oportunidade). Hoje, meu recado vai para aqueles que, como eu, lidam diariamente com o "viver” e "morrer”:

 

 

 

 

Não tenha medo de morrer. Tenha medo de não viver!

 
Se vou ver minha sobrinha fazer 15 anos? Não sei! Mas o que importa? O que eu sei é que HOJE ela estará comigo e eu vou agarrar muito e encher de amor. Porque assim,  na festa de 15 anos a tia AnaMi estará lá, ao lado ou dentro do coração dela!

Bom, depois dos resultados assustadores da tomografia a minha amiga fez um Pet CT e aí descobrimos que apesar de existir uma lesão nova, nenhuma delas tem atividade tumoral. Ela está em remissão. Então dá licença, vamos continuar por aqui gravando áudios gigantescos repletos de reflexões, lágrimas, segredos e risos porque VIDA é que tem pra hoje! E a nossa é cheia de emoção e intensidade hahaha

P.S - Te amo Rê! #tamojunto

Beijos,
AnaMi
Créditos das imagens: Pixabay.com e acervo pessoal

 

 



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