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Tratamentos alternativos para câncer: quais são os riscos?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 12/08/2022 - Data de atualização: 12/08/2022


“Cúrcuma, folha de graviola, bicarbonato com limão, chá de babosa, erva de São João. É muito comum os pacientes chegarem com várias sugestões de tratamentos alternativos para o câncer, que eles ou os parentes recebem através das redes sociais. Mas como profissional, a gente tem que sentar e explicar que são substâncias que não tem estudos clínicos que garantam sua eficácia”, relata dr. Virgílio Souza, médico oncologista. 

O médico trabalha no hospital A.C Camargo de São Paulo e diz que como oncologista, já cansou de ouvir pacientes perguntando sobre chás e outros ingredientes que seriam tão eficazes quanto os tratamentos convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia. Há centenas de grupos nas redes sociais, incluindo vídeos com milhares de visualizações no YouTube, que incentivam o uso dessas substâncias, sem alertar sobre seus riscos. 

“Muitas vezes o paciente acredita que, por ser natural, não vai fazer mal. Entretanto, além de não trazer benefício nenhum, podem ser tóxicos para o fígado e interferir na metabolização de diversos medicamentos que estão sendo utilizados para tratar o câncer”, complementa ele.

Quando a “medicina alternativa” é usada em vez de tratamentos médicos convencionais, ela atrasa o uso de medicamentos que têm eficiência reconhecida e dá tempo para um câncer que seria curável se tornar letal. Estudo da Universidade Yale com cânceres curáveis mostrou que pacientes em terapia alternativa têm 150% mais probabilidade de morrer.

Demora para iniciar a quimio
Em 2016, um estudo feito por cientistas da Universidade Columbia (EUA) e publicado na revista “Jama Oncology”, da Academia Americana de Medicina, mostrou que o uso de medicina alternativa interfere na decisão do paciente em iniciar a quimioterapia. Foi estudado um grupo de 685 mulheres com câncer de mama em estágio inicial. Entre as mulheres para as quais a quimioterapia havia sido indicada pelos médicos, as que estavam utilizando dietas e suplementos tiveram menor probabilidade de iniciar o tratamento quimioterápico. 

“É até esperado que o paciente apareça com essa questão. Desde o diagnóstico até o tratamento, ele se sente bastante fragilizado porque o tratamento é pesado, com diversos efeitos adversos. Por isso a importância da equipe médica manter um diálogo aberto e explicar todos os riscos que estão por trás dessa decisão “, ressalta o dr. Virgílio. 

Casos conhecidos
O apresentador Marcelo Rezende e o cofundador da Apple, Steve Jobs, são bons exemplos de que a busca por um “milagre” para a cura do câncer está presente em todas as classes sociais. Ambos foram diagnosticados com câncer de pâncreas (um tumor extremamente agressivo), mas preferiram se tratar por meio de terapias alternativas a serem submetidos a cirurgia que poderiam postergar sua sobrevida. 

Jobs chegou a abandonar a quimio para fazer dietas restritivas de carboidratos e sucos naturais. Rezende só fez uma sessão de quimioterapia e além da dieta cetogênica, buscou terapias espirituais. 

“O que se sabe é que não há dietas que curem câncer ou melhorem seu prognóstico”, avalia avalia Virgílio. 

Em 2017 foi a vez da “pílula do câncer” (fosfoetanolamina), que causou uma mobilização nacional para ter acesso à substância, que se dizia eficaz contra a doença, mas que nunca foi testada em humanos e nunca foi autorizada para ser usada como medicamento. O ICESP (Instituto do Câncer de São Paulo) começou a fazer estudos com a molécula e dados preliminares não mostraram nenhum benefício. Entretanto, até hoje é vendida na internet pela forma de suplemento alimentar. 

O mais importante, ainda segundo o especialista, é não atrasar ou interromper um tratamento convencional sem avisar o profissional de saúde. Além disso, antes de iniciar o tratamento, é recomendado fazer uma lista com os suplementos, chás, ervas, que esteja tomando ou pretenda tomar, a fim de que seja possível identificar se há algum risco envolvido. 

Mas e as terapias complementares?
É importante não confundir as terapias alternativas com as complementares. As alternativas muitas vezes são utilizadas como substitutas dos tratamentos convencionais estabelecidas por protocolos clínicos. Já as complementares e integrativas são um adicional (não substituem o tratamento original) e são indicadas por profissionais específicos conforme as necessidades de cada caso.

“Dependendo do caso do paciente, nós podemos indicar uma acupuntura, que comprovadamente ajuda a diminuir dores e náuseas. Técnicas de relaxamento para ansiedade e melhora do sono. Mas é um adjuvante”, enfatiza o médico. 

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, de forma integral e gratuita, 29 procedimentos de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) à população, como acupuntura, massagens, meditação, musicoterapia, entre outras. 

De toda forma, sempre converse com seu médico oncologista antes de iniciar um tratamento, mesmo que complementar.

Fonte: Drauzio Varella



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