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Tratamento do Câncer de Bexiga por Estágio

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 07/05/2015 - Data de atualização: 25/06/2018


Na maioria das vezes, o tratamento inicial do câncer de bexiga é baseado no estadiamento clínico do tumor. Outros fatores, como tamanho e grau do tumor, podem também influenciar na escolha do tratamento.

Estágio 0

O câncer de bexiga estágio 0 inclui o carcinoma papilífero não invasivo e o carcinoma plano não  invasivo. Em ambos os casos, o tumor está contido na camada interior da bexiga.

Neste estágio, o câncer de bexiga é frequentemente tratado com ressecção transuretral e pode ser seguido por acompanhamento próximo sem tratamento adicional ou por terapia intravesical para impedir uma recidiva da doença.

Dos tratamentos intravesicais, a imunoterapia com vacina BCG parece ser a melhor opção para evitar uma recidiva. Mas, também tendem a ter mais efeitos colaterais.

Os cânceres de bexiga neste estágio raramente precisam ser tratados com uma cirurgia mais extensa. A cistectomia é considerada apenas quando existem muitos tumores superficiais ou quando um tumor superficial continua a crescer ou parece estar se disseminando apesar do tratamento.

Estágio 0a

Para tumores papilares não invasivos de baixo grau, as opções após a ressecção transuretral incluem o acompanhamento de perto, uma única dose de quimioterapia intravesical geralmente com mitomicina após a cirurgia ou quimioterapia intravesical ou semanal, com início alguns dias após a cirurgia.

Os tumores papilares não invasivos de alto grau são mais propensos a recidivar após o tratamento, por isso muitas vezes, recomenda-se a BCG intravesical após a cirurgia. Outra opção é a quimioterapia intravesical com mitomicina, que normalmente é iniciada algumas semanas após a cirurgia, sendo administrada semanalmente. Uma terceira opção é o acompanhamento próximo sem tratamento intravesical.

Estágio 0is


Para tumores planos não invasivos, a BCG é o tratamento indicado após a cirurgia. Os pacientes com esse tipo de tumor, muitas vezes, recebem 6 aplicações semanais de BCG intravesical, iniciando-se algumas semanas após a ressecção transuretral. Alguns médicos recomendam que o tratamento com BCG seja repetido em intervalos de 3 a 6 meses.

Após o tratamento para qualquer tumor estágio 0 é recomendável o acompanhamento de perto, com cistoscopia com intervalos de 3 a 6 meses, para verificar possíveis sinais de recidiva ou de novos tumores na bexiga.

O prognóstico para pacientes com estágio 0a de câncer de bexiga papilar não invasivo é excelente. Estes cânceres são quase sempre curados com o tratamento correto. Durante o acompanhamento a longo prazo, os tumores mais superficiais são frequentemente diagnosticados na bexiga ou em outras partes do sistema urinário. Embora esses novos tumores precisam ser tratados, eles raramente são invasivos.

O prognóstico a longo prazo para tumores de bexiga plano não invasivo, estágio 0is, não é tão bom como para os cânceres estágio 0a. Estes cânceres têm maior risco de recidivar, e podem  retornar como um tumor mais agressivo, se desenvolvendo nas camadas mais profundas da bexiga ou se disseminando para outros tecidos.

Estágio I


Os tumores de bexiga estágio I cresceram na camada do tecido conjuntivo da parede da bexiga, mas não atingiram a camada muscular.

A ressecção transuretral é normalmente o tratamento inicial para estes tumores. Mais da metade desses pacientes terão um novo câncer de bexiga mais tarde. Em muitos casos, o novo tumor invadirá o músculo da bexiga e estará num estágio mais avançado. Isto é mais provável de acontecer se o primeiro tumor for de alto grau.

Mesmo se o novo tumor for de baixo grau, uma segunda ressecção transuretral pode ser recomendada após algumas semanas. Se o médico considerar que toda a doença foi removida é administrada a BCG intravesical ou mitomicina. Se nem todo o tumor foi retirado, as opções incluem infusão intravesical de BCG ou cistectomia parcial ou total.

Se o tumor é de alto grau, se muitos tumores estão presentes ou se o tumor é muito grande, recomenda-se a cistectomia radical.

Para os pacientes que não podem realizar uma cistectomia, uma opção é administrar a radioterapia, muitas vezes junto com quimioterapia, embora as chances de cura não sejam tão boas.

Estágio II


Estes tumores invadiram a camada muscular da parede da bexiga. A ressecção transuretral é tipicamente o primeiro tratamento para estes tipos de cânceres, mas é realizada para determinar a extensão da doença e não para curá-la.

Quando o tumor invadiu o músculo, o tratamento padrão é a cistectomia radical, com remoção dos gânglios linfáticos próximos da bexiga. Se a doença estiver em apenas uma parte da bexiga, alguns pacientes podem ser tratados com cistectomia parcial.

Embora, neste estágio, as células cancerígenas não sejam encontradas fora da bexiga, em alguns casos, já podem ser minúsculos depósitos de tumores, denominados micrometástases. Por esta razão, muitas vezes, é administrada a quimioterapia antes da cirurgia (quimioterapia neoadjuvante) ou após a cirurgia (quimioterapia adjuvante) para diminuir a chance de metástases.

Muitos médicos preferem administrar a quimioterapia antes da cirurgia, para aumentar a sobrevida. Quando a quimioterapia é administrada inicialmente, a cirurgia é adiada. Isto não é um problema se a quimioterapia provoca a redução do tumor, mas pode ser prejudicial se o tumor continuar crescendo durante a quimioterapia.

Outra opção para alguns pacientes pode ser a ressecção transuretral seguida por radioterapia e quimioterapia. Alguns pacientes podem preferir essa opção por manterem a bexiga, mas não está claro se os resultados são tão bons quanto a cistectomia, por isso nem todos os médicos concordam com esta abordagem. Se este tratamento é realizado, o paciente deve ser acompanhado com exames regulares. Alguns especialistas recomendam uma cistoscopia e uma nova biópsia durante o tratamento com químio e radioterapia. Se o câncer for diagnosticado na biópsia, provavelmente será necessária a cistectomia.

Para pacientes que não podem realizar a cirurgia por outras condições clínicas, a ressecção transuretral, radioterapia, quimioterapia ou alguma combinação desses tratamentos.

Estágio III


Estes cânceres atingiram a parte externa da bexiga e podem ter crescido nos tecidos adjacentes ou outros órgãos.

A ressecção transuretral é realizada para determinar a extensão da doença. O tratamento padrão é a cistectomia radical com a remoção dos gânglios linfáticos próximos. A cistectomia parcial raramente é uma opção para tumores de bexiga estágio III.

A quimioterapia neoadjuvante é muitas vezes administrada antes da cirurgia, para reduzir o tumor, tornando a cirurgia mais fácil. Isto pode ser especialmente útil para tumores T4a, que cresceram fora da bexiga. A quimioterapia também pode destruir as células cancerígenas que já se disseminaram para partes áreas do corpo. Essa abordagem aumenta a sobrevida comparada com a realização da cistectomia isolada. Quando a quimioterapia é administrada inicialmente, a cirurgia para retirar a bexiga é adiada. Esse adiamento não é um problema se a quimioterapia reduzir o tumor, mas pode ser prejudicial se o tumor continuar crescendo durante o tratamento quimioterápico.

Alguns pacientes recebem a quimioterapia após a cirurgia (tratamento adjuvante) para destruir as células cancerígenas remanescentes da cirurgia. A quimioterapia administrada após cistectomia pode aumentar o tempo livre de doença, mas ainda não está claro se isso aumenta a sobrevida.

Alguns pacientes com tumores pequenos e individuais podem ser tratados com uma ressecção transuretral, seguida por uma combinação de quimioterapia e radioterapia. Se isso não for bem sucedido e o câncer for encontrado quando a cistoscopia é repetida, pode ser necessária a realização de uma cistectomia.

Para os pacientes que não podem realizar uma cirurgia por outras condições clínicas, as opções de tratamento podem incluir ressecção transuretral, radioterapia quimioterapia, imunoterapia ou alguma combinação desses tratamentos.

Estágio IV

Estes cânceres atingiram a parede abdominal ou pélvica ou se disseminaram para os nódulos linfáticos.

Neste estágio, na maioria dos casos a cirurgia, mesmo a cistectomia radical, não remove toda a doença, uma vez que esses tumores são mais difíceis de serem tratados. Geralmente, o objetivo do tratamento é desacelerar o crescimento do tumor e a disseminação da doença para aumentar a sobrevida do paciente. Se você e seu médico discutirem a cirurgia como uma opção de tratamento, procure entender se o objetivo é para tentar curar o câncer, para ajudá-lo a viver mais tempo ou para prevenir ou aliviar os sintomas da doença, antes de decidir pelo tratamento.

Para os cânceres de bexiga estágio IV que não se disseminaram para outros órgãos, a quimioterapia, com ou sem radioterapia, é geralmente o primeiro tratamento. Se o tumor diminuir em resposta ao tratamento, uma cistectomia pode ser a opção seguinte. Os pacientes que não toleram a quimioterapia, devido a outros problemas de saúde, são muitas vezes tratados com radioterapia ou com imunoterapia, com atezolizumabe ou pembrolizumabe.

Para tumores de bexiga estágio IV, que se disseminaram para outras partes do corpo, a quimioterapia é geralmente o primeiro tratamento, às vezes junto com radioterapia. Os pacientes que não toleram a quimioterapia, devido a outros problemas de saúde, são muitas vezes tratados com radioterapia ou com um imunoterápico, como atezolizumabe ou pembrolizumabe. Um desvio urinário sem cistectomia às vezes é realizado para prevenir ou aliviar um bloqueio de urina que poderia causar importantes danos renais.

Como é improvável curar esses tipos de câncer, deve ser considerada a participação em um estudo clínico, que podem oferecer acesso a novas formas de tratamento.

Recidiva

A recidiva pode ser local ou à distância. O prognóstico e tratamento da recidiva do câncer de bexiga depende da localização e extensão da doença e dos tratamentos já realizados. Se o tumor continua crescendo durante o tratamento ou recidiva, a continuação do tratamento dependerá da extensão do tumor, dos tratamentos anteriores, do estado de saúde geral do paciente e de sua vontade em fazer novos tratamentos.

Os cânceres que recidivam em outras partes do corpo pode ser mais difíceis de serem removidos cirurgicamente, podendo necessitar de outros tratamentos, como quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia.

Em algum momento, pode se tornar claro que os tratamentos convencionais não controlam mais a doença. É quando o paciente pode considerar a participação em um estudo clínico com novos medicamentos.

Fonte: American Cancer Society (18/05/2017)


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