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Terapia Medicamentosa para Mieloma Múltiplo

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 28/06/2015 - Data de atualização: 14/05/2018


As principais terapias químicas para tratamento do mieloma múltiplo podem incluir:

Quimioterapia


A quimioterapia utiliza medicamentos anticancerígenos para destruir as células tumorais. Por ser um tratamento sistêmico, a quimioterapia atinge não somente as células cancerígenas como também as células sadias do organismo. De forma geral, a quimioterapia é administrada por via venosa, embora alguns quimioterápicos possam ser administrados por via oral.

Os medicamentos quimioterápicos utilizados no tratamento do mieloma múltiplo são:

  • Melfalano.
  • Vincristina.
  • Ciclofosfamida.
  • Etoposide.
  • Doxorrubicina.
  • Doxorrubicina Liposomal.
  • Bendamustina.

As combinações destes medicamentos são mais eficazes do que qualquer um deles usado isoladamente. Às vezes, estes fármacos são combinados com outros tipos de drogas, como os corticosteroides ou agentes imunomoduladores. Se um transplante de medula óssea estiver programado, determinados medicamentos, como o melfalano, serão evitados, porque podem causar danos à medula óssea.

Efeitos colaterais da quimioterapia. Os quimioterápicos não só atacam as células cancerosas, mas também algumas células normais (tratamento sistêmico), o que pode levar a efeitos colaterais. Os efeitos colaterais dependem do tipo de medicamento, da dose administrada e da duração do tratamento. Os efeitos colaterais comuns à maioria das drogas quimioterápicas podem incluir:

  • Perda de cabelo.
  • Inflamações na boca.
  • Perda de apetite.
  • Náuseas e vômitos.
  • Diminuição das taxas sanguíneas.
  • Infecções, devido a diminuição dos glóbulos brancos.
  • Trombocitopenia, devido a diminuição das plaquetas.
  • Anemia, devido a diminuição a diminuição dos glóbulos vermelhos.

A maioria dos efeitos colaterais é temporária e desaparece após o término do tratamento.

Se você apresentar qualquer efeitos colaterais, entre em contato com seu médico, imediatamente, para que ele possa prescrever medicações para aliviá-los.

Além desses efeitos colaterais temporários, alguns medicamentos quimioterápicos podem danificar permanentemente determinados órgãos, como o coração ou os rins. Os possíveis riscos desses medicamentos são cuidadosamente balanceados contra seus benefícios, e a função desses órgãos e cuidadosamente monitorados durante o tratamento. Se ocorrerem danos importantes aos órgãos, o tratamento é interrompido e o medicamento quimioterápico às vezes substituído por outro.

Corticosteroides

Os corticosteroides, como dexametasona e prednisona, são uma parte importante do tratamento do mieloma múltiplo e podem ser utilizados sozinhos ou combinados com outras drogas. Os corticosteroides também ajudam a diminuir sintomas, como náuseas e vômitos, causados pela quimioterapia.

Efeitos colaterais dos corticosteroides. Os efeitos colaterais comuns desses medicamentos incluem:

  • Hiperglicemia.
  • Aumento de apetite e ganho de peso.
  • Problemas do sono.
  • Alterações no humor.

Quando utilizados por um longo tempo, os corticosteroides suprimem o sistema imunológico, levando a um aumento do risco de infecções. Os esteroides também podem enfraquecer os ossos. A maioria destes efeitos desaparece com o término do tratamento.

Agentes Imunomoduladores

A forma como agentes imunomoduladores afetam o sistema imunológico não é clara. Três agentes imunomoduladores são utilizados no tratamento de mieloma múltiplo. A talidomida, que foi o primeiro medicamento desenvolvido provocou defeitos congênitos importantes quando administrado durante a gravidez. Como os outros agentes imunomoduladores estão relacionados com a talidomida, existe a preocupação de que, também, possam causar defeitos congênitos. Por essa razão, esses medicamentos só são fornecidos através de um programa especial gerenciado pela empresa farmacêutica que os produz.

Como esses medicamentos podem aumentar o risco de coágulos sanguíneos, muitas vezes, são administrados junto com aspirina ou um anticoagulante.

  • Talidomida. Já foi usada como sedativo, até ser descoberto que causava defeitos congênitos e foi retirada do mercado. Posteriormente, foi novamente disponibilizada como um tratamento para o mieloma múltiplo. Os efeitos colaterais da talidomida incluem sonolência, fadiga, constipação e neuropatia. Existe também um risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos.

  • Lenalidomida. É um medicamento novo similar à talidomida, que apresenta bons resultados para o mieloma múltiplo. Os efeitos colaterais mais comuns da lenalidomida são trombocitopenia e diminuição dos glóbulos brancos do sangue. Ela também pode causar danos aos nervos. O risco de formação de coágulos de sangue não é tão elevado como o observado com a talidomida, mas ainda assim é alto. Em pacientes com doença em remissão após um transplante de medula óssea ou do tratamento inicial, a lenalidomida pode ser administrada como tratamento de manutenção para prolongar a remissão.

  • Pomalidomida. Esse medicamento, também, está relacionado com a talidomida no tratamento do mieloma múltiplo. Alguns efeitos colaterais comuns incluem diminuição das taxas sanguíneas. O risco de neuropatia não é tão importante como com outros fármacos imunomoduladores, mas também está associado a um risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos.

Inibidores do Proteassoma

Os inibidores do proteassoma freiam os complexos enzimáticos (proteassomas) nas células quebrando proteínas importantes para manter a divisão celular sob controle. Eles parecem afetar células tumorais mais do que as células normais.

  • Bortezomib. O bortezomib é muitas vezes utilizado para tratar o mieloma múltiplo. É administrado via intravenosa ou subcutânea, uma ou duas vezes por semana. Os efeitos colaterais deste medicamento incluem náuseas, vômitos, cansaço, diarreia, constipação, diminuição das taxas sanguíneas, febre, diminuição do apetite, hematomas, hemorragias e infeções. Bortezomib também pode causar neuropatia periférica, que causa problemas de dormência, formigamento ou até mesmo dor nas mãos e nos pés. Em pacientes com doença em remissão após um transplante de medula óssea ou do tratamento inicial, o bortezomib também pode ser administrado como tratamento de manutenção para prolongar a remissão.

  • Carfilzomibe. É um novo inibidor do proteassoma para tratamento do mieloma múltiplo em pacientes que já foram tratados com outros medicamentos que não responderam. É administrado por via intravenosa, geralmente em um ciclo de 4 semanas. Para evitar problemas como reações alérgicas durante a infusão, a dexametasona é muitas vezes administrada antes de cada dose no primeiro ciclo. Os efeitos colaterais incluem reação alérgica, náuseas, cansaço, vômitos, diarreia, febre, falta de ar, diminuição das taxas sanguíneas, hematomas, hemorragias, aumento do risco de infecção, problemas cardíacos e insuficiência renal ou hepática.

  • Ixazomib. É um inibidor de proteassoma administrado por via oral, uma vez por semana, durante 3 semanas, seguida de uma semana de folga. Os efeitos colaterais incluem náuseas e vômitos, diarreia, constipação, inchaço nas mãos ou pés, dor nas costas, hematomas, hemorragia e neuropatia periférica.

Inibidores de histona-desacetilase


Inibidores de histona-desacetilase são um grupo de medicamentos que podem afetar os genes ativos no interior das células, por meio da interação com proteínas cromossômicas denominadas histonas.

  • Panobinostate. É um inibidor de histona-desacetilase que pode ser utilizado no tratamento de pacientes que já foram tratados com bortezomib e um agente imunomodulador. É administrado via oral, 3 vezes por semana durante 2 semanas, seguido por uma semana de descanso. Os efeitos colaterais incluem diarreia, sensação de cansaço, náuseas, vômitos, perda de apetite, inchaço nos braços ou pernas, febre e fraqueza. Esse medicamento, também, pode afetar as taxas sanguíneas e o nível de determinados minerais no sangue. Outros efeitos colaterais menos comuns podem incluir hemorragia, lesão hepática e arritmias cardíacas.

Anticorpos Monoclonais


Os anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunológico do corpo para combater as infecções. Os anticorpos monoclonais são versões produzidas para atacar um alvo específico, como as proteínas na superfície das células do mieloma.

  • Daratumumab. É um anticorpo monoclonal que se liga à proteína CD38, encontrada nas células do mieloma, destruindo as células cancerígenas e ajudando o sistema imunológico a atacá-las. É administrado por via intravenosa. Este medicamento pode causar reação em alguns pacientes enquanto está sendo administrado ou poucas horas após a injeção. Os sintomas podem incluir tosse, chiado no peito, dificuldade respiratória, aperto na garganta, nariz escorrendo ou entupido, tonturas ou vertigens, dor de cabeça, erupção cutânea e náusea. Outros efeitos colaterais podem incluir fadiga, náusea, dor nas costas, febre, tosse, risco de infecções, hemorragia e hematomas.

  • Elotuzumabe. É um anticorpo monoclonal que se liga à proteína SLAMF7, encontrada nas células do mieloma, ajudando o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas. É administrado por via intravenosa. Este medicamento pode causar reação em alguns pacientes enquanto está sendo administrado ou poucas horas após a injeção. Os sintomas podem incluir febre, calafrios, tonturas ou vertigens, erupção cutânea, chiado no peito, dificuldade respiratória, aperto na garganta ou nariz escorrendo ou entupido. Os efeitos colaterais incluem fadiga, febre, perda de apetite, diarreia, constipação, tosse, neuropatia periférica, infecções do trato respiratório superior e pneumonia.

Usando Combinações de Medicamentos

Estes medicamentos podem ser usados sozinhos ou em combinação. Muitas vezes, diferentes medicamentos são combinados para o tratamento, por exemplo:

  • Lenalidomida (ou pomalidomida ou talidomida) e dexametasona.
  • Carfilzomib (ou ixazomib ou borezomib), lenalidomida e dexametasona.
  • Bortezomib (ou carfilzomibe), ciclofosfamida e dexametasona.
  • Elotuzumabe (ou daratumumab), lenalidomida e dexametasona.
  • Bortezomib, doxorrubicina lipossomal e dexametasona.
  • Panobinostate, borezomib e dexametasona.
  • Elotuzumabe, bortezomib e dexametasona
  • Melfalano e prednisona, com ou sem talidomida ou borezomib.
  • Vincristina, doxorubicina e dexametasona.
  • Dexametasona, ciclofosfamida, etoposídeo e cisplatina.
  • Dexametasona, talidomida, cisplatina, doxorubicina, ciclofosfamida e etoposídeo com ou sem bortezomib.

A escolha e a dose administrada dependerão de alguns fatores, como estadiamento da doença, idade e função renal do paciente. Se o transplante de células tronco está programado, a maioria dos médicos evita o uso do melfalano, que pode provocar danos à medula óssea.

Bisfosfonatos para Doença Óssea

As células do mieloma podem provocar enfraquecimento e fratura dos ossos. Os bisfosfonatos podem ajudar os ossos a se manterem fortes, uma vez que diminuem a velocidade desse processo.

Os bisfosfonatos padrões utilizados no tratamento dos problemas ósseos dos pacientes com mieloma são o pamidronato, ácido zoledrônico e denosumabe. Estes medicamentos são administrados por via intravenosa inicialmente de forma mensal, podendo se reduzir o intervalo de administração se houver uma boa resposta. O tratamento com bisfosfonatos evita danos ósseos principalmente em pacientes com mieloma múltiplo.

Um efeito colateral raro, mas grave dos bisfosfonatos é a osteonecrose de mandíbula. Não se sabe ao certo porque isso acontece, portanto a melhor opção é preveni-la. O único fator que parece aumentar o risco osteonecrose é a cirurgia da mandíbula ou a remoção de um dente. Portanto, estes procedimentos devem ser evitados enquanto o paciente está em tratamento com bisfosfonatos. Muitos médicos recomendam que os pacientes façam um check-up dentário antes de iniciar o tratamento. Se a osteonecrose de mandíbula ocorrer, o tratamento deve ser interrompido.

Uma maneira de evitar esses procedimentos odontológicos é manter uma boa higiene bucal com uso do fio dental e uma boa escovação, além de exames dentários regulares. Qualquer dente ou infecção gengival devem ser imediatamente tratados. Obturações dentárias, procedimentos de canal e coroas de dentes não parecem levar a osteonecrose de mandíbula.

Para saber se o medicamento que você está usando está aprovado pela ANVISA acesse nosso conteúdo sobre Medicamentos ANVISA

Fonte: American Cancer Society (28/02/2018)


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