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Sobre viver com metástase...

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 29/03/2016 - Data de atualização: 31/03/2016


Pra começar, queria dizer que tô achando chic essa nova função na vida "colunista do Oncoguia”. Afff... Emoção!!! É tipo escrever na Veja do mundo oncológico. Muita responsabilidade envolvida e eu espero que alguém, de alguma forma, se identifique com meu jeitinho nada convencional de ver essa doença lazarenta.
 
Se você curte um drama oncológico, nem continue a leitura. Eu não trato o câncer como um "Senhor” a quem devo respeito. Trato-o como um penetra mal-educado e traiçoeiro que até o momento não entendo o que faz por aqui neste corpinho lindo. Antes que você comece a pensar em todas as ladainhas de autoajuda, não estou em negação. É a realidade. Câncer nunca será a estrela principal da minha existência. Ele é só um intrometido com quem, infelizmente, tenho que conviver...
 
Claro, nesse primeiro artigo não posso deixar de contar como foi que cheguei até aqui, afinal, se tem uma coisa que paciente oncológico gosta é de saber as datas e nomes dos diagnósticos. Quando se fala em metástase então... A cabecinha já começa a fazer contas: "poxa ela tá viva há x anos” rsrs... Eita mania de comparar casos!
 
Bom, foi assim: em 2011, aos 28 anos, recém-casada e vivendo o que eu considerava o auge da vida pessoal e profissional, descobri que estava com câncer de mama. Tumor de 5 cm, ductal invasivo, triplo positivo e no seio direito. "Como assim câncer de mama aos 28 anos? Não tenho casos na família! Sou magra, sem vícios, feliz. Como é possível?”

Sim meus caros, é raro (segundo o INCA), mas é possível.  De brinde com o diagnóstico veio o pacote completo do estrago: mastectomia, quimioterapia, radioterapia, terapia monoclonal e por fim a hormonioterapia.  Durante alguns meses parei de trabalhar, tive medo de fazer planos, tentei driblar a mistura bombástica para autoestima de "marido jovem” e "peso da doença e na balança”, ri da situação, chorei de dor, questionei Deus e o Universo...  Foi como se me tirassem aquela certeza que vem incrustada na mente desde o nascimento: "temos todo tempo do mundo”.  Me sentia suspensa no ar. Sendo levada de um canto a outro. "Hoje tem químio, hoje tem onco, hoje vão tirar seu peito fora!  Anda, sorria, você está viva! Guerreira! ”
 
Ao invés de seguir à risca a cartilha do "doente, coitada” e chorar pelo que parecia o fim, decidi fazer piada com a doença no meu blog, inicialmente criado apenas para compartilhar dicas de decoração. Para minha surpresa, ao dividir de maneira leve e divertida as dores e delícias do tratamento, acabei inspirando não só pacientes oncológicos e familiares, mas também homens e mulheres que não conseguem ver bom humor nas tragédias da vida.  Não significa que eu seja a "guerreira" princesa Xena que todos exigem. Muito pelo contrário, eu vivo intensamente cada dor. Mas, aprendi a sofrer apenas o suficiente para que a felicidade tenha significado. E assim foi o tratamento: Vivi, sofri, chorei, sorri e passou... A vida seguiu, a página virou, o câncer ficou no passado. Se não fosse pela cicatriz enorme no peito, nem lembraria desse episódio "zero glamour” da minha vida.
 
E, quando ele já estava bem no fundo da memória, descobri uma outra dor: a do coração partido. Essa sim me dilacerou por dentro, tirou meu chão. E foi nesse cenário pavoroso de separação que, em maio de 2015, descobri mais uma vez que estava doente.
 
Acho que ele é um F$%#*, traidor e ingrato! O ex? Não… Calma! Me refiro ao fígado que tratei com tanto carinho e Cabernet Sauvignon. Vodka, só importada. Espumante, só prosecco daqueles que fazem cosquinha na boca. Gordura? Sempre evitei… E como ele retribui? Com dois nódulos neoplásicos: um de 5,7cm e outro de 1cm.

E assim, dá-lhe quimioterapia. Já fiz mais de 20 sessões e o PET-CT diz que não existe tumor em atividade. Comemorei ficando bêbada pra mostrar para o fígado quem é que manda nessa bagaça (Tô brincando... Mentira, não tô! Desculpa Dr. rsrsrs).
 
Hoje estou aprendendo a lidar com todo esse universo paralelo da METÁSTASE.

Ter câncer é uma b@$%*. Ter metástase é o Rio Tietê inteiro...

Eita palavra medonha que assusta... E aqui vai o primeiro e valioso conselho de alguém que lida com o câncer metastático há 1 ano: NÃO DÊ GOOGLE.  Sérião gente! Peguei ódio de estatística.  As pessoas não entendem o câncer metastático, ele não significa sentença de morte fulminante. No meu caso, significa apenas que, diante do que a medicina oferece hoje, terei compromisso com exames de controle e medicações. Como um diabético, hipertenso ou cardiopata. Posso morrer de câncer, atropelada, de choque elétrico, de ataque do coração... Mas senta que eu vou te dar uma notícia: QUEM É SAUDÁVEL TAMBÉM! Então vamos ao clichê: QUEM É QUE SABE O DIA DE AMANHÃ?

Não estou aqui para minimizar a sua dor... Sei que é um "baralho” ter um câncer metastático cafungando no cangote.  Mas, nesse complexo e doloroso universo, descobri que vencer o câncer é saber viver muito bem com ele. Como disse lá no início, o câncer não é a estrela principal da minha vida. Aqui só tem espaço pra uma única protagonista: EU! E por isso, tento tratá-lo com a leveza que a situação precisa. Metástase de mama é uma doença crônica, fato. Você pode chorar, espernear, ter todos os chiliques do mundo mas, por enquanto, isso não vai mudar que-ri-da. E aí vem a escolha: Você se entrega e deixa o câncer ser o centro da sua vida, ou você VIVE. Eu escolhi viver... todo dia. Tô fazendo minha parte e dando toda a motivação que meu organismo precisa pra lutar por mim.  E por isso acho que venço esse bandido cada vez que respiro. Que delícia que é respirar! Viu só, é possível ver poesia mesmo no meio dessa bagunça toda.

E é sobre isso que quero escrever por aqui. Existe VIDA após o diagnóstico de metástase. Digo mais, existe uma vida com MUITO MAIS SIGNIFICADO.

Te vejo por aqui em breve! Como sempre digo para meus amigos: o fígado tá estragadinho, a boca é suja, mas o coração é bom ;)
 
Um beijo,
AnaMi



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