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Remédio é só parte do tratamento, diz ex-ministro

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 09/12/2020 - Data de atualização: 09/12/2020


As dificuldades para combater o melanoma não são específicas desse tipo de câncer, e sim do sistema de saúde como um todo, resumiu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich ao integrar a segunda mesa do seminário da Folha. O grande problema, disse Teich, é como equacionar os recursos num cenário complexo como o brasileiro.

“O Brasil é um país continental, heterogêneo, desigual, e garantir que cada cidadão vai ser tratado da mesma forma é um desafio enorme.”

Nessa sociedade desigual, afirmou Teich, é preciso ficar atento para que o “enorme” poder da rede de saúde não beneficie um número cada vez menor de pessoas, uma vez que financiamento e acesso vão ficando cada vez mais difíceis quanto mais caro e complexo for o tratamento.

“O problema da oncologia é que não adianta tratar uma ponta dela, fazer um superprograma de diagnóstico do melanoma se não consigo operar, se não tenho remédio para tratar. Não adianta incorporar um remédio no SUS que existe na teoria e não existe na prática”, declarou.

A oncologia, disse Teich, requer a criação de uma linha de cuidado que engloba prevenção, capacidade de diagnóstico precoce, cirurgiões competentes e tratamento sistêmico. “Como os recursos são finitos, a incorporação de um medicamento caro pelo SUS significa ter que realocar verba de outra área, por exemplo, a de acesso à cirurgia. Remédio é só parte do tratamento.”

Segundo dados apresentados por Teich, o orçamento do SUS prevê um gasto anual de R$ 2.100 por pessoa. Nos EUA, são R$ 67 mil, e no Reino Unido, cujo sistema público é uma referência mundial, cerca de R$ 22 mil.

Para otimizar os recursos, o gestor, sobretudo o da rede pública, deve planejar não só quanto vai gastar com cada doença, mas em cada procedimento e tipo de cuidado disponíveis. “Por exemplo, se os diagnósticos estão acontecendo com quadro mais avançado, é preciso investir em diagnóstico precoce. Em alguns casos, o investimento nisso salvaria mais vidas do que o gasto com um remédio.”

Rafael Schmerling, integrante da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, concorda. O oncologista afirmou que um exame físico ou com anestesia local, os diagnósticos considerados mais simples, podem garantir chance maior de cura do que o tratamento com medicamentos de alto custo em estágios avançados do câncer.

Schmerling defende mais investimento em diagnóstico precoce, que significa, na prática, colocar mais recursos em campanhas de conscientização, treinamentos dos profissionais na atenção básica, serviço de patologia de qualidade, entre outros.

Os três debatedores destacaram a importância de ter informações corretas e atualizadas para fundamentar as decisões. A falta delas, observou Schmerling, torna o debate muito pouco frutífero. “Falta algo essencial, que é o número. Não sabemos o número correto de pacientes com melanoma no Brasil. A gente imagina que deva ser o triplo do número estimado pelo Instituto Nacional do Câncer.”

Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, que trabalhou pela incorporação de imunoterápicos ao SUS, mencionou também as diferenças regionais de acesso à informação e de diagnóstico precoce —ainda menores nas zonas rurais ou no Norte e Nordeste—, que dificultam o combate.

A ativista defendeu a adesão da rede pública às novas tecnologias de tratamento, afirmando que, quando se fala de custo, é preciso considerar também o dinheiro “desperdiçado” com tratamentos antigos e ultrapassados.

“Tanto a terapia-alvo quanto a imunoterapia possibilitam a cura na maioria dos casos. A imunoterapia já está aí há seis, oito anos. Quantas vidas perdemos porque esses pacientes não tiveram acesso a essas tecnologias?”

Marlene é cética quanto ao prazo de 180 dias previsto para que a rede pública passe a fornecer aos pacientes os imunoterápicos incorporados no mês de agosto. “Esse prazo não é obedecido em um cenário normal, imagina na pandemia.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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