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Radioterapia para Câncer de Mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 06/10/2014 - Data de atualização: 22/06/2017


O tratamento radioterápico utiliza radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam um tumor. Existem vários tipos de radiação, porém as mais utilizadas são as eletromagnéticas (Raios X ou Raios gama) e os elétrons (disponíveis em aceleradores lineares de alta energia).

Existem dois tipos principais de radioterapia que podem ser usados para tratar o câncer de mama:

  • Radioterapia externa
  • Radioterapia interna ou braquiterapia.

Nem todas as mulheres com câncer de mama têm indicação de radioterapia. A radioterapia pode ser realizada nas seguintes situações:

  • Após a cirurgia conservadora da mama, para diminuir a chance da recidiva na mama ou nos linfonodos próximos.
  • Após uma mastectomia, especialmente se o tumor tinha mais que 5 cm de diâmetro ou se estava nos linfonodos.
  • Se o tumor estava disseminado para outros órgãos, como ossos ou cérebro.

Radioterapia Externa

A radioterapia externa ou convencional é o tipo mais comum para tratar o câncer de mama. Este tratamento consiste em irradiar o órgão alvo com doses fracionadas. A paciente não sente nada durante a aplicação, que dura apenas alguns minutos por dia.

As áreas que devem ser irradiadas dependem do tipo de cirurgia realizada (mastectomia ou cirurgia conservadora da mama) e se os linfonodos estavam (ou não) comprometidos:

  • Se a paciente fez mastectomia e nenhum linfonodo estava comprometido, será irradiada a parede torácica e os locais de saída dos drenos.
  • Se a paciente fez a cirurgia conservadora da mama, será irradiada toda a mama para evitar uma recidiva nessa região.
  • Se foi diagnosticado câncer nos linfonodos axilares, essa área também é irradiada. Em alguns casos, a área tratada também pode incluir os linfonodos supraclaviculares e os linfonodos mamários internos.

A radioterapia é administrada 5 vezes por semana (segunda a sexta-feira) por cerca de 5 a 6 semanas. Mas recentemente novas modalidades vêm permitindo diminuir o número de dias de aplicação (hipofracionamento) para dar doses maiores por um período mais curto. Existem diferentes tipos de irradiação de mama acelerada:

  • Radioterapia Hipofracionada. Nesta abordagem, a radioterapia é administrada em altas doses tipicamente por apenas 3 semanas. Em mulheres tratadas com cirurgia conservadora da mama e sem doença nos linfonodos axilares, este esquema é tão promissor em evitar a recidiva quanto um tratamento de 5 semanas. O que também pode levar a menos efeitos colaterais a curto prazo. Numa abordagem mais nova que está sendo estudada, doses maiores de radiação são administradas a cada dia, mas o ciclo da radiação é reduzido para apenas 5 dias.

  • Radioterapia Intraoperatória. Nesta abordagem, uma única alta dose de radiação é administrada na sala cirúrgica logo após a cirurgia conservadora da mama. Esta técnica requer equipamentos especiais e não está amplamente disponível.

  • Radioterapia Conformacional 3D. Nesta técnica, a radioterapia é administrada com equipamentos especiais, direcionada para a área do tumor. Isso permite que mais mama saudável seja poupada. Os tratamentos são administrados duas vezes ao dia durante 5 dias. Como apenas uma parte da mama é tratada, é considerada uma forma de irradiação parcial acelerada de mama.

Os pesquisadores esperam que essas abordagens se tornem pelo menos iguais aos métodos de radioterapia atuais, mas poucos estudos os compararam diretamente à radioterapia padrão. Não se sabe se todos os métodos mais recentes terão os mesmos resultados a longo prazo, portanto, nem todos os médicos estão utilizando essas novas abordagens.

Possíveis Efeitos Colaterais da Radioterapia Externa

Os principais efeitos colaterais a curto prazo da radioterapia com feixe externo para câncer de mama são:

  • Inchaço e sensação de peso na mama.
  • Alterações na pele na área irradiada.
  • Fadiga.

As alterações da pele podem variar de vermelhidão leve a bolhas e descamação. A maioria das alterações na pele melhoram em alguns meses. Algumas alterações no tecido mamário geralmente desaparecem em 6 a 12 meses, mas podem eventualmente levar mais tempo.

A radioterapia com feixe externo também pode provocar efeitos colaterais tardios:

  • Algumas mulheres podem sentir que a radioterapia torna a mama menor e mais firme.
  • A radioterapia pode influenciar nas suas opções de reconstrução mamária. Também pode aumentar o risco de problemas se for administrada após a reconstrução, principalmente de forem utilizados retalhos cutâneos.
  • As mulheres que fizeram radioterapia mamária podem ter problemas para amamentar mais tarde.
  • A radioterapia da mama pode danificar alguns nervos da região do braço. Isso é denominado plexopatia braquial, que pode provocar dor e fraqueza no ombro, braço e mão.
  • A radioterapia dos linfonodos axilares pode provocar linfedema.
  • Em casos raros, a radioterapia pode provocar enfraquecimento das costelas, o que pode levar a fraturas.
  • Antigamente, algumas partes dos pulmões e do coração eram mais propensas a receber alguma radiação, o que poderia levar a danos a longo prazo desses órgãos em algumas mulheres. Entretanto equipamentos modernos de radioterapia permitem um melhor direcionamento dos feixes de radiação, então esses problemas são raros hoje.
  • Uma complicação rara da radioterapia da mama é o desenvolvimento do angiossarcoma. Esses cânceres são raros e podem crescer e se disseminar rapidamente.

Braquiterapia

Braquiterapia ou radioterapia interna é outra forma de administrar a radioterapia. Esse técnica consiste na inserção do material radioativo dentro ou próximo ao órgão a ser tratado. Para isso são utilizados fontes radioativas específicas, pequenas e de diferentes formas por meio de guias denominadas cateteres ou sondas.

Existem diferentes tipos de braquiterapia:

  • Braquiterapia Intersticial. Nessa abordagem, vários cateteres com material radioativo são inseridos na mama em torno da área em que o tumor foi retirado e deixados por alguns dias para liberar a dose necessária para o tratamento. Este método de braquiterapia não é mais usado.

  • Braquiterapia Intracavitária. Este é o tipo mais comum de braquiterapia para pacientes com câncer de mama. Existem vários tipos diferentes de dispositivos que podem ser usados, incluindo MammoSite, SAVI, Axxent e Contura. Os tratamentos geralmente são administrados duas vezes ao dia, durante 5 dias com a paciente em regime ambulatorial.

Possíveis Efeitos Colaterais da Braquiterapia

Assim como na radioterapia externa, a braquiterapia intracavitária pode ter efeitos colaterais, incluindo:

  • Vermelhidão.
  • Contusões.
  • Dor mamária.
  • Infecção.
  • Lesão de uma área de tecido adiposo na mama.
  • Fratura de costelas em casos raros.

Fonte: American Cancer Society (18/08/2016)


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