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Preparação das Amostras para Análise após a Cirurgia

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/04/2015 - Data de atualização: 02/04/2015


Existem procedimentos padrão e métodos que são utilizados na preparação, de quase todos os tipos de amostras de biópsia, para utilização pelo patologista. Outros processos, descritos abaixo, também pode ser realizados em determinados tipos de amostras, como por exemplo, gânglios linfáticos e medula óssea.

Processamento Histológico de Biópsia de Rotina


Após a coleta, a amostra da biópsia é colocada num recipiente com formalina (uma mistura de água e formaldeído) ou alguma outra substância para preservação. Esse recipiente é rotulado com o nome do paciente e outras informações de identificação (por exemplo, local e data de nascimento), localização anatômica da biópsia e, em seguida, é enviado para o laboratório de patologia junto com a solicitação de análise da biópsia. Esta solicitação também identifica o médico solicitante, data da realização da biópsia,  informações sobre os sintomas do paciente, outros resultados anormais encontrados, e que tipo de doença o médico suspeita dessa amostra.

No laboratório, o patologista ou um assistente realiza inicialmente o exame macroscópico, que consiste em observar a amostra, medi-la, descrever sua cor e apalpar sua consistência. Em alguns casos, a equipe do laboratório pode até tirar uma foto da amostra como parte do registro. O exame macroscópico é importante, porque, possibilita ao patologista identificar características que sugerem o câncer e o ajudam a decidir quais partes da amostra são as melhores para serem estudadas sob o microscópio.

Para as biópsias pequenas, como, por exemplo, uma biópsia por agulha, geralmente, a amostra inteira é observada sob o microscópio. O tecido é colocado em pequenos recipientes para processamento, o que pode demandar algumas horas, posteriormente a amostra é colocada em um molde de cera parafinada que serve para proteger o tecido. Este bloco de cera de parafina com o tecido é colocado sobre um instrumento chamado micrótomo, que corta fatias muito finas de tecido. Estas fatias finas da  amostra são colocadas em lâminas de vidro, e podem receber um tingimento  para mudar a cor do tecido. A cor torna as células mais fáceis de serem visualizadas ao microscópio. Para a maioria das amostras de biópsia, este é o processamento de rotina. Geralmente um dia após a biópsia, o patologista estuda a amostra de tecido sob o microscópio. O estudo das estruturas das células e tecidos se denomina histologia.

Biópsia Intraoperatória (Congelação)

Às vezes, um cirurgião precisa de informações sobre uma amostra de tecido durante a cirurgia para tomar decisões no momento do procedimento. Isso é denominado biópsia por congelação.

  • Como isso é feito?

Quando a biópsia por congelação é realizada, o tecido coletado é enviado imediatamente da sala de cirurgia para o patologista. Como o paciente está anestesiado é importante que o tecido seja estudado rapidamente. Esse procedimento de análise da amostra durante o momento da cirurgia, geralmente dura de 10 a 20 minutos. Em vez de processar o tecido em blocos de parafina, o tecido é rapidamente congelado em uma solução especial que forma um cubo de gelo em torno da amostra de tecido. É então finamente seccionado (cortado) em uma máquina especial, rapidamente tingida e analisada ao microscópio. Os cortes congelados geralmente não apresentam características do tecido tão claramente como os cortes dos blocos de parafina, mas são suficientes para orientar e ajudar o cirurgião a tomar decisões durante a cirurgia.

  • Quando é feita?  

Muitas vezes, o tipo de cirurgia necessária depende se o tumor é câncer. Por exemplo, apenas a remoção do tumor poderia ser suficiente para tratar uma lesão benigna, mas uma cirurgia mais extensa, com retirada de mais tecido e/ou gânglios linfáticos, pode ser necessária se o tumor é um câncer. Nesses casos  o cirurgião enviará o tumor para um exame por congelação, o que pode fornecer as informações suficientes para ajudar o cirurgião a decidir o tipo e extensão de cirurgia a ser realizada. No entanto, às vezes, a biópsia intraoperatória não fornece uma resposta definitiva e a amostra de tecido será encaminhada para um processamento de rotina ou mesmo por procedimentos especiais para obter uma resposta clara. Quando isso acontece, o cirurgião normalmente finaliza a cirurgia. Após os resultados da biópsia pode ser necessária uma segunda cirurgia.  

O tratamento cirúrgico é, muitas vezes, um equilíbrio entre retirar todo o tecido contendo a doença e deixar suficiente tecido normal para evitar ou minimizar os danos. Para ter certeza que toda a doença foi removida, o cirurgião envia amostras da borda do tecido retirado para uma avaliação por congelação. Se não existirem evidências de células cancerígenas nas bordas (margem cirúrgica), a cirurgia é finalizada. Mas, se células cancerosas são encontradas, presume-se que algumas delas ainda estão no tecido que foi deixado no paciente. Neste caso, o cirurgião prossegue com o procedimento aumentando a margem cirúrgica para reduzir a chance de uma recidiva. Se não for possível remover mais tecido, existem outras opções terapêuticas, como a radioterapia para destruir as células cancerígenas remanescentes.

Cirurgia de Mohs (Cirurgia Microscopicamente Controlada)

Este procedimento é usado no tratamento de determinados tipos de câncer de pele. Na cirurgia de Mohs, o cirurgião remove uma fina camada da pele contendo o tumor, que em seguida é enviada para análise, sob um microscópio, por um patologista. Se células cancerígenas forem encontradas, camadas mais profundas são retiradas e analisadas até que as amostras de pele não apresentem mais células cancerígenas. Este processo é lento, mas garante a preservação da maior quantidade possível de tecido normal próximo ao tumor.

Processamento das Amostras Citológicas

O tipo de processamento a ser realizado nas amostras de citologia ​​depende do tipo de amostra. Algumas são tingidas em lâminas de vidro e enviadas ao laboratório de citologia, para serem observadas ao microscópio. Outras amostras, como os fluidos corporais, não podem ser colocados numa lâmina, por estarem muito diluídas. No entanto, o laboratório de citologia tem como concentrar essas células em uma lâmina de vidro antes da coloração.

Após o processamento e a coloração, as amostras são examinadas sob um microscópio. As células anormais encontradas são marcadas com uma caneta especial. Um patologista examinará as células marcadas e emitirá o laudo com o diagnóstico.


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