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Pesquisa inédita do Instituto Oncoguia mostra que 81% dos brasileiros já tiveram contato com o câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 22/04/2019 - Data de atualização: 22/04/2019


O câncer está cada vez mais próximo de todos nós. É o que aponta uma pesquisa inédita do Instituto Oncoguia, ONG que ajuda pacientes com câncer em todo o Brasil, que mostra que 81% dos brasileiros têm contato direto com uma pessoa com câncer, sendo que aproximadamente dois terços desse total são parentes de pacientes com a enfermidade. A pesquisa, realizada pelo Ibope, foi apresentada durante o IX Fórum Nacional Oncoguia, realizado nos dias 16 e 17 de abril, em Brasília. 

O câncer toca a vida de muitas pessoas. A cada dez pessoas, seis têm um parente que vive com a doença. “O câncer é prevalente entre os brasileiros, mas ainda não é uma prioridade para o País”, explica Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. Tornar o câncer uma prioridade no Brasil vai além de oferecer o melhor tratamento, mas inclui também a oferta de um cuidado integrativo e humano, que olha para o paciente em sua totalidade. “Isso implica oferecer cuidados psicológicos, nutricionais, esportivos, enfim, multidisciplinares”, diz. 

Enquanto 100% dos entrevistados conhecem a doença, ainda há muito desconhecimento sobre o que causa o câncer, por exemplo. Apesar da ampla divulgação sobre os avanços no diagnóstico e tratamento, um terço dos brasileiros acredita que o câncer é causado por traumas psicológicos (32%). Parece óbvio para a maioria esmagadora que o cigarro pode causar câncer, mas ainda há 8% dos entrevistados que desconhecem essa associação. E há uma dúvida preocupante entre os participantes da pesquisa sobre obesidade e câncer: apenas um terço entende que os dois estão relacionados. 

Esse desconhecimento fomenta a percepção mais negativa sobre o câncer entre os brasileiros. Existe uma parcela da população que acredita que o tratamento contra os tumores avançou pouco nas últimas décadas. Para um terço da população, o câncer ainda é “uma sentença de morte”, e receber a notícia de que se tem a doença “significa sofrer e ter muita dor”. “Precisamos mudar esses conceitos, essa forma de olhar para o câncer somente atrapalha a prevenção e o apoio a quem está enfrentando a doença” diz Luciana. Aproximadamente 38% dos entrevistados ainda têm essa percepção. 

A Oncologia mudou muito nos últimos anos, tivemos grandes avanços na luta contra a doença, contamos com tratamentos mais eficazes, específicos para os subtipos de tumores de cada paciente. Cada vez mais brasileiros estão atentos a essa realidade, com 60% dos respondentes enxergando o câncer de forma positiva, mais próximo da realidade atual. 

Qualidade de vida – Uma vez que mais de 60% dos brasileiros têm um parente com câncer, a pesquisa abordou o que os familiares acreditam ser os aspectos mais afetados na vida do paciente que luta contra o tumor. Para 81% dos parentes, a principal questão é a qualidade de vida, que engloba impacto importante em aspectos emocionais e físicos. Nessa pesquisa, os pontos mais impactantes para o paciente, na opinião dos familiares, foram a questão emocional (51%), física (19%) e menção direta da qualidade de vida (11%). Para a população geral, um terço acredita que a vida financeira do paciente é afetada pela doença. “Como um paciente vai conseguir enfrentar e superar o câncer se estiver deprimido e sem dinheiro? Sim, temos que olhar pra isso com urgência”, finaliza Luciana. 

Diagnóstico e Tratamento - A pesquisa trouxe também informações importantes sobre os gargalos que os pacientes enfrentam hoje para o diagnóstico e tratamento contra o câncer. Mais da metade dos entrevistados acredita que não é possível uma pessoa diagnosticar rapidamente um tumor por conta da falta de acesso a exames (55%), da dificuldade de marcar consulta (52%), por não encontrar um médico para examinar os sinais e sintomas (42%) ou por não conseguir fazer uma biópsia rapidamente (30%). 

Com relação ao tratamento, 73% não acham possível iniciá-lo em até 60 dias no Brasil, apesar de hoje existir uma lei que determina que a terapia deveria começar até dois meses após o diagnóstico. Os problemas apontados na pesquisa para essa demora no tratamento foram a fila de espera (78%), falta de vaga para cirurgia (46%), vaga para quimioterapia e radioterapia (25%), acesso a um especialista (24%) e acesso ao medicamento (17%). 

Confira a pesquisa na íntegra:

Confira o infográfico com dados destaques:

 


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