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Parte 2: testes genéticos são ferramentas para tratamento do câncer de Intestino

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 16/03/2020 - Data de atualização: 16/03/2020


Em função do Março Azul Marinho, alertei, em minha última coluna, sobre as Síndromes de Predisposição ao Câncer de Intestino (colorretal ou cólon e reto) e sobre como exames genéticos permitem confirmar o diagnóstico e, assim, fazer a prevenção e a detecção precoce, quem sabe até evitar o aparecimento do tumor. Hoje, conforme anunciado, falaremos sobre as inovações em tratamentos do câncer de intestino, seja ele causado pelas síndromes genéticas ou pelos hábitos de vida e condições ambientais do paciente.

Os exames genéticos para a análise molecular dos tumores se mostram uma ferramenta fundamental para a definição do tratamento nos casos de câncer avançado em que já há metástase.

A gente faz a análise do tecido tumoral, o que é mais comum, ou do DNA do tumor circulante no sangue periférico, com a chamada biópsia líquida. Um dos grandes diferenciais desse exame é ser feito com uma simples coleta de sangue na veia do paciente, o que pode conferir um retrato atual do perfil do tumor.

Por meio da análise genética, conseguimos detectar ou não mutações em alguns genes específicos como KRAS, NRAS e o BRAF. Também fazemos análise da chamada Instabilidade de Microssatélite – MSI. Sua presença em excesso pode indicar mutações nos genes de reparo (MLH, MSH2, MSH6 e o PMS2), conforme explicado na última coluna.

A multiplicação das bases de nucleotídeos dentro do DNA (microssatélites) é uma situação de normalidade no organismo. Quando há excesso de microssatélites, esses mesmos genes da síndrome de Lynch são responsáveis por equilibrar o sistema. Se houver mutação herdada, como no caso da síndrome de Lynch, ou adquirida, devido aos fatores de riscos como má alimentação, obesidade, sedentarismo etc., esses genes não conseguem reparar o excesso de microssatélites. Isso causa uma série de problemas, entre eles, a multiplicação desordenada das células cancerígenas.

A instabilidade de microssatélites pode ser detectada por diferentes técnicas, seja com o exame imuno-histoquímica ou Reação em Cadeia da Polimerase - PCR. A confirmação da presença de MSI significará, primeiramente, um prognóstico melhor: em geral, são tumores menos agressivos. Além disso, mais recentemente, descobriu-se que a instabilidade de microssatélites determina maior sensibilidade à imunoterapia. Então, muitas vezes, a indicação dessa terapia é feita com base na presença do MSI.

Já a análise dos genes Kras, Nras e BRAF nos mostrará se o tumor é resistente à terapia de anticorpo monoclonal anti-EGFR, que são as iniciais de Fatores de Crescimento Epitelial. Quando não há mutações nesses genes, podemos adicionar à quimioterapia drogas com anticorpos anti-EGFR, como a Cetuximabe e a Panitumumabe. Com isso, temos a potencialização do resultado favorável.

Mas, quando há mutações nesses genes, significa que o tumor é resistente à terapia de anticorpo monoclonal anti-EGFR e, por isso, contraindicamos o uso desses anticorpos. Optamos pela quimioterapia convencional ou adicionamos à quimioterapia um outro medicamento chamado Bevacizumabe, que é um antiangiogênico.

Temos também um tratamento específico para a mutação no gene BRAF, em que combinamos um anti-BRAF para reverter a resistência do tumor ao Cetuximabe e permitir o uso desse medicamento. Eventualmente, associamos seu uso à quimioterapia.

Encontram-se também em fase de experimentação clínica tratamentos alvo-moleculares para outros biomarcadores moleculares, como a amplificação ou mutação dos genes ERBB2 e PIK3CA e mesmo fusões do gene NTRK. 

Esses são apenas alguns exemplos de como, graças às tecnologias modernas de análise do perfil do câncer, que é uma doença genética, podemos elaborar estratégias mais assertivas para combater o câncer de forma personalizada. Conhecer todas essas alterações moleculares nos ajuda a escolher o medicamento, ou associação de medicamentos, mais apropriado a cada caso.

Essa é a chamada oncologia de precisão ou personalizada em que traçamos a estratégia de tratamentos dos pacientes nos baseando nos perfis moleculares identificados com os exames genéticos. Então, concluindo, os testes nos permitem tanto identificar uma síndrome que predispõe ao câncer para fazer a correta prevenção, como também tratar o câncer de forma mais assertiva.

Esses são alguns avanços da oncologia moderna. Mas pesquisas em andamento nos darão respostas ainda mais surpreendentes.

*André Murad é oncologista, pós-doutor em genética, professor da UFMG e pesquisador. É diretor-executivo na clínica integrada Personal Oncologia de Precisão e Personalizada. Exerce a especialidade há 30 anos, e é um estudioso do câncer, de suas causas (carcinogênese), dos fatores genéticos ligados à sua incidência e das medidas para preveni-lo e diagnosticá-lo precocemente.

Fonte: UAI

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