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Pandemia e câncer: quase 100% dos pacientes enfrentam dificuldades nesse período, afirmam oncologistas

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/07/2021 - Data de atualização: 15/07/2021


Em tempos de Covid-19, fala-se muito do impacto da pandemia na vida das pessoas. Algumas pesquisas se debruçaram sobre os efeitos da crise na rotina de pacientes que vivem com algum tipo de câncer e 74%1 dos oncologistas revelaram que tiveram um ou mais pacientes que interromperam ou adiaram o tratamento por mais de um mês durante esse período. Esse mesmo estudo, realizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, trouxe à tona também que, dentre os procedimentos de tratamento da doença, cirurgias foram as mais afetadas (67%), seguido por exames de prosseguimento (22%).

De acordo com o levantamento, menos de 1% dos médicos afirmaram que seus pacientes não enfrentaram nenhum problema nesse período.

“A forma mais segura e saudável de lidar com a pandemia foi ficando em casa. O isolamento social segue sendo a medida mais importante, mas também é de extrema importância que pacientes de doenças crônicas, sobretudo o câncer, não abandonem o tratamento. É preciso entrar em contato com o médico ou com o centro de saúde para saber como manter-se em dia com a patologia, sem deixar de seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde”, afirma André Abrahão, diretor médico da Novartis Oncologia Brasil.

O Instituto Oncoguia, por sua vez, consultou a comunidade de pacientes para tentar entender as razões da interrupção dos tratamentos. Dentre as justificativas, as mais apontadas foram: decisão institucional, quando o cancelamento foi feito pelo hospital ou clínica (43%) para diminuir o risco de contágio, priorização de pacientes, redução de equipe e impacto na infraestrutura; enquanto 12% declararam que foi uma escolha pessoal; e alguns (3%) afirmaram ter optado pela interrupção em acordo com o médico.

O mesmo estudo concluiu que pacientes do SUS foram os mais afetados, com cerca de 60% relatando algum impacto no tratamento durante a quarentena. No setor privado, o impacto chegou a 33%.

“A queda nas biópsias é muito grave. Precisamos encontrar essas mulheres que tinham algo de errado e deixaram de saber a resposta final. Sairemos de uma pandemia para uma epidemia de casos avançados de câncer. Precisamos olhar para essa realidade hoje, chega de esperar“, afirma Luciana Holtz, fundadora e presidente do Oncoguia.

O Radar do Câncer, plataforma de dados idealizada pelo instituto, também revelou dois números alarmantes: houve uma queda de 39% no número de biópsias realizadas no SUS, assim como um impacto de 52% no número de exames citopatológicos com finalidade de rastreamento.

O portal também demonstra que, em 2020, por exemplo, houve uma queda de 45% em mamografias. Em 2021, a queda foi ainda maior, de 50%, aumentando temores de especialistas de uma onda de diagnóstico de câncer de mama em fase avançada para os próximos anos.

Para os próximos meses, com base nos dados elencados acima, há uma expectativa no aumento da progressão de alguns casos, além de uma maior quantidade de diagnóstico de câncer em fase avançada. “A maior preocupação agora é levar informação de qualidade para esses pacientes. Para quem interrompeu o tratamento, é muito importante conversar com o médico responsável para entender como retomar. Para quem deixou de fazer uma biópsia, mamografia ou exame de rastreamento, é importante também conversar com as clínicas e hospitais para realizar esses procedimentos com a maior segurança possível”, argumenta Abrahão.

Uma das maneiras de engajar a população na causa do câncer de mama avançado foi o lançamento da campanha #NossaAtençãoMudaTudo, realizada pela Novartis e apoiada por FEMAMA, Instituto Avon, Instituto Vencer o Câncer e Oncoguia. A iniciativa tem o objetivo de ampliar o acesso das mulheres à informação de qualidade, começando pelo momento de diagnóstico até as questões de acesso a tratamentos disruptivos que podem fazer toda a diferença. Saiba mais em www.nossaatencao.com.br.

Associações de pacientes também fizeram uso desse período de pandemia para gerar mobilização. O Instituto Vencer o Câncer, por exemplo, reforçou o projeto #SimParaQuimioOral, cujo objetivo é disponibilizar o tratamento na forma oral logo depois do registro da Anvisa, da mesma maneira que acontece com a versão intravenosa do produto. O projeto foi aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados e aguarda sanção presidencial.

Desde maio de 2021, pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos 6 meses e pacientes com algum tipo de câncer no sangue (neoplasias hematológicas) fazem parte da lista de comorbidades estabelecida pelo Plano Nacional de Imunização contra o Covid-19. Para realizar a imunização, é importante conhecer o próprio tratamento e consultar antes o médico oncologista ou hematologista para checar a elegibilidade do paciente e tirar todas as dúvidas sobre a vacinação.

É importante lembrar que pacientes oncológicos possuem diagnósticos e tratamentos diferentes. Além disso, também fazem parte do grupo de risco pacientes com neoplasias hematológicas, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. Aqueles que passaram por transplante de medula óssea, que estão em tratamento com quimioterapia e pacientes que tratam câncer com alguma outra condição de saúde, como diabetes e problemas cardíacos, também precisam estar em dia com a própria saúde e tomar todas as medidas de prevenção da Covid-19.

Pacientes oncológicos que trataram um câncer e estão apenas em acompanhamento não são considerados imunodeprimidos, assim como ex-pacientes que estão sem evidência da doença. De toda forma, mesmo para os últimos casos, é importante manter-se em dia com os exames e visitas ao médico, além de seguir as medidas de proteção contra a COVID-19 recomendadas pela comunidade científica e tirar dúvidas sobre a vacinação com seu médico.

Matéria publicada pelo portal Estúdio Folha em 15/07/2021

 



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