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Outubro Rosa: a importância de manter o tratamento, apesar do medo da pandemia

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 05/10/2020 - Data de atualização: 05/10/2020


A pandemia do novo coronavírus afetou a rotina de muita gente, principalmente das mulheres que estavam em tratamento contra o câncer de mama. Logo no início do distanciamento social, em março de 2020, muitas instituições públicas e privadas interromperam o atendimento a esse público. E teve também quem não se sentiu segura para frequentar locais que poderiam receber pacientes diagnosticados com a COVID-19.  

Seis meses depois, como hospitais, clínicas e as próprias pacientes estão lidando com o câncer?

Nos meses que antecederam o Outubro Rosa, a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, a busca pela continuidade do tratamento desse e de outros tipos de câncer parece ter sido retomada, mas não de forma satisfatória, como destacam duas pesquisas organizadas pelo Instituto Oncoguia.  

A primeira, realizada entre março e maio de 2020, mostrou que 43% das pessoas entrevistadas sofreram algum tipo de impacto no tratamento contra o câncer. Já na segunda pesquisa, feita em julho, esse número caiu para 31%. “O que percebemos, no início da pandemia, era um paciente assustado, fragilizado e que se autointitulou como parte do grupo de risco como medida de proteção à saúde”, explica Luciana Holtz, psicóloga e presidente do Instituto Oncoguia.

De acordo com João Bosco Ramos Borges, mastologista e ginecologista e diretor de políticas públicas da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a pandemia impactou pessoas com diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão, entre outras doenças.

Especificamente sobre o câncer de mama, ele pontua que muitas mulheres deixaram de fazer mamografia e de procurar um médico para tirar dúvidas em relação às mamas. “Geralmente, um ginecologista pode ajudá-la a identificar os primeiros sintomas da doença.” 

No entanto, as medidas de segurança para conter a pandemia e priorizar pacientes com COVID-19 afastaram as mulheres das consultas médicas e dos exames. A preocupação atual é como fazer com que essas pacientes procurem seus médicos e sintam-se seguras para realizar exames e dar sequência ao tratamento.

A Estimativa 2020 do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), divulgada em 2019, prevê 66.280 novas incidências de câncer de mama neste ano. Já o número de óbitos por esse tipo de doença foi de 17.572 em 2018, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade 2020, divulgado pelo órgão do Ministério da Saúde.  

De acordo com os dois especialistas, a comunidade médica já iniciou medidas para dar continuidade ao atendimento de pacientes. “O SUS já voltou a marcar consultas e exames para diagnosticar o câncer de mama, assim como muitos hospitais voltaram a realizar cirurgias. Tudo caminha numa velocidade menor que a do período pré-pandemia, mas estamos felizes”, afirma o diretor da SBIM.

50 a 90 mil casos de câncer ficaram sem diagnósticos nos primeiros meses de pandemia

Estimativa feita pela Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)

Já Luciana complementa que as instituições adotaram diversos protocolos de segurança para garantir a retomada dos atendimentos. Medição de temperatura na porta de entrada, solicitação para não levar acompanhante, perguntas sobre o estado de saúde do paciente e criação de uma área separada para oncologia ou quimioterapia são algumas ações tomadas por clínicas e hospitais públicos e particulares. 

“Mesmo assim, ainda é necessária uma comunicação transparente para que os pacientes com câncer sintam-se confortáveis em ir a esses locais para receber o diagnóstico ou fazer o tratamento”, destaca Luciana. 

Em resumo, procure e converse com o seu médico, informe-se sobre os protocolos de segurança da unidade de saúde (UBS, clínica, hospital) de sua preferência e tome todos os cuidados possíveis, uma vez que ainda estamos enfrentando uma pandemia. Mas não deixe para depois o cuidado com a sua saúde.  

Quem está em tratamento não deve interrompê-lo e quem busca um diagnóstico também não deve deixar para depois.

Matéria publicada pelo Viva a Longevidade em 05/10/2020.



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