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Novidades no Tratamento do Câncer de Olho

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 30/01/2014 - Data de atualização: 04/04/2017


Muitas pesquisas sobre câncer de olho estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em prevenção, detecção precoce e tratamentos:

  • Genética

Entender como alterações genéticas tornam as células cancerosas oculares diferentes das células normais provavelmente desempenhará um papel importante no tratamento dos melanomas oculares, linfomas e outros tipos de câncer de olho.

  • Uso de Genes para encontrar Pessoas em Risco

Conforme os pesquisadores compreendem as alterações nos genes nesses tipos de câncer,  serão capazes de desenvolver testes para identificar quais pessoas são mais propensas a desenvolver a doença.

Por exemplo, nos últimos anos, os pesquisadores descobriram que famílias com mutações no gene BAP1 os torna propensos a desenvolver melanoma ocular. Embora essa alteração genética afete apenas uma pequena porcentagem de pessoas com melanoma ocular, os pesquisadores poderão estudá-la melhor para saber mais sobre como os melanomas oculares se desenvolvem.

  • Uso de Genes para prever o Prognóstico

Perfis genéticos dos tumores podem ajudar a prever a probabilidade de um tumor se disseminar. Por exemplo, em pacientes com melanoma uveal, algumas alterações genéticas, como a perda de uma cópia do cromossomo 3, têm sido associada a um aumento do risco de disseminação da doença.
 
Recentemente, os pesquisadores descobriram que o padrão da expressão genética nas células tumorais parece ser uma melhor forma de prever a probabilidade do melanoma ocular se disseminar (ou não). Com base nesse padrão de genes, um pouco mais da metade dos melanomas oculares são tumores "classe 1", que tem baixo risco de disseminação. Os melanomas oculares restantes se enquadram na categoria "Classe 2", que tem um alto risco de disseminação.

Alguns centros já oferecem um exame (DecisionDx-UM) para essas alterações genéticas, e alguns pacientes poderão realizá-lo. Se um paciente for considerado de alto risco, o médico pode fazer o acompanhamento no intuito de determinar a disseminação da doença o mais precocemente possível. Entretanto, neste momento, nem todos os médicos estão interessados em realizar esse exame, porque ainda não existem formas preventivas de disseminação da doença ou ainda de modificar o prognóstico dos pacientes que estão no grupo de alto risco.

  • Uso de Genes para encontrar Novos Tratamentos

A identificação das alterações genéticas também podem fornecer informações específicas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Por exemplo, a maioria dos melanomas oculares encontrados tem alterações em um dos 2 genes relacionados, GNAQ ou GNA11. Estes genes são parte da via de sinalização MAPK do interior das células, que as ajuda a se desenvolverem. Ainda não está claro se esses medicamentos poderão agir diretamente nessas alterações genéticas, mas alguns deles têm como alvo outros genes da via MAPK, que no momento estão em fase de estudo para uso contra os melanomas oculares, alguns desses medicamentos mostraram resultados iniciais promissores.

  • Imunoterapia

Imunoterapia é um tratamento que estimula o próprio sistema imunológico do corpo, na tentativa de fazê-lo atacar as células cancerígenas. Citoquinas, anticorpos monoclonais, vacinas e outras imunoterapias estão entre as abordagens mais promissoras para o tratamento do melanoma e do linfoma intraocular. Embora a maioria dos protocolos clínicos destes tratamentos incluam pacientes com melanomas da pele e linfomas que começam nos gânglios linfáticos, os resultados destes estudos podem ajudar no tratamento de pacientes com melanoma e linfoma intraocular.

Um exemplo é o ipilimumabe, um tipo de anticorpo monoclonal que aumenta a atividade do sistema imunológico. Esse anticorpo mostrou ajudar os pacientes com melanoma de pele avançado aumentando sua expectativa de vida, embora também possa ter alguns efeitos colaterais importantes. No entanto, não está claro se este medicamento ou drogas similares possam ajudar nos casos de melanomas intraoculares.

Novos medicamentos, como nivolumab e pembrolizumab, que estimulam a resposta do sistema imunológico contra as células cancerígenas de uma forma ligeiramente diferente, têm mostrado resultados promissores contra melanomas de pele nos estudos iniciais. Estes medicamentos podem vir a serem úteis também para os melanomas intraoculares.

  • Terapia Alvo

Um maior entendimento sobre as alterações nas células que causam o câncer tem levado ao desenvolvimento de novos medicamentos alvo que visam especificamente estas mudanças. Estas novas terapias alvo agem de forma diferente dos quimioterápicos convencionais, além de terem menos efeitos colaterais.

A maioria dos melanomas oculares encontrados tem alterações nos genes GNAQ ou GNA11, que são parte da via de sinalização MAPK que ajuda as células a se desenvolver. O selumetinib é um medicamento que tem como alvo o gene MEK, que também é parte da via MAPK. O selumetinib foi o primeiro medicamento que mostrou retardar o crescimento do melanoma ocular avançado em estudos clínicos.

Outros medicamento também podem ser uteis no tratamento de cânceres com estas mutações genéticas. Por exemplo, algumas pesquisas sugerem que o sotrastaurin (AEB071), uma droga que tem como alvo a proteína quinase C, pode ser eficaz contra as células com uma mutação GNAQ. Estudos clínicos encontram-se em andamento.

Outros medicamentos mais recentes, como o vemurafenib, dabrafenib e trametinib, tem como alvo uma mutação no gene BRAF. Esta mutação é encontrada em cerca da metade dos pacientes com melanoma da pele, mas apenas em cerca de 5% dos pacientes com melanoma ocular. Ainda assim, estes e outros medicamentos podem ajudar os pacientes cujas células cancerígenas têm estas mutações.

Muitas terapias alvo já estão em uso para tratar outros tipos de câncer. Alguns destes medicamentos estão sendo estudados para uso contra melanoma ocular, incluindo o sunitinib, sorafenibe, vorinostat e o everolimus.

Outros medicamentos têm como alvo os vasos sanguíneos que permitem o crescimento dos tumores. Estes são conhecidos como fármacos anti-angiogênese. Um exemplo é o bevacizumab, que já é usado para tratar outros tipos de câncer. Ele pode ajudar a prevenir alguns dos efeitos colaterais da radioterapia, e pode ajudar os pacientes a manter a visão por mais tempo após o tratamento. Também está sendo estudado para ser usado junto com a quimioterapia para pacientes com melanomas oculares avançados.

Fonte: American Cancer Society (05/02/2016)

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