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Novidades no Tratamento do Câncer de Próstata

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 25/06/2014 - Data de atualização: 09/07/2017


Muitas pesquisas sobre câncer de próstata estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em prevenção, detecção precoce e tratamentos:

  • Alterações Genéticas

Novas pesquisas sobre as alterações genéticas associadas ao câncer de próstata ajudaram os pesquisadores a entenderem melhor como o câncer de próstata se desenvolve. Isso poderia possibilitar o desenho de medicamentos para atingir essas alterações. Testes para detectar genes anormais do câncer de próstata também podem identificar os homens com alto risco que se beneficiariam de um rastreamento mais intenso ou a partir de estudos de quimioprevenção.

A maioria das mutações genéticas estudadas como fatores que podem aumentar o risco do câncer de próstata são de cromossomos hereditários. Algumas pesquisas descobriram que uma determinada variante do DNA mitocondrial, herdada apenas da mãe, pode aumentar o risco de um homem de desenvolver câncer de próstata.

  • Prevenção

Os pesquisadores continuam procurando alimentos que podem levar a um menor risco de câncer de próstata. Algumas substâncias no tomate (licopeno) e na soja (isoflavonas) ajudam a prevenir o câncer de próstata. Atualmente, os estudos estão analisando os possíveis efeitos destes compostos.

Também está em andamento o desenvolvimento de compostos relacionados para uso como suplementos dietéticos. Até agora, a maioria das pesquisas sugere que uma dieta equilibrada que inclua estes alimentos, assim como frutas e legumes, traz maiores benefícios do que ingerir essas substâncias como suplementos dietéticos.

Outra vitamina que pode ser importante é a vitamina D. Alguns estudos determinaram que homens com altos níveis de vitamina D parecem ter um risco menor para a doença. Entretanto, globalmente, os estudos não concluíram que a vitamina D proteja contra a doença.

Muitas pessoas assumem que as vitaminas e outras substâncias naturais não causam nenhum dano, mas pesquisas recentes mostraram que altas doses podem ser prejudiciais, incluindo os suplementos comercializados especificamente para o câncer de próstata.

Algumas pesquisas sugerem que os homens que tomam uma aspirina diária por um longo período de tempo podem ter um risco menor de ter câncer de próstata. Ainda assim, são necessárias mais pesquisas para confirmar isso e mostrar que qualquer benefício supera os potenciais riscos, como a hemorragia.

Os pesquisadores também testaram medicamentos hormonais, como os inibidores da 5-alfa redutase, como forma de reduzir o risco de câncer de próstata.

  • Detecção Precoce

Os médicos concordam que o antígeno prostático específico (PSA) não é um exame perfeito para diagnosticar o câncer de próstata, por deixar de lado alguns tipos de câncer e algumas vezes mostrar-se elevado quando a doença não está presente.

Outra abordagem é desenvolver novos exames com base em outras formas de PSA ou outros marcadores tumorais. Vários exames recentes parecem ser mais precisos do que o PSA, incluindo:

  • Phi. Combina os resultados do PSA total, PSA livre e proPSA para determinar a probabilidade do homem com câncer de próstata precisar de tratamento.
  • Exame 4Kscore. Combina os resultados do PSA total, PSA livre, PSA intacto e kallikrein 2 humano (hK2), junto com alguns outros fatores para determinar a probabilidade do homem com câncer de próstata precisar de tratamento.
  • Exame Progensa. Avalia o nível do antígeno do câncer de próstata 3 (PCA3) na urina. Quanto maior o nível, mais provável a presença de doença.
  • Exame que procura por uma alteração anormal no gene TMPRSS2: ERG em células prostáticas. Esta alteração no gene é encontrada em cerca da metade dos cânceres de próstata. 
  • ConfirmMDx. É um exame que analisa determinados genes nas células da amostra de biópsia da próstata

Esses exames não são prováveis de substituir o PSA em breve, mas podem ser úteis em determinadas situações. Por exemplo, alguns podem ser úteis em homens com PSA ligeiramente elevado, para determinar se devem fazer uma biópsia da próstata. Outros podem ser mais úteis para determinar se os homens que já fizeram a biópsia da próstata e não diagnosticaram o câncer devem (ou não) fazer outra biópsia. Os pesquisadores e os médicos estão determinando a melhor maneira de usar cada um desses exames.

  • Diagnóstico

As biópsias da próstata muitas vezes dependem da ultrassonografia transretal, que cria imagens em preto e branco para mostrar os locais de onde podem ser removidas amostras de tecido. Mas o ultrassom normal não pode diagnosticar algumas áreas cancerígenas.

Uma nova abordagem é medir o fluxo de sangue dentro da glândula usando o eco-Doppler colorido, o que permite biópsias mais precisas.

Uma técnica ainda mais recente pode aumentar a precisão do Doppler colorido. Esta técnica envolve a administração de uma injeção com um agente de contraste contendo microbolhas. Os resultados são promissores, entretanto mais estudos ainda são necessários.

Os médicos também estão avaliando o uso da ressonância magnética para auxiliar nas biópsias da próstata em homens com resultados negativos nas biópsias guiadas por ultrassom transretal, e que o médico ainda suspeita da presença da doença.

  • Estadiamento

O estadiamento desempenha um papel fundamental na decisão do tratamento. Os exames de imagem para câncer de próstata, como tomografia computadorizada e ressonância magnética não conseguem diagnosticar todos os cânceres, especialmente as pequenas áreas nos gânglios linfáticos.

Um método mais recente, denominado ressonância magnética de aumento (IMR), pode ajudar a determinar a extensão e a agressividade da doença, o que pode influenciar as opções de tratamento. Nesse exame é feita uma ressonância padrão, e, em seguida pelo menos um outro tipo de ressonância magnética, como a imagem ponderada por difusão, a ressonância magnética de contraste dinâmico ou a ressonância magnética por espectroscopia. Os resultados das diferentes varreduras são então levados em consideração.

Outro método mais recente, denominado ressonância magnética melhorada, pode ajudar a diagnosticar a doença nos linfonodos. Primeiro, os pacientes fazem a ressonância magnética padrão, depois são injetados minúsculas partículas magnéticas e um novo exame é realizado ao dia seguinte. As diferenças entre essas duas varreduras apontam as possíveis células cancerígenas nos gânglios linfáticos. Os primeiros resultados desta técnica são promissores, mas ainda são necessárias mais pesquisas antes que se torne amplamente utilizada.

Um tipo de tomografia por emissão de pósitrons, que utiliza acetato de carbono radioativo em vez de FDG também pode ser útil na detecção da doença em diferentes partes do corpo, bem como para determinar se o tratamento foi eficaz. Estudos dessa técnica estão em andamento.

  • Cirurgia

As técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento do câncer de próstata estão constantemente sendo aprimoradas. O objetivo é remover todo o câncer, reduzindo o risco de complicações e efeitos colaterais da cirurgia.

  • Radioterapia

Os métodos atualmente utilizados, como a radioterapia conformacional, radioterapia de intensidade modulada e radioterapia com feixes de prótons permitem o tratamento apenas da glândula prostática e evitam a irradiação dos tecidos normais, tanto quanto possível. Espera-se que esses métodos aumentem a eficácia da radioterapia, reduzindo seus efeitos colaterais.

A tecnologia está tornando outras formas de radioterapia mais eficazes. Novos programas de computador permitem um melhor planejamento das doses de radiação, tanto para radioterapia externa como para braquiterapia. O planejamento braquiterápico pode ser feito até durante o procedimento cirúrgico.

  • Tratamentos para Câncer em Estágio Inicial

Os pesquisadores estão voltados para novas formas de tratamento para a doença em estágio inicial, que podem ser utilizados como tratamento principal ou após a radioterapia.

Um tratamento, conhecido como ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), destrói as células cancerígenas, aquecendo-as com feixes ultrassônicos. Estudos estão em andamento para determinar sua segurança e eficácia.

  • Alterações Nutricionais e de Estilo de Vida

Muitos estudos analisaram os possíveis benefícios de nutrientes específicos no tratamento do câncer de próstata, embora a maior parte dessas pesquisa ainda estejam em andamento. Alguns compostos em estudo incluem extratos de romã, chá verde, brócolis, açafrão, linhaça e soja.

Um estudo determinou que homens com nível de PSA alto após a cirurgia ou radioterapia, que tomaram suco de romã tiveram uma diminuição razoável no nível de PSA. Estudos estão em andamento para verificar os possíveis efeitos dos sucos de romãs no desenvolvimento do câncer de próstata.

Um pequeno estudo mostrou que o uso diário de linhaça parece diminuir o ritmo com que as células cancerígenas se multiplicam. Entretanto, mais pesquisas ainda são necessárias para confirmar este achado.

Um estudo recente mostrou que usar suplementos de soja após a cirurgia para o câncer de próstata não diminuiu o risco da recidiva.

Outro estudo evidenciou que homens que optaram por não fazer tratamento para o câncer de próstata localizado foram capazes de retardar seu crescimento alterando seu estilo de vida. Eles mantiveram uma dieta vegetariana e praticaram exercício com frequência. Eles também participaram de grupos de apoio e de yoga. Após um ano, esses homens tiveram, em média, uma ligeira queda no nível do PSA. Não se sabe se esse efeito vai durar uma vez que o estudo acompanhou os homens por apenas 1 ano.

  • Hormonioterapia

Várias novas formas de hormonioterapia foram desenvolvidas nos últimos anos. Algumas delas podem ser úteis mesmo se a terapia hormonal não esteja mais respondendo. Alguns exemplos incluem a abiraterona e o enzalutamide. Outros também estão sendo estudados.

Os inibidores de 5-alfa redutase, como a finasterida e a dutasterida, são medicamentos que bloqueiam a conversão da testosterona em di-hidrotestosterona. Eles estão em fase de estudo para o tratamento de câncer de próstata, quer para completar a vigilância ativa ou se o nível de PSA sobe após prostatectomia.

  • Quimioterapia

Estudos recentes têm mostrado que muitas drogas quimioterápicas como o docetaxel e a cabazitaxel aumentam a sobrevida. Esses resultados são encorajadores, mas esses estudos foram realizados antes de novas formas de hormonioterapia (abiraterona e enzalutamida) estarem disponíveis, por isso não está claro se os resultados seriam os mesmos hoje.

Outros novos medicamentos quimioterápicos e novas combinações também estão sendo estudados.

  • Imunoterapia

O objetivo da imunoterapia é impulsionar o sistema imunológico do a combater ou destruir as células cancerígenas.

  • Vacinas

Ao contrário das vacinas contra infecções, como sarampo, essas vacinas são projetadas para tratar, e não prevenir a doença. Uma possível vantagem deste tipo de tratamento é que parece ter menos efeitos colaterais. Exemplo deste tipo de vacina é o sipuleucel-T.

Vários tipos de vacinas para estimular a resposta do sistema imunológico às células cancerígenas estão em fase de ensaios clínicos.

Um exemplo é a PROSTVAC-VF, que usa um vírus geneticamente modificado para conter o antígeno prostático específico (PSA). O sistema imunológico do paciente deve responder ao vírus e começar a reconhecer e destruir as células cancerígenas contendo PSA. Os primeiros resultados desta vacina são promissores.

  • Inibidores do Ponto de Controle Imunológico

Uma parte importante do sistema imunológico é sua capacidade de atacar outras células normais no organismo. Para fazer isso, ele usa pontos de controle - moléculas nas células imunológicas que precisam ser ativadas (ou desativadas) para iniciar uma resposta imunológica. Muitas vezes, as células cancerígenas usam esses pontos de controle para evitar serem atacadas pelo sistema imunológico. Medicamentos recentes que tem como alvo esses pontos de controle têm resultados promissores no tratamento contra o câncer.

Por exemplo, medicamentos recentes, como pembrolizumabe e nivolumabe, têm como alvo a proteína PD-1. Em alguns outros tipos de câncer, esses tipos de medicamentos mostraram reduzir uma porcentagem maior de tumores. Estudos estão em andamento para verificar sua eficácia contra o câncer de próstata.

Outro exemplo é o ipilimumab, que tem como alvo a proteína denominada CTLA-4 em determinadas células imunológicas. Este medicamento já é usado no tratamento de outros tipos de câncer, e atualmente está sendo testado em homens com câncer de próstata avançado.

Uma abordagem promissora é combinar um inibidor de ponto de controle com uma vacina contra o câncer de próstata. Isso pode fortalecer a resposta imunológica e potencializar a vacina.

  • Terapia Alvo

A terapia alvo ataca o funcionamento interno das células cancerosas, a programação que as torna diferentes das células normais e saudáveis​​. Cada tipo de terapia alvo funciona de forma diferente, mas todas alteram a forma como uma célula cancerosa cresce, se divide, se repara ou interage com outras células.

Por exemplo, os medicamentos denominados inibidores da angiogênese visam o crescimento de novos vasos sanguíneos que os tumores precisam crescer. Vários inibidores de angiogênese estão sendo testados em ensaios clínicos.

  • Tratamento de Metástases Ósseas

Os médicos também estão estudando o uso de ablação por radiofrequência para ajudar no controle da dor em pacientes com metástases ósseas. Na ablação, o médico usa a tomografia computadorizada ou o ultrassom para guiar uma sonda até o tumor. Uma corrente de alta frequência enviada pela sonda aquece e destrói o tumor. A ablação já é utilizada no tratamento de tumores em outros órgãos, como o fígado, mas sua utilização no tratamento da dor óssea ainda é nova. Ainda assim, os resultados iniciais são promissores.

Fonte: American Cancer Society (11/03/2016)

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