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Mulheres cegas contra o câncer de mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 22/06/2021 - Data de atualização: 22/06/2021


A entrevista com Frank Hoffmann se inicia com uma inversão de papéis. Logo no começo da conversa, o fundador da Discovering Hands me pergunta se eu já dividi um mesmo espaço com uma pessoa cega. "Elas têm um outro tipo de presença", ele me diz. Imersos em um mundo orientado pelo toque, os portadores de deficiência visual estão mais ali, sentindo a textura dos pontinhos sobre o papel ou dos pelos e poros da pele.

A presença de Hoffmann também é notável. Ele provavelmente já contou centenas de vezes a história da empresa que criou, mas fala como se fosse a primeira. Não estamos nem mesmo em um espaço comum: ele no consultório em Frankfurt, eu em meu apartamento em Berlim. Os cabos de fibra óptica que atravessam o subterrâneo alemão conduziam as pausas, o ritmo e o olhar que davam a sensação de proximidade.

Ao fundar a Discovering Hands, Hoffmann não estava inicialmente pensado em pessoas cegas. Como ginecologista, o problema que enfrentava era a dificuldade em fornecer um diagnóstico preciso e rápido para o câncer de mama, doença em que o diagnóstico precoce pode ser a diferença entre vida e morte. O sistema alemão de saúde indica a mamografia apenas para mulheres acima dos 50 anos, apesar de um percentual alto da doença ocorrer em mulheres mais jovens. Frank preferia pecar pelo excesso.

Ele conhecia o exame táctil, mas era muito difícil conseguir dedicar os trinta minutos necessários para conduzi-lo de forma completa durante uma consulta. Assim, pensou em contratar uma pessoa exclusivamente para o trabalho. Hoffmann conta que teve então a ideia de empregar para essa função uma mulher cega.

Além do pioneirismo, ele teve o mérito de saber traduzir visualmente suas ideias. Demonstrando a importância que a comunicação teve para o seu projeto, Frank levou consigo o diretor da área para a palestra TED que realizou. Até hoje, foi a única vez em que vi duas pessoas dividindo um mesmo palco neste popular formato de apresentação. Assim, assistimos ao longo dos dezesseis minutos do vídeo diversas falas do profissional que auxiliou Hoffmann a criar objetos, infográficos, apresentações, conceitos e nomes que contribuíram para o desenvolvimento e credibilidade da empresa social.

Enquanto converso com Frank - a partir da câmera que o obriga a olhar sempre para cima para simular um contato visual - ele me mostra um dos objetos centrais da comunicação da empresa. A primeira associação que faço, ao enxergar uma sequência de bolinhas de madeira presas por um fio, é com um terço. Contudo, o acabamento da madeira lisa e clara, o arranjo harmônico dos diferentes volumes das esferas e a pintura rosa clara faz logo pensar em um objeto de design, que poderia estar à venda em uma loja de decoração.

O objeto é central para comunicar os benefícios da tactilografia, nome atribuído à forma tátil de diagnóstico para detecção precoce do câncer de mama. Pela câmera, vejo três bolinhas de diferentes dimensões. A maior delas representa o tamanho do nódulo que uma mulher é capaz de encontrar em seu seio durante o autoexame. Sem um treinamento específico, as mulheres conseguem sentir alterações no tecido de até dois centímetros. A bolinha seguinte, um pouco menor, é o que um médico especialista conseguiria captar durante uma análise. A terceira, significativamente reduzida, com seis milímetros de diâmetro, representa o tamanho percebido por examinadoras médicas táteis (MTUs, na sigla em alemão).

Hoffmann conta que durante sua pesquisa visitou um centro especializado na inserção de deficientes visuais no mercado de trabalho e ouviu as preocupações dos encarregados com relação às ocupações que eram capazes de oferecer, uma vez que muitas delas, como ascensoristas e telefonistas, estavam em vias de se extinguir.

Em um processo de inclusão de pessoas portadoras de deficiência, seria uma pena enxergar apenas o que elas podem fazer. Como alternativa, Hoffmann chegou a conclusão de que é possível superar a ideia de que pessoas com deficiência fazem apenas o que dá, ou seja, atividades que prescindem da visão. Para ele, elas devem fazer o melhor que podem, usando o seu potencial para uma diversidade de atividades profissionais. Para as centenas de pessoas que passaram pelo Discovering Hands, essa aparente pequena diferença teve um imenso impacto.

Fonte: Uol 



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