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"Meu medo é não ter saúde"

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 20/05/2021 - Data de atualização: 20/05/2021


Em 2012, a atriz Antonia Frering enfrentou um câncer de mama quando estava prestes a começar a gravar a novela "Salve Jorge", da TV Globo. Corta. Passam-se nove anos e cá estamos vivendo em meio à pandemia de um vírus avassalador, que faz grande parte de nós ficar isolado em casa para evitá-lo.

Antes das restrições impostas para conter a covid-19, assim como qualquer pessoa que já tratou um câncer e foi considerada curada ou em remissão, Antonia vinha fazendo consultas regulares com um oncologista, a fim de evitar recidivas ou uma metástase. Mas, com o medo do coronavírus, ficou receosa de ir a sua consulta de 2020.

Porém, seu médico não arredou pé e aconselhou que a artista não adiasse a avaliação. Ainda bem, pois nos exames a atriz de 56 anos descobriu um novo tumor em outra parte do corpo, notícia revelada em primeira mão nesta entrevista ao VivaBem.

"Ainda não tinha contado para ninguém: acabei de ter outro câncer, descobri em outubro de 2020. Em janeiro deste ano já estava tudo praticamente resolvido, foi no útero agora. Estou agradecida por ter descoberto e conseguido operar, muitas mulheres não conseguem, e eu pude resolver rapidamente", afirma.

"As pessoas também estão morrendo de outras doenças além da covid-19 porque estão com medo de ir ao médico. Se não tivesse ido, tivesse deixado para fazer quando acabasse a pandemia, talvez fosse tarde para mim."

O aprendizado que o câncer trouxe

Neste câncer mais recente, Antonia conta que passou por uma cirurgia e algumas sessões de radioterapia, mas não foi preciso fazer químio. Só que lá em 2012, ela fez. "Tive o medo de fazer quimioterapia novamente, porque lá atrás esse processo mexeu comigo. Minha autoestima foi abalada quando tive que raspar a cabeça e ver o meu marido. E, não tem jeito, você tem que encarar ou encarar, senão o que vai fazer? Ficar 6 meses, 1 ano em outro lugar, escondida das pessoas?"

Antonia é casada com Guilherme Frering e mãe de três filhos, Maria Teresa, Guilherme e Antônio Lorenzo. Ela não é uma amante da rotina fitness, mas, por já ter tido câncer, treina religiosamente com um personal trainer três vezes na semana: "Não gosto, mas sou muito disciplinada".

"Não faço ginástica porque quero ficar com o corpo assim ou assado, faço porque sei que vai me fazer bem, e mesmo fazendo acabei tendo câncer de novo. Imagina se não fizesse?!"

A atriz conta que não "vive de dieta" pois não tem tendência para engordar, mas é intolerante à lactose, o que limita um pouco a sua alimentação. Ela procura fazer refeições saudáveis —também por causa do histórico de saúde—, come arroz e feijão todos os dias, mas se aparecer um chocolate na frente, "ataca" sem neuras.

"Teve um dia em que me olhei no espelho e não tinha cabelo, sobrancelha, cílios, estava com cinco quilos a menos e tinha que entrar no centro cirúrgico, e falei: 'A única coisa que quero é que esse negócio [o tumor] saia de mim'. Ficou tão pequeno o problema do cabelo, do cílio..." Antonia Frering, 56, atriz

A importância do acompanhamento médico

Quem já passou por um tratamento de câncer deve fazer acompanhamento médico contínuo. No caso de Antonia, a consulta de revisão foi importante para descobrir um novo tumor.

"Não existe uma regra de acompanhamento a ser seguida por todos. A indicação da frequência de consultas e os exames a serem feitos vão ser definidos pelo tipo e subtipo de tumor, extensão da doença, risco de recidiva (volta do tumor no mesmo órgão ou outra parte do corpo) e pelo médico que acompanha o paciente", explica Rafael Kaliks, oncologista e diretor-científico do instituto Oncoguia.

Na maioria das vezes, a avaliação médica precisa ser mais intensa nos dois primeiros anos após o tratamento, pois nesse período o risco do tumor voltar é maior. Alguns tumores raramente ressurgem depois de três a cinco anos, mas pode acontecer; e há tumores que podem reaparecer até entre 20 ou 30 anos após o tratamento inicial.

O risco de recidiva é proporcional ao estágio em que a doença é tratada, grau tumoral, aspectos moleculares e o tipo de câncer.

"Quanto mais avançado o câncer for diagnosticado, mais intenso deverá ser o plano de cuidados. Para falar em cura, deve-se levar em conta o estadiamento (localização e extensão) da doença. Em linhas gerais, se o paciente tem uma doença que é passível de controle, se ficou sem evidência da doença após exames e análises, é considerado curado", afirma Angélica Nogueira, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

Cuidados essenciais para quem já teve câncer

Consultas periódicas
Ao término do tratamento, de uma maneira geral, as consultas são trimestrais no primeiro ano; quadrimestrais no segundo e terceiro anos; semestrais no quarto ano e, a partir do quinto ano, passam a ser anuais. O oncologista que acompanha o paciente é quem vai definir a melhor conduta.

Exames regulares
A periodicidade varia conforme o tipo de câncer. "Tumores de mama, pequenos e com receptores de hormônio, por exemplo, podem ser monitorados após cirurgia e radioterapia com consultas a cada três meses e exames de imagem anuais. Já o câncer de pulmão requer tomografias periódicas de seguimento com frequência maior", explica Kaliks.

Boa alimentação
Adotar uma dieta balanceada, dando prioridade a alimentos naturais e diminuindo a ingestão de álcool e carnes embutidas, é essencial para qualquer um que busque saúde, mas principalmente para quem já passou por um câncer. Além, claro, de evitar o consumo de ultraprocessados, já que diversos estudos relacionam a ingestão de produtos como doces, refrigerantes, bolachas, pães e outros alimentos repletos de conservantes, aditivos químicos e gorduras trans com o aumento do risco de câncer.

Exercícios físicos
"Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 13 tipos de câncer têm relação com a obesidade --o principal é o câncer de endométrio. O excesso de peso aumenta o risco de tumores pois as células de gordura produzem estrógeno, hormônio que estimula as células cancerígenas", explica a presidente da SBOC. Fazer atividades físicas para manter o peso controlado e apostar em exercícios de força (musculação) para manter a massa magra é fundamental para a saúde.

Não fumar
Modificar hábitos ruins é essencial, tanto para quem nunca teve câncer --como forma de prevenção-- quanto para quem já passou pela doença, e o tabagismo é um dos principais fatores de risco de câncer que é modificável. Deve parar de fumar, principalmente, quem passou por cânceres de pulmão, bexiga e cabeça e pescoço. Kaliks ressalta também a importância de usar protetor solar, até mesmo em dias nublados, para prevenir o câncer de pele.

Grupos de apoio
"É fundamental para o paciente curado compartilhar experiências e também estratégias de reabilitação física e mental. Isso traz resultados muito positivos", afirma Angélica Nogueira. A criação de uma rede de apoio e suporte --não só familiar e de amigos, mas também de contato com pessoas que já passaram pelo processo de diagnóstico/tratamento/cura de um câncer-- promove uma sensação de bem-estar e inclusão, em que pacientes podem dividir suas vitórias e criarem novos círculos de amizade com objetivos e histórias em comum.

Envelhecimento x vaidade

Avó, Antonia conta que é vaidosa, mas sem exageros, e fala que troca qualquer rotina de beleza, no spa, no salão ou no dermatologista, por um dia com os netos.

Sou vaidosa, mas de forma saudável, não tenho a obrigação de parecer mais jovem. Isso ficou muito claro pra mim depois dos 50. Não tenho obrigação de fazer nada, de me maquiar, de passar um ruge. Quanto mais eu vivo, mais percebo que a vaidade é uma exigência do outro

Experiente, a atriz fala que nunca teve medo de envelhecer, mas, sim, de não ter saúde. "Ainda não tive uma crise não [de envelhecimento], se ela vier, eu te ligo para contar", brinca e acrescenta: "Tenho muito esse negócio de gratidão, e antes de ser moda! O meu medo é de não ter boa saúde, não é de ter de uma ruga a mais. Raspar a cabeça por conta de um câncer, isso é ruim, não fazer 50 anos. Não vejo mais as coisas do mesmo jeito."

O passar dos anos também costuma trazer sabedoria e autoconhecimento, e Antonia conta uma grande lição que aprendeu: parar de buscar a perfeição e a excelência a todo custo.

"Não quero que nada mais seja excelente, só quero fazer o melhor que puder, e isso já é muito. Não quero mais ser perfeita, isso é uma coisa que os 50 te dá. Você não precisa agradar", aconselha.

"A minha liberdade interna ninguém vai tirar, mas a liberdade de ir e vir, todos nós perdemos [na pandemia], isso para mim é o mais difícil." Antonia Frering, 56, atriz

Planos adiados pela pandemia e reinvenção diária

Antonia descobriu a vocação para ser atriz há 20 anos, quando morava em Londres com a família. Se matriculou nas aulas de teatro e logo se apaixonou pelo ofício. No exterior, interpretou uma freira no longa "Madre Teresa de Calcutá" (2003), esteve nos filmes "You Can Run" (2003), "Bridget Jones: No Limite da Razão" (2004) e "Callas" (2006).

O trabalho internacional rendeu convites para participar de produções brasileiras, como "Se Eu Fosse Você" (2006), e as novelas "Cobras & Lagartos" (2006), "Três Irmãs" (2008), "Salve Jorge" (2012) e "Boogie Oogie" (2014).

Assim como a maioria das pessoas do mundo todo, ela também teve planos cancelados pela pandemia; por exemplo, o filme que ia fazer já foi adiado três vezes, mas ela sabe que não está sozinha e tenta agradecer pela saúde e crescer espiritualmente com o momento.

"Às vezes, fico meio desesperada porque quero sair, ver minhas amigas, quero ter uma vida, quero gravar, mas aí penso que não estou sozinha nisso, estou com todo o mundo, literalmente. É uma sensação misturada de tudo", conta.

Neste mais de um ano de isolamento, a atriz tem se reinventado todos os dias: cultivou uma horta, tem feito aulas online de literatura e história, começou a praticar ioga e faz esquetes divertidas para seus mais de 70 mil seguidores no Instagram.

Sobre o futuro? "Sonhar é possível e faz bem para alma, me dou ao luxo de sonhar que estarei com os meus filhos e trabalhando em breve", finaliza.

Matéria publicada pelo Viva Bem em 20/05/2021 por Bárbara Paludeti



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