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Mãe, ainda bem que é comigo!

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 18/06/2018 - Data de atualização: 18/06/2018


Acabei de desligar o telefone, era você, mais uma vez, perguntando se está tudo bem. Não basta eu responder por mensagem, é preciso se certificar que nada mudou desde as poucas horas atrás em que eu respondi à mesma pergunta. 

Sim, mãe, eu estou bem!

Vou agora mesmo jantar a marmitinha que eu trouxe da sua casa anteontem. Ainda tô meio brava porque na hora da divisão, a Chris ficou com a parte que eu mais gosto. Acho que foi de propósito (irmã caçula é fogo). Eu deveria ter armado uma briga porque sei que a senhora daria um jeito de satisfazer nós duas, nem que tivesse que voltar pra cozinha e fazer tudo de novo. Sim, sim... tem um monte de potinho aqui em casa, calma, prometo levar amanhã, até porque já sei que o cardápio é panqueca e Deus me livre ficar sem marmitinha na hora de ir embora. 

Eu sei, mesmo te dizendo que estou bem, a senhora está preocupada comigo. Sempre esteve. Sempre está! Você queria que eu ficasse perto o suficiente para que pudesse me proteger de tudo e todos. Mas eu me apaixonei e disse sim. Nunca esqueci do que me falou, entre lágrimas, quando fechei a última mala: "aqui sempre será sua casa”. É mãe, a verdade é que eu precisava mesmo desse porto seguro para ter coragem de seguir em frente com minhas escolhas.

Quantas vezes longe e vivendo minha solidão a dois, eu desejei seu colo e aquela sensação de ser a pessoa mais importante do mundo pra alguém. Me desculpa mãe, eu deveria ter sido sincera sobre meu sofrimento. Quem sabe seu afeto teria me curado antes que a dor do coração partido plantasse em mim o mais cruel dos carrascos. 

Naquele dia em que descobri que estava doente pensei em você e em como seria difícil te dar essa notícia. E foi. Mais triste do que ouvir do médico, foi te dizer "Mãe, eu estou com câncer”. Lembro exatamente do seu olhar perdido e de questionar se seria algo hereditário, embora ninguém nunca tivesse enfrentado esse diagnóstico na nossa família. Não mãe, as únicas células suas que herdei foram a do cabelo grosso, os olhos pequenos e a mão linda (modéstia à parte, a gente arrasa no quesito mão). 

Tem sido difícil esses últimos anos né mãe? 

Já são sete anos de tratamento, de idas e vindas da doença. Sete anos em que nunca te vi chorar na minha frente, ou reclamar de estar cansada de tudo o que passamos nas quatro paredes da sua casa (a que será sempre minha) quando vou me recuperar da quimioterapia. Aliás, ninguém faz a menor ideia do que a gente passa né? De todas as vezes em que não tive forças nem pra chegar sozinha no banheiro e precisou me dar apoio,  das vezes em que te deixei desesperada por eu não conseguir comer ou que precisou correr para o pronto socorro por eu não parar de vomitar. É uma batalha insana essa que nós enfrentamos...

Confesso que eu já fingi que estava dormindo várias vezes só pra você ir descansar, mas ouvia seus passinhos no corredor e sua mão sempre delicada medindo minha temperatura pra se certificar que realmente eu estava bem. Também confesso que, às vezes, digo que estou mais enjoada do que estou na verdade só pra poder explorar seus dons culinários. Tenho certeza que tá naquele suco verde temperado com amor o segredo do meu hemograma sempre bom, mesmo depois de 60 sessões de quimioterapia. 

Sabe mãe, nada no mundo me dá mais prazer do que te contar quando meu exame está bom. Vejo que são os segundo em que você consegue respirar aliviada. Mas também, nada dói mais do que te dizer que algo deu errado e teremos que recomeçar nossa luta regada a sucos de imunidade. 

Queria que nunca mais você precisasse chorar escondida. Queria poder te dizer que estou curada e vamos pagar todas as promessas que já fez. Queria te garantir que vamos envelhecer juntas e eu vou poder retribuir tudo o que tem feito por mim (mesmo eu não tendo suas habilidades culinárias). Queria nunca ter precisado falar friamente com você sobre morte e minhas "vontades” em relação a ela. Queria que dormisse tranquila sabendo que estou bem, saudável, feliz, realizando aquele velho sonho de ter ao meu lado alguém que me ame de verdade na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Queria acabar com toda dor e angústia que carrega no seu coração por não saber o que fazer pra, com um varinha mágica, resolver todos os meus problemas. Queria ter certeza de que você está feliz e curtindo sua merecida aposentadoria viajando o mundo ao invés de precisar, mais uma vez, parar tudo pra cuidar de mim.

É mãe, eu queria muitas coisas que não estão ao meu alcance, mas hoje, quero mesmo é te agradecer pelo cuidado, pelo carinho, pela paciência, pelas poderosas orações - que dizem que arrebenta as portas dos céus. Obrigada e me desculpe se nem sempre consigo manifestar o quanto eu tenho sorte por ser sua filha.

Eu sei o que está pensando, sempre vejo esse seu olhar de dor que grita: "EU PREFERIA QUE FOSSE COMIGO”

Mas mãe, te digo de todo meu coração, eu te amo! AINDA BEM QUE É COMIGO!

Seja como for, estaremos sempre juntas!
Beijos,
Ana 

As opiniões contidas nos artigos assinados pelos nossos colunistas refletem unicamente a opinião do autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.



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