[LINFOMA NÃO HODGKIN] Heloísa Orsolini Albertotti

Instituto Oncoguia - Você poderia se apresentar?

Heloísa Albertotti - Meu nome é Heloísa Orsolini Albertotti, tenho 29 anos, sou modelo, apresentadora, professora de Yoga e também sou formada em Economia! Nossa, quanta coisa, até me perco! Rsrsrs.

Instituto Oncoguia - Como você descobriu que estava com linfoma? Qual o tipo de linfoma que foi diagnosticado?

Heloísa Albertotti - Meu diagnóstico foi um longo processo! Eu tive uma trombose e alguns marcadores deram alterados. Depois disso comecei a investigar. Em um dos exames, descobri uma massa de 10cm x 8 cm no pulmão e mediastino e o médico me disse que provavelmente era um linfoma.

Meu primeiro pensamento foi: "Mas eu quero ter filhos!” rsrsr... Só que a biópsia não detectou o câncer e fiquei 1 mês tratando como se fosse uma infecção. Depois de mais de 20 dias internada, tive alta. Passadas duas semanas, me senti mal e refiz os exames: a massa tinha voltado a crescer.

Fui internada de novo e dessa vez fizeram uma biópsia a céu aberto, maior e mais confiável: com ela, não teria chance de erro! E foi aí que eu descobri o linfoma, no dia 20 de dezembro de 2011. É um linfoma Não-Hodgkin de grandes células b, nos pulmões e mediastino e vários outros lugares (o que é normal no caso de linfoma, já que é no sistema circulatório).

Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu?

Heloísa Albertotti - Como eu já tinha descartado o diagnóstico de linfoma uma vez, eu pensei: "Não acredito! Eu achei que estivesse livre dessa!”. Fiquei brava por todo o tempo que estava sendo tratada de outra coisa.

Chorei porque meu cabelo ia cair (e eu achei que estava livre disso!), pensei no sofrimento dos meus pais, do meu marido, dos meus irmãos... Mas em nenhum momento duvidei que ficaria boa, que seria só um período difícil na minha vida e que Deus estava cuidando de mim.

Instituto Oncoguia - Qual era a sua maior preocupação no momento em que te deram a notícia?

Heloísa Albertotti - Na primeira vez que pensei que estivesse com linfoma, meu primeiro pensamento foi que eu queria ter filhos. Fiquei preocupada pensando que talvez o tratamento me tornasse infértil, o que o médico me explicou que não aconteceria (por isso hoje eu tomo uma injeção para não ovular e, assim, proteger os ovários).

Na segunda vez, quando o diagnóstico foi certo, eu fiquei triste com o cabelo! Por que achei que estava livre disso... E depois fiquei com "preguiça” pensando em todo o tempo que ainda teria que enfrentar de tratamento, por que sempre soube que ficaria boa e que o ruim seria o tratamento.

Instituto Oncoguia - Quais foram os passos tomados após o recebimento do diagnóstico?

Heloísa Albertotti - Vários: diversas biópsias (de medula, de liquor), exames, a primeira quimio e o corte de cabelo. Chamei uma pessoa que foi no hospital e já cortou meu cabelo curto, meio chanel, para eu ir acostumando e desapegando do cabelão. O médico disse que era bem menos traumático cair o cabelo mais curto do que cair o cabelo comprido, então...

A cabeleireira que cortou o meu cabelo também trabalhava com perucas e já arrumei a minha primeira peruca: também chanel. Eu achei que seria menos traumático quando eu tirasse para tomar banho e dormir. Realmente é, mas eu não resisti e também comprei uma peruca mais comprida. Também uso muito lenço! E em casa fico careca mesmo!

Instituto Oncoguia - Em que momento do tratamento você se encontra agora?

Heloísa Albertotti
- Estou na metade do tratamento de quimioterapia: serão oito sessões e eu já fiz quatro. Elas são feitas em ciclos de 21 dias. Graças a Deus o tratamento está funcionando: o último PET scan mostrou que sumiu praticamente tudo!

Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual foi o tratamento mais difícil? Por quê?

Heloísa Albertotti - Alguns momentos foram os mais difíceis... Acessos venosos são sempre péssimos, principalmente os que não dão certo e os na parte interna do antebraço: dói muito!

Um dos piores momentos foi quando tentaram realizar o PIC, que é um acesso pelo qual passa um catéter mais longo e ele fica por mais tempo. É um procedimento feito sem anestesia e que geralmente dura 5 minutos. O meu durou uma hora e meia e não deu certo. Tentaram em 3 lugares diferentes e o catéter não subia, foi horrível. E o pós operatório da biópsia a céu aberto também foi sofrido, passei uns 5 dias vomitando demais por causa do Tramal, fora as dores...

Instituto Oncoguia - Você teve efeitos colaterais?

Heloísa Albertotti - Eu tive um efeito colateral umas duas horas depois da primeira quimio: muita tremedeira, como se estivesse com uma febre muito alta, mas a temperatura estava normal. O corpo inteiro tremia muito, depois de alguns minutos começou a dar cãimbra por causa do esforço muscular (involuntário). Fora isso, nunca mais! Claro, a queda de cabelo e um pouquinho de enjôo e cansaço nos dias seguintes às quimios.
 
Instituto Oncoguia - Como é a sua relação com o seu médico?
 
Heloísa Albertotti - Eu confio muito no meu médico. Sempre que tenho qualquer dúvida, ligo ou mando mensagem no celular dele e ele me responde.
 
Instituto Oncoguia - Você fez acompanhamento com equipe multiprofissional?

Heloísa Albertotti - Como eu disse, eu confio muito no meu médico e sempre que tenho dúvidas pergunto para ele. Não consultei uma nutricionista porque já tinha uma boa base nutricional (sempre fiz acompanhamento). No momento, tento me alimentar bem, mas sem restrições, já sofro suficiente rsrsrsr...

Também não como tudo que vejo pela frente: equilíbrio. Fui à ginecologista para tirar dúvidas nessa área (fiquei com vergonha de perguntar para o médico!) e foi ótimo. Ela me deu várias dicas importantes. Mas tudo que ela me receitou também passou pelo oncologista. Se ele der ok, eu faço! E ele deu ok para tudo.

Não tive acompanhamento psicológico porque até agora não precisei. Minha mãe é psicóloga e eu converso sempre com um padre amigo da família que é muito sensato. E meu blog é minha terapia!

Instituto Oncoguia - Na sua opinião, o que é mais difícil de enfrentar durante o tratamento e por quê?

Heloísa Albertotti - Várias coisas são difíceis, dependendo do momento de vida da pessoa. No meu caso, ficar careca é muito chato. Mas não faço disso um drama. Meu tratamento e meu tipo de câncer fazem a imunidade ficar muito baixa. Por isso, não posso ficar em lugares lotados e fechados, além de não poder dar beijo, abraço e aperto de mão em ninguém (exceto meus pais, irmãos e marido).

Isso é muitooooo chato, morro de vontade de abraçar as pessoas, mas obedeço as recomendações médicas à risca e por isso meu tratamento tem dado tão certo até agora. Evito comer fora de casa, ir ao cinema, viajar, pegar avião... Também estou sem trabalhar. Mas sei que é por pouco tempo e que vale a pena!

Instituto Oncoguia - O que foi fundamental e lhe ajudou a enfrentar o câncer?

Heloísa Albertotti - O apoio da família e dos amigos é mais que fundamental, por isso sou a favor de contar para todo mundo! Também são muito importantes: a autoestima em dia (me maquio todo dia e visto minhas melhores roupas!), o alto astral, o foco em tudo que é positivo e em nada de negativo (evitar estresse e pessimismo), um pouco de exercício (na medida do possível: no meu caso faço yoga e caminhadas leves de 30 minutos umas três vezes por semana)...

Acho que sempre ter conhecido meus valores e princípios e sempre ter procurado viver de acordo com eles é muito importante, pois num momento como esse é comum as pessoas enfrentarem muitos arrependimentos e culpas. Outra coisa que ajuda demais é o fato de eu sempre ter sido saudável, praticado exercícios, ter tido uma alimentação saudável e não fumar.

Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Nos conte sobre seu trabalho e planos para o futuro.

Heloísa Albertotti - Não estou trabalhando (por causa da imunidade, principalmente). Mas tenho gasto bastante tempo no blog e pretendo continuar com ele mesmo depois de ficar boa.

Também vou continuar trabalhando como modelo e tenho alguns planos em vista, mas nada concreto.

Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Heloísa Albertotti - A primeira é: mantenha a calma e o pensamento positivo! A medicina avançou muito e o tratamento evoluiu demais. É bem possível que sua visão sobre o câncer seja bem pior do que o que você realmente vai passar.

Além disso, mantenha-se muito próximo das pessoas queridas, mantenha a auto-estima (se cuide muito!), foque sempre no positivo, sorria e confie em Deus! Ele está pertinho de você!

Instituto Oncoguia - Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?

Heloísa Albertotti - No meu caso, como eu confio muito no meu médico, procuro não ficar pensando demais no caso. Deixo nas mãos dele. Acho que se eu pesquisar demais vou ver coisas ruins que vão me deixar tensa e preocupada, como já aconteceu. Deixo essa parte nas mãos do meu marido e do meu pai e eu fico aqui, só no pensamento positivo! rsrsrsr.

Não fico na ignorância, mas tento saber só o básico. Leio livros sobre alimentação saudável, sobre como ser feliz mesmo com câncer etc... Mas acho muito importante a população em geral ter o máximo de informação possível para se cuidar e, se tiver alguma coisa, conseguir diagnosticar logo. Quanto antes melhor! No meu caso, eu só descobri o linfoma porque fiquei indo atrás e não sosseguei enquanto não descobri o que eu tinha!

Instituto Oncoguia - Como você acredita que o trabalho do Oncoguia ajuda os pacientes? Te ajudou/ajuda de alguma forma?

Heloísa Albertotti - As informações sobre o câncer geralmente são subdivididas e "perdidas”. A gente acaba encontrando um pouquinho em cada lugar, é muito difícil. Acho importante ter um lugar que agregue tudo, facilita muito nossa vida! É muito importante também a confiança na informação e o Oncoguia é bom por isso, vemos que é uma coisa séria e bem estruturada.

Instituto Oncoguia - Mais alguma coisa que você gostaria de nos contar?

Heloísa Albertotti - Uma coisa que eu tenho percebido é que muita gente não conta para os outros que está com câncer e eu sou muito a favor de contar. Primeiro porque ninguém tem que ter vergonha por ter câncer. Isso é absurdo! Segundo porque receber o apoio das pessoas e trocar experiências é muito importante e ajuda demais no tratamento. Então, aqui vai meu recado: saia por aí espalhando! Rsrsrs...Assim a gente forma uma corrente de força e de energia!

Outro recadinho: eu tenho feito algumas campanhas de arrecadação de fundos para ONGs e instituições carentes no blog. No momento é o leilão de uma camiseta do Rogério Ceni, do SPFC, toda autografada pelos jogadores do time. A renda vai ser 100% revertida para caridade. Quem quiser ajudar, as informações estão no canto superior direito do blog.

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