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Instituto Oncoguia se posiciona a respeito do rastreamento mamográfico: estudo canadense acirra controvérsia

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 13/09/2015 - Data de atualização: 19/11/2015


Em 11 de Fevereiro de 2014 a revista British Medical Journal publicou um artigo que descreve os resultados com 25 anos de seguimento de mulheres canadenses que foram sorteadas para fazer mamografia de rastreamento ou apenas acompanhamento de rotina entre 1980 e 1985. Agora, os autores publicaram os resultados sobre o que ocorreu com os dois grupos. A principal pergunta deste estudo foi se ao submeter mulheres à mamografia anual de rotina por 5 anos, evitaria mortes por câncer de mama.

As 89.835 mulheres, divididas entre dois grupos por faixa etária (de 40 - 49 e de 50 - 59), eram submetidas a um primeiro exame físico, e a partir daí, sorteadas para fazer mamografia e exame anual, ou apenas "seguimento usual”, sem mamografia.

Os principais resultados foram os seguintes:

  1. Ao longo dos 5 anos de rastreamento, não houve diferença em termos de mortes por câncer de mama, embora no grupo de mamografia de rastreamento tenham sido diagnosticados mais casos de câncer. Este resultado foi observado tanto na faixa dos 40 - 49 quanto na faixa dos 50 - 59 anos de idade.

  2. Ao longo dos 25 anos de seguimento, embora no grupo de rastreamento tenham sido diagnosticado mais casos, mais uma vez não houve diferença em termos de mortes por câncer de mama.

  3. Em função do número de mortes por câncer ter sido semelhante, os autores afirmam que o número a mais de mulheres diagnosticadas com câncer graças à mamografia de rastreamento, mas que nem por isso permitiram uma redução da mortalidade, constituiriam overdiagnosis (sobrediagnóstico), ou seja, casos em que o diagnóstico não teria tido repercussão e portanto não precisariam ter sido diagnosticados.

  4. Os autores afirmam ao final do artigo que estas conclusões não podem ser extrapoladas para países com estruturas de saúde diferentes da do Canadá, ou países onde a incidência de câncer seja diferente.

Em função da imensa repercussão que esta publicação teve na mídia no mundo todo, especialmente por conta de que uma interpretação ao pé da letra dos resultados poderia levar à errônea concluso de que mamografia de rastreamento não mais deve ser feita, o Instituto Oncoguia vem por meio desta fazer alguns esclarecimentos:

  1. Este projeto canadense, realizado entre 1980 e 1985 usou equipamentos de mamografia completamente ultrapassados e pouco eficazes, a ponto de no grupo que fazia rastreamento os tumores terem sido diagnosticados com 1,9 cm na média, comparado com 2,1 cm no grupo que não fazia rastreamento. A mamografia atual diagnostica nódulos menores que 0,5 cm com frequência, e menores que 1 cm na grande maioria das vezes.

  2. Na realidade brasileira, a maior parte da população, independentemente de estar entre 40 - 49 ou 50 - 59 anos, não é examinada rotineiramente de maneira apropriada por um profissional de saúde. No Brasil, se uma mulher sentir um nódulo na mama, e procurar um médico no serviço público para então ser encaminhada para mamografia diagnóstica, ela demorará vários meses para conseguir chegar ao diagnóstico com biópsia. A chance de o tumor ainda ser pequeno e altamente curável neste momento será bastante reduzida. Assim, num sistema ainda deficiente, a única chance de diagnóstico precoce em nosso meio é a mamografia. Daí a conclusão dos autores de que não se pode extrapolar os resultados para outros países de realidades diferentes.

  3. Ao longo dos 15 anos que se seguiram após o término do estudo em 1985, o Canadá passou a implementar programas de rastreamento populacional com mamografia, de modo que muitas mulheres que haviam sido estudadas no grupo sem mamografia até 1985, passaram a fazer mamografias de rotina após o estudo. Estas mulheres podem ter sido diagnosticadas subsequentemente com câncer em estagio inicial graças a estas mamografias, sendo tratadas e curadas. Esta possibilidade faria com que ao longo de 25 anos, de fato, os grupos rastreados e não rastreados entre 1980 e 1985 tenham tido mortalidade por câncer de mama muito semelhante.

  4. Inúmeras críticas metodológicas na pesquisa tem sido levantadas pelas mais diversas sociedades médicas (sociedades de radiologia, de mastologia, de oncologia clínica, entre outras), todas elas com posicionamento favorável à continuidade do rastreamento mamográfico a nível populacional, mesmo em países semelhantes ao Canadá.

O Instituto Oncoguia, após discussão entre os membros de seu comitê científico, continua a defender que no Brasil seja oferecido rastreamento com mamografia a nível populacional para todas as mulheres a partir dos 40 anos, e a partir dos 35 anos (ou idade até menor em casos individualizados) em mulheres com risco elevado por conta de histórico familiar de câncer de mama e/ou ovário na família.

O Instituto Oncoguia reconhece que existe sim o risco de sobrediagnóstico com o aperfeiçoamento da tecnologia (mamografia digital, ressonância de mamas), que consegue detectar tumores que poderiam de fato nunca trazer agravo à saúde da mulher. Mas enquanto a ciência não permitir dizer qual tumor será irrelevante, todos devem ser tratados de maneira apropriada, o mais cedo possível. Em nosso meio, a única chance de que isto ocorra, é através da mamografia e detecção precoce.

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