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Imunoterapia revoluciona tratamento para câncer de pulmão

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 13/09/2021 - Data de atualização: 13/09/2021


A advogada Suzane de Castro, 62, fumou por exatos 33 anos e só conseguiu largar o cigarro quando o neto nasceu, em 2006. “Eu já vinha querendo parar fazia muito tempo, mas o cigarro é um vício terrível, era muito difícil. Meu neto era prematuro, ficou internado com problemas no pulmão, então decidi parar porque ele ia morar comigo. Larguei o cigarro por ele.”

Os primeiros três anos longe do cigarro foram de cuidado e alerta. A advogada ia anualmente ao pneumologista fazer exames de rotina para monitorar os efeitos do tabagismo em sua saúde, mas de repente parou. “Em algum momento eu meti na minha cabeça ‘pronto, agora eu estou livre do câncer!’. Foi o meu grande erro. Eu continuei a fazer exame de mama anualmente, a fazer papanicolau. Mas nunca ninguém me disse ‘olha, você foi fumante, é para o resto da vida a sua atenção’!”

E foi uma tosse intermitente que apareceu em 2016, dez anos após largar o cigarro, que a levou de volta ao consultório de um especialista. Depois de alguns exames, o diagnóstico: Suzane tinha tumor de 7 centímetros no pulmão e uma metástase no cérebro.

O câncer de pulmão é o segundo mais comum no mundo, ficando atrás apenas do câncer de próstata nos homens e do de mama em mulheres. E o tabagismo é uma das principais causas desse tipo específico de tumor: em cerca de 85% dos casos diagnosticados, está diretamente ligado ao consumo de derivados de tabaco. O fumante passivo, ou seja, aquele que nunca fumou, mas ficou exposto de forma indireta ao cigarro, também corre risco. E mesmo quando a pessoa consegue largar o vício, como no caso de Suzane, a possibilidade de ter o câncer de pulmão continua existindo, embora diminua ao longo do tempo.

Com o diagnóstico fechado, a equipe médica dividiu o tratamento de Suzane em duas frentes: uma radiocirurgia na cabeça (técnica que utiliza feixes de radiação sem necessidade de cortes) para tratar os dois microtumores encontrados no cérebro, e quimioterapia, para a lesão no pulmão. Após seis meses de tratamento, o câncer não aumentou, mas também não diminuiu. Foi aí que a equipe médica que cuida de Suzane sugeriu um outro tipo de tratamento, a imunoterapia.

TRATAMENTO REVOLUCIONÁRIO

Diferentemente da quimioterapia e da terapia-alvo, que possuem ação diretamente nas células tumorais, a imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico do paciente a identificar e combater o câncer, e tem se tornado uma ferramenta importante para os oncologistas nos últimos oito anos, quando o seu uso foi autorizado no Brasil. “A célula cancerosa tem a capacidade de enganar o sistema imune, de ‘desligar’ os mecanismos de reconhecimento dessas células no nosso corpo”, explica a diretora de Oncologia da Bristol Myers Squibb, Christina Matteucci. “Foi uma descoberta que revolucionou o tratamento do câncer. Foi tão revolucionário que os dois cientistas que desenvolveram as primeiras drogas de imunoterapia, que conseguiram ativar novamente o sistema imune para que ele combata o tumor, foram premiados com o prêmio Nobel de Medicina em 2018”, completa.

Os imunologistas James P. Alisson e Tasuko Honjo, cientistas apoiados pela farmacêutica Bristol Myers Squibb, descobriram que as células cancerígenas produzem proteínas que bloqueiam o linfócito T, nossa célula de defesa mais importante. A partir desse entendimento, criaram medicamentos que desfazem essa interrupção, recuperando o poder de reação do corpo perante o câncer. Segundo o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska na Suécia, essa descoberta valeu a mais alta premiação da ciência mundial por criar mais uma frente de tratamento contra o câncer, que até então contava apenas com a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia e a terapia-alvo molecular como alternativas terapêuticas.

Atualmente, a imunoterapia tem autorização para ser usada em pacientes com diversos tipos de câncer e em diferentes estágios da doença. “Quando a gente fala de câncer de pulmão há dois grandes grupos – o câncer de pulmão de células pequenas e o câncer de pulmão de células não pequenas, esse último responsável pela maioria dos casos (80% dos cânceres de pulmão)”, explica o oncologista e coordenador-médico do grupo Oncoclínicas do Rio de Janeiro, Pedro De Marchi. “Dentre esses cânceres de células não pequenas, 70% dos casos, infelizmente, já são diagnosticados quando a doença está avançada, ou seja, em estágios III ou IV. E a maioria desses pacientes é tratada com intuito paliativo; podemos apenas controlar a doença. Muitas vezes a gente não consegue fazer a cirurgia. Então é nesse cenário que a gente prescreve os imunoterápicos.”

SEM SINAIS DA DOENÇA DESDE 2018

Depois de seis meses de tratamento com imunoterapia, o tumor de pulmão da advogada Suzane de Castro diminuiu dois terços, e ela pôde finalmente ser operada. “Minha médica me disse, ‘olha, seu tumor diminuiu tanto que agora a gente acha que você pode tirar’. Em junho de 2018 eu fiz a cirurgia para tirar o tumor do pulmão, e os da cabeça nunca mais voltaram. Eu nunca mais tive outro sinal de metástase. Desde essa época meu pet-scan [exame de imagem usado para acompanhar a evolução da doença] está zerado”, comemora. Mesmo há três anos sem sinais da doença, Suzane ainda faz sessões mensais de imunoterapia, que duram 40 minutos e são administradas pela veia.

Apesar de não haver sinais de volta do câncer até o momento, o acompanhamento médico constante é fundamental para o controle da doença. O oncologista Pedro De Marchi lembra, ainda, que não existe tratamento contra o câncer isento de efeitos colaterais, mas os da imunoterapia podem ser mais leves, principalmente quando essa terapia não está sendo combinada com a quimioterapia, como no caso de Suzane. Mas os efeitos colaterais e a resposta ao tratamento imunoterápico, contudo, dependem de cada paciente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o uso de uma nova combinação de drogas para o tratamento de primeira linha de pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células metastático. Uma ótima notícia, segundo o oncologista Pedro De Marchi. “Ter mais de uma opção é o ideal, porque assim a gente deixa de tratar todo mundo da mesma forma. Os pacientes são diferentes, os tumores são diferentess e, com mais essa aprovação, conseguimos personalizar cada vez mais o tratamento que oferecemos aos nossos pacientes”, pontua.

ATENÇÃO AOS SINTOMAS

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que a cada ano sejam diagnosticados no Brasil 30.200 novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquio. Desses casos, 17.760 são em homens e 12.440, em mulheres, valor que corresponde a um risco estimado de 16,99 casos novos a cada 100 mil homens e 11,56 para cada 100 mil mulheres.

A maioria dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão tem 65 anos ou mais, enquanto um pequeno percentual de casos é diagnosticado em pessoas com menos de 45 anos. A idade média no momento do diagnóstico é de 70 anos.

Quanto mais cedo é feito o diagnóstico do câncer, melhor pode ser o prognóstico do paciente. E embora a maioria dos cânceres de pulmão seja assintomática, há alguns sinais e sintomas que merecem atenção. Tosse recorrente, com expectoração mucosa e/ou com sangue, deve ser motivo de alerta. Dor no peito, rouquidão, perda de apetite, perda de peso, falta de ar, fadiga e infecções de repetição também não devem ser ignorados.

Referências

Instituto Nacional do Câncer (INCA). https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pulmao Acesso em 16 de agosto de 2021.

Instituto Nacional do Câncer (INCA). https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pulmao Acesso em 16 de agosto de 2021.

Instituto Nacional do Câncer (INCA). https://www.inca.gov.br/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios Acesso em 16 de agosto de 2021.

Fonte: Estadão 



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