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Hormonioterapia para Câncer de Mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 06/10/2014 - Data de atualização: 22/06/2017


A terapia hormonal é uma forma de terapia sistêmica, o que significa que atinge células cancerosas em qualquer parte do corpo e não apenas na mama. Estes receptores são o receptor de estrogênio (RE) e de progesterona (RP), e sua presença qualitativa e quantitativa é determinada pela avaliação do tumor através da técnica denominada imunohistoquímica.

A terapia hormonal é frequentemente utilizada após a cirurgia, como terapia adjuvante, para ajudar a reduzir o risco da recidiva da doença. Às vezes, ela é iniciada antes da cirurgia, como terapia neoadjuvante. Geralmente é administrada por 5 anos.

A hormonioterapia também pode ser usada para tratar a recidiva da doença ou o câncer de mama avançado.

Cerca de 67% dos cânceres de mama são receptores hormonais positivos. Suas células têm receptores que se ligam aos hormônios estrogênio (RE+) e/ou progesterona (RP+). Para esses cânceres, altos níveis de estrogênio ajudam as células cancerosas a crescerem e se disseminarem.

Existem diversos tipos de hormonioterapia, que usam maneiras diferentes de evitar que o estrogênio ajude o câncer a crescer. A maioria dos tipos de terapia hormonal para câncer de mama diminuem os níveis de estrogênio ou impedem o estrogênio de atuar sobre as células cancerígenas da mama.

Medicamentos que bloqueiam os Receptores de Estrogênio


Esses medicamentos agem impedindo o estrogênio de atuar nas células do câncer de mama:

            Tamoxifeno

Este medicamento bloqueia os receptores de estrogênio nas células do câncer de mama. Isso impede o estrogênio de se unir às células cancerosas que as faze crescer e se dividir. Enquanto o tamoxifeno age como um antiestrogênio nas células da mama, ele age como estrogênio em outros órgãos, como útero e ossos. Por isso é denominado modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM).

O tamoxifeno pode ser usado de diversas maneiras:

  • Para mulheres com câncer de mama receptor hormonal positivo tratadas com cirurgia, o tamoxifeno pode diminuir as chances de recidiva e aumentar a sobrevida. Também pode reduzir o risco de um novo câncer na outra mama. O tamoxifeno pode ser iniciado após a cirurgia (terapia adjuvante) ou antes da cirurgia (terapia neoadjuvante) e geralmente é administrado por 5 a 10 anos. Para câncer de mama em estágio inicial, é usado principalmente em mulheres que ainda não chegaram à menopausa.
  • Para mulheres tratadas para carcinoma ductal in situ, com receptor hormonal positivo, administrar tamoxifeno por 5 anos diminui a chance de recidiva. Também reduz a chance de ter câncer de mama invasivo.
  • Para mulheres com câncer de mama hormonal positivo disseminado para outros órgãos, o tamoxifeno pode muitas vezes ajudar a diminuir ou bloquear o crescimento do tumor e reduzir alguns tumores.
  • Em mulheres com alto risco de câncer de mama, o tamoxifeno pode ser usado para reduzir o risco de desenvolver câncer de mama.

Toremifeno. É outro SERM que age de forma similar, mas é usado com menos frequência e só está aprovado para tratar câncer de mama avançado. Não é provável que responda se o tamoxifeno já foi usado e deixou de responder.

Esses medicamentos são administrados, por via oral.

Os efeitos colaterais mais frequentes do tamoxifeno e do toremifeno são:

  • Fadiga.
  • Ondas de calor.
  • Secura vaginal.
  • Mudanças de humor.

Algumas mulheres com doença disseminada nos ossos podem ter dor e inchaço nos músculos e nos ossos. Isso geralmente diminui rapidamente, mas em alguns casos raros, a mulher pode também apresentar altos níveis de cálcio no sangue que são difíceis de controlar. Se isso acontecer, o tratamento pode precisar ser interrompido por um determinado tempo.

Os possíveis efeitos colaterais são raros, mas importantes:

  • Esses medicamentos podem aumentar o risco de desenvolver cânceres de útero (câncer de endométrio e sarcoma uterino) em mulheres que já passaram a menopausa. Informe seu médico imediatamente se tiver qualquer sangramento vaginal, um sintoma comum desses cânceres. A maioria das hemorragias uterinas não é câncer, mas esse sintoma sempre precisa de atenção imediata.
  • Formação de coágulos sanguíneos são outro possível efeito colateral importante. Geralmente se formam nas pernas e são denominados trombose, mas às vezes podem complicar e provocar embolia pulmonar. Ligue para seu médico imediatamente se apresentar sintomas, como dor, vermelhidão ou inchaço na perna, falta de ar ou dor no peito.
  • Raramente, o tamoxifeno tem sido associado a acidentes vasculares cerebrais em mulheres na pós-menopausa. Portanto, informe seu médico se apresentar sintomas, como dores de cabeça severas, confusão ou problemas na fala ou para se movimentar.
  • Esses medicamentos também podem aumentar o risco de problemas cardíacos.

Dependendo se a mulher já passou a menopausa (ou não), o tamoxifeno pode ter efeitos diferentes nos ossos. Em mulheres na pré-menopausa, o tamoxifeno pode provocar algum desgaste ósseo, mas em mulheres na pós-menopausa muitas vezes fortalece o osso.

Os benefícios desses medicamentos superam os riscos para quase todas as mulheres com câncer de mama receptor de hormônio positivo.

            Fulvestranto

O fulvestranto é um medicamento que bloqueia os receptores de estrogênio e os elimina temporariamente. Este medicamento não é um SERM - age como um antiestrogênio em todo o organismo.

Na maioria das vezes, o fulvestranto é usado para tratar o câncer de mama avançado após outros medicamentos hormonais, como o tamoxifeno e, muitas vezes, um inibidor de aromatase, pararam de responder.

É administrado em injeções por via intramuscular. No primeiro mês, a cada duas semanas. Após é administrado mensalmente.

Os efeitos colaterais comuns a curto prazo podem incluir:

  • Ondas de calor.
  • Sudorese noturno.
  • Náuseas.
  • Fadiga.

Como o fulvestranto bloqueia o estrogênio, na teoria pode provocar osteoporose se for usado por um longo período de tempo.

Tratamentos que reduzem os Níveis de Estrogênio

Alguns tratamentos hormonais agem diminuindo o nível de estrogênio no organismo. Como o estrogênio incentiva o câncer de mama receptor hormonal positivo a crescer, diminuir o nível de estrogênio pode diminuir o crescimento do câncer ou evitar a recidiva.

            Inibidores de Aromatase

Os inibidores de aromatase são medicamentos que impedem a produção de estrogênio. Antes da menopausa, a maioria do estrogênio é produzida pelos ovários. Mas para mulheres cujos ovários não estão funcionando, seja devido menopausa ou a determinados tratamentos, uma pequena quantidade de estrogênio ainda é produzida pela enzima aromatase no tecido adiposo. Os inibidores de aromatase agem bloqueando essa enzima.

Esses medicamentos são mais úteis em mulheres que já passaram a menopausa, embora também possam ser usados em mulheres na pré-menopausa se combinados com a ablação do ovário.

Existem três inibidores de aromatase indicados para o tratamento do câncer de mama:

  • Letrozol.
  • Anastrozol.
  • Exemestano.

Essas drogas são administrados por via oral diariamente.

Os esquemas de tratamento conhecidos como úteis para esses medicamentos incluem:

  • Tamoxifeno, por 2 a 3 anos, seguido por um inibidor de aromatase até completar 5 anos de tratamento.
  • Tamoxifeno, por 5 anos, seguido de inibidor de aromatase por 5 anos.
  • Inibidor de aromatase, por 5 anos.

Possíveis Efeitos Colaterais. Os inibidores de aromatase tendem a ter menos efeitos colaterais importantes comparados com o tamoxifeno. Eles não provocam câncer de útero e raramente causam trombose. No entanto, os inibidores de aromatase provocam frequentemente dores articulares, que podem ser semelhantes aos sintomas de artrite em diferentes articulações simultaneamente. Este efeito colateral pode melhorar trocando o inibidor de aromatase. Se isso acontecer, a maioria dos médicos indica o uso de tamoxifeno para completar os 5 anos de hormonioterapia.

Como os inibidores de aromatase removem todo o estrogênio após a menopausa, podem provocar osteoporose e até mesmo fraturas. Se você está tomando um inibidor de aromatase, seu médico pode prescrever medicamentos para fortalecer os ossos, como bisfosfonatos ou denosumabe.

            Ablação Ovariana

A ablação do ovário é mais frequentemente realizada para tratar o câncer de mama avançado, mas também pode ser feita em algumas mulheres com doença em estágio inicial. A mulher entra na pós menopausa após a ablação dos ovários, o que pode permitir que algumas terapias hormonais, como os inibidores de aromatase respondam melhor.

Existem diversas maneiras de remover ou desativar a função dos ovários:

  • Ooforectomia. A cirurgia é realizada para remover os ovários. É uma forma de ablação ovariana permanente.
  • Análogos de LHRH (o Receptor do Hormônio Liberador do Hormônio Luteinizante).  Esses medicamentos são usados com mais frequência do que a ooforectomia. Eles bloqueiam o sinal que o corpo envia aos ovários para produzir estrogênio, provocando menopausa temporária. Os medicamentos análogos de LHRH incluem a goserelina e o leuprolide, que podem ser usados isoladamente ou com outros medicamentos hormonais (tamoxifeno, inibidores de aromatase, fulvestranto), como terapia hormonal em mulheres na pré-menopausa.
  • Medicamentos Quimioterápicos. Algumas quimioterápicos podem danificar os ovários das mulheres na pré-menopausa, que já não produzem estrogênio. Para algumas mulheres, a função ovárica retorna meses ou anos mais tarde, mas em outras, o dano aos ovários é permanente e leva à menopausa. Esse efeito colateral às vezes pode ser uma consequência útil da quimioterapia em relação ao tratamento do câncer de mama.

Todos esses métodos podem provocar sintomas de menopausa, incluindo ondas de calor, sudorese noturna, secura vaginal e alterações no humor.

Tipos menos comuns de Hormonioterapia

No passado, alguns outros tipos de hormonioterapia foram bastante utilizados, mas, atualmente, raramente são administrados. Esses incluem:

  • Acetato de Megestrol, um medicamento do tipo progesterona.
  • Andrógenos (hormônios masculinos).
  • Altas doses de estrogênio.

Estas podem ser uma opção se outras formas de terapia hormonal já não responderem, mas como quaisquer medicamentos podem provocar efeitos colaterais.

Fonte: American Cancer Society (18/08/2016)


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