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'Há dois tipos de câncer de útero. Um deles pode ser eliminado com vacina e exames', diz diretora da Sociedade de Oncologia

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 07/12/2020 - Data de atualização: 07/12/2020


A apresentadora Fátima Bernardes revelou em um post nas redes sociais que está com câncer no útero e que fará uma cirurgia. No post, ela afirma que a doença foi diagnosticada nos exames de rotina e que está em estágio inicial.

Fala-se pouco no Brasil sobre o câncer de útero, apesar dos 22 mil casos anuais da doença registrados no país. Poucas mulheres sabem que existem dois desse tipo de câncer: o câncer do colo do útero e o câncer no corpo do útero, esse último também é conhecido como câncer do endométrio. Fatima Bernardes não revelou o tipo de câncer de que sofre. Mas é importante saber que cada um desses dois tipos é causado por fatores diferentes e tem tratamento específico.

A médica Angelica Nogueira, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e coordenadora do Comitê de Tumores Ginecológicos, explica abaixo as principais diferenças entre os dois tipos da doença, a prevenção possível e os tratamentos no caso de um diagnóstico positivo. Ela faz um alerta: "Um desses tipos de câncer, o do colo do útero, pode ser eliminado no Brasil, com vacinação e o exame preventivo papanicolau, mas não estamos dando a atenção devida a isso."

CELINA: Há dois tipos de câncer do útero. Quais são eles?

ANGÉLICA NOGUEIRA: Fatima Bernardes disse que está com câncer do útero, mas não revelou qual deles. É importante saber que são dois: o câncer do colo do útero e o câncer do corpo do útero, que também é conhecido como câncer do endométrio porque é aí que ele se desenvolve.

Hoje, o câncer do colo do útero, que é causado pelo vírus HPV, é mais comum em países de média e baixa renda. Mas ele pode deixar de ser um problema de saúde pública com vacinação e o exame Papanicolau. Já o câncer do corpo do útero vem do envelhecimento, da exposição hormonal e da obesidade. Ele é mais comum nos países desenvolvidos, que têm população mais velha e mais obesa. Mas é importante estarmos atentos porque esse tipo de câncer está aumentando no mundo.

Nos últimos anos, tem-se falado mais do câncer do colo do útero, muito por conta do HPV. O que é esse tipo de câncer? É possível preveni-lo?

O câncer do colo do útero corresponde a 3/4 dos casos de câncer do útero no Brasil. Ele é causado por um vírus, o HPV, que, na verdade, é o responsável por seis tipos de câncer: colo do útero, vulva, vagina, pênis, canal anal e orofaringe. A descoberta de que o HPV é o responsável por essas doenças foi premiada com o Nobel na década de 1980, e ela é realmente muito importante, porque a partir daí entendemos que o HPV é uma infecção que começa benigna e que pode se tornar um câncer. Mas, o câncer do colo do útero pode ser eliminado com a associação de vacina e exame preventivo, conhecido como papanicolau.

Como eliminar o câncer do colo do útero?

Existe uma vacina segura e eficaz contra o HPV, da qual já foram produzidas 300 milhões de doses no mundo. Na Suécia foi feito o primeiro estudo em um país que conseguiu reduzir o número de casos, a ponto de essa doença não ser mais um problema de saúde pública. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que a associação de vacinação e exame preventivo papanicolau pode fazer isso. É preciso vacinar meninas e meninos. No Brasil, os postos de saúde pública têm a vacinação disponível para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14. Vacinar meninas e meninos antes do início da vida sexual pode parar a transmissão do vírus HPV. Associando essa vacinação ao exame Papanicolau, que pode detectar a infecção, conseguiremos que o câncer do colo do útero deixe de ser um problema de saúde pública no Brasil.

A vacina contra o HPV está disponível, mas fala-se pouco dela.

Isso é realmente um problema. Nos postos de saúde pública, ela está disponível para uma determinada faixa etária, que é a ideal. Mulheres e homens mais velhos, se tiverem condições, podem se vacinar em clínicas particulares. O que acontece é que, em 2014, tínhamos uma taxa de cobertura da vacinação contra o HPV de 90% das meninas. Em 2019, ela caiu para 50% das meninas. É preciso que as campanhas de vacinação voltem às escolas porque adolescentes não vão ao posto. A mãe leva a criança, mas o adolescente não vai sozinho. Tem que ter vacinação contra HPV nas escolas.

Você mencionou os meninos. Quando se fala em HPV, logo pensamos em meninas. Mas eles também precisam se vacinar, não é?

Sim. É importante que os meninos sejam vacinados por dois motivos. Primeiro, porque o vírus HPV pode causar outros tipos de câncer que se desenvolvem em homens, como o câncer do pênis, do canal anal e da orofaringe. Além disso, mesmo que eles não desenvolvam a infecção, como pode ocorrer com as meninas e mulheres, os homens são vetores. Então, quando um menino ou um homem se vacina, ele está se protegendo de três tipos de câncer causado pelo HPV e também está parando a transmissão do vírus, ou seja, está ajudando as mulheres.

O Papanicolau, também conhecido como preventivo, é importante para controlar o câncer do colo do útero. Qual a periodicidade correta para fazer esse exame?

O Papanicolau está disponível na rede pública brasileira e ele pode diagnosticar a infecção, que, se não for tratada, pode virar um câncer. Eu defendo o que o Ministério da Saúde defende: dos 25 aos 65 anos, depois de dois resultados negativos em exames anuais, o Papanicolau pode passar a ser feito a cada três anos. Infelizmente, a taxa de cobertura para este exame é de apenas 25%, ou seja, 75% das mulheres brasileiras não o fazem. Uma pesquisa sobre isso teve três respostas mais comuns: as mulheres disseram que não fazem o Papanicolau por vergonha, por falta de informação e por falta de vontade.

O que pode ser feito para incentivá-las?

Campanhas. Falamos tanto sobre outros tipos de câncer, como o câncer de mama, mas não falamos sobre o câncer do colo do útero, que é uma doença que pode ser eliminada se meninas e meninos forem vacinados e se as mulheres fizerem o Papanicolau. Isso deve ser levado a sério porque o câncer do colo do útero mata 6 mil mulheres por ano.

Quais as consequências do câncer do colo do útero para a mulher?

A perda de fertilidade é uma delas. De 60% a 70% das pacientes com esse diagnóstico são candidatas a cirurgia; 10% das pacientes têm metástase e vão para um tratamento paliativo. A taxa de mortalidade do câncer do colo do útero é alta: 30%.

E o câncer do corpo do útero?

Ele é mais comum no pós-menopausa, por conta de fatores como envelhecimento, exposição hormonal e obesidade. No Brasil., 6.500 mulheres são diagnosticadas anualmente com câncer do corpo do útero em estágio inicial. Os sintomas aparecem logo; se a mulher notar sangramento no período pós-menopausa, ela precisa procurar um médico para uma avaliação. Nosso país se prepara para um aumento de casos de câncer do corpo do útero. Isso acontece porque, além do envelhecimento da população, a obesidade é um fator importante. Hoje, 50% da população feminina brasileira tem sobrepeso, e 20% é obesa. É preciso fazer atividade física.

Há influência genética nesse tipo de câncer?

Sim. O câncer do corpo do útero tem associação familiar, de 5% a 10% são hereditários. Se alguém na família tiver tido a síndrome de Lynch, é bom investigar.

Como o câncer do corpo do útero é tratado?

O câncer do colo do útero, ou câncer do endométrio, costuma ser diagnosticado cedo. Em seu estágio inicial, é possível fazer cirurgia em que útero, trompas e ovários são retirados. Isso pode ser feito em uma cirurgia aberta, convencional, ou com técnicas minimamente invasivas, como a robótica e a laparoscópica. Todas estão disponíveis no sistema de saúde brasileiro. Mesmo a robótica, que é feita em centros de excelência, como o Instituto Nacional do Câncer. De acordo com o estado clínico da paciente, o médico decide qual a melhor opção.

Casos intermediários de câncer do corpo do útero podem ser tratados com uma combinação de quimioterapia e radioterapia ou com uma ou outra. Quando há metástase, dependendo do tipo de tumor, há soluções medicamentosas, como quimioterapia, imunoterapia e drogas-alvo.

Fonte: O Globo

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.

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