Categorias


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Varian Bristol MerckSerono Lilly Amgen Pfizer AstraZeneca Bayer Janssen MSD Mundipharma Takeda Astellas UICC GBT Abbvie Ipsen Danone Nutricia Sanofi Grunenthal Sirtex Servier Oncologia


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

Ex-pacientes de câncer relatam dificuldades e discriminação no mercado de trabalho

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 06/08/2020 - Data de atualização: 06/08/2020


As dificuldades enfrentadas por uma pessoa que teve câncer não terminam junto com a cura da doença. Relatos de pacientes recuperados citam estigmas e desconhecimento em um cenário no qual se busca a reinserção social e profissional. O resultado algumas vezes é o oposto, com a demissão ou revogação de nomeação em cargo público.

A advogada Marília Biscuola, de 33 anos, vive situação semelhante. Ela teve a nomeação em um concurso público estadual revogada em junho por ter enfrentado um câncer em estágio inicial há mais de dois anos, logo após prestar a seleção. “Era um nódulo muito pequeno, tinha menos de um centímetro, nem precisei fazer quimioterapia”, explica.

Depois da doença, a advogada fez entrevistas e exerceu serviços de assessoria jurídica normalmente em outro órgão público paulista, do qual se demitiu com a nomeação. Ela fez, então, os exames para assumir o novo cargo, no qual teve de informar o histórico de saúde. “Aí saiu no Diário Oficial, ‘não apta’”, recorda.

Marília entrou com uma ação e conseguiu uma liminar, mas lamenta que o processo possa se arrastar por anos. “As pessoas acham que só o tratamento é difícil. Difícil também é depois”, desabafa. “Se com 33 anos eu não posso trabalhar, o que eu vou fazer da vida? Foi revoltante.” Ela diz perceber um estigma. Fala da expressão de “luto” que já viu de pessoas ao contar que já teve a doença. “Cada caso precisa ser analisado individualmente”, destaca. “O trabalho é um direito fundamental. A gente sem trabalho não é nada nessa vida.”

Em nota, o Governo do Estado justificou utilizar como base o Manual de Perícia Médica do Servidor Público Federal, “que somente considera a pessoa como não portadora de neoplasia maligna quando após 5 anos de acompanhamento clínico não apresentar evidência de doença ativa”. “Avaliações de candidatos são realizadas por médicos especialistas da área da patologia ou por médico especialista em Perícia Médica e Medicina Legal que está habilitado a avaliar todas as situações. Foi o que ocorreu no caso da candidata.”

Atualização. Situações desse tipo estão espalhadas pelo País, e parte delas vai parar nos tribunais. Na Justiça, enfrentam decisões variadas: tanto reconhecem a discriminação dos profissionais com histórico de câncer quanto também tomam o lado oposto, ao dizer que se trata de uma doença não discriminatória.

Uma pesquisa de setembro feita pelo LinkedIn e a Fundação Laço Rosa apontou, por exemplo, que 31% das pessoas que têm ou já tiveram a doença continuaram trabalhando durante o tratamento. Além disso, outras 18% afirmaram ter sofrido dispensa discriminatória, enquanto 26% desconheciam o termo.

Em 2019, decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aplicou a súmula de dispensa discriminatória para determinar a readmissão de um executivo de uma grande empresa que teve câncer de próstata. Na ocasião, o ministro Cláudio Brandão chegou a destacar que “no meio social do Brasil de hoje, o câncer ainda causa estigma, a começar pela possibilidade de morte, muitas vezes iminente.”

Diretor de Advocacy do Instituto Oncoguia, Tiago Matos atribui a frequência de relatos de discriminação a uma “questão cultural” e a uma legislação “frágil”. “É uma reclamação constante”, diz. “Quando você tem uma quantidade muito grande de ações judiciais é porque a legislação está falha ou falhou na fiscalização do cumprimento.”

“Isso acontece muitas vezes, por uma falsa impressão de que a pessoa que teve câncer não vai produzir como antes”, ressalta. “Na prática, a gente ainda vê muita gente sendo mandada embora no dia seguinte que volta do auxílio-doença.”

Para o advogado, uma possível discriminação precisa de análise individual, para compreender as circunstâncias da demissão ou da revogação da nomeação. Dentre os elementos que sinalizam isso, estão o período de tempo que ocorreu após o retorno da licença e as características do câncer a que a pessoa foi acometida. “Cada caso precisa ser analisado individualmente, no contexto. O câncer é doença em que as pessoas podem viver cronicamente durante anos.”

Licença. Situação oposta vive a professora de educação física Suany Ataides, de 35 anos, que está em tratamento para o câncer e ficou com sequelas no braço esquerdo após uma cirurgia reconstrutiva. Entre o segundo semestre de 2019 e o início de 2020, antes da pandemia, teve de realizar atividades programáticas nas escolas em que trabalha mesmo quando essas lhe causavam fortes dores.

Por causa das dores, ela chegou a deixar a fisioterapia e focar apenas em tratamentos para aliviar a situação, como massagens e acupuntura. “Sinto muito dor e, quanto mais mexo, pior fica. O acompanhamento médico ajuda aliviar, mas não é suficiente quando se está mexendo o braço”, relata.

A sequela também dificulta os movimentos e a impede de levantar peso. Quando exercia as atividades profissionais presenciais, antes da pandemia, precisava pedir ajuda a outras professoras ou aos próprios alunos para instalar equipamentos e ensinar determinados movimentos.

Ela narra ter adaptado algumas atividades, mas que as sequelas a impedem de cumprir todo o conteúdo programático. No ensino fundamental, por exemplo, precisa demonstrar e ajudar as crianças a darem cambalhotas. Se for cumprir essa atividade, terá de realizar diversas vezes um movimento que lhe causa dores. “Como não posso carregar com o braço esquerdo, estou fazendo tudo com o lado direito e machucando esse lado também. É horrível.”

Em nota, o Governo do Estado de São Paulo disse que a professora tem contrato temporário e que a avaliação não é competência do Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME).

Matéria publicada pelo Estadão e Uol e 31/07/2020. Por Priscila Mengue.



Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2020 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive