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Estilo de vida saudável reduz chance de câncer até para quem tem risco genético

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 09/08/2021 - Data de atualização: 09/08/2021


Um estilo de vida mais saudável, sem consumo de cigarros e bebida alcoólica, baixo índice de massa corporal e com prática regular de atividades físicas, pode contribuir para a diminuição da incidência de câncer mesmo em pessoas com alto risco genético para o desenvolvimento de tumores.

A conclusão é de um recente estudo publicado na revista científica Cancer Research, da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer, que avaliou dados genéticos e de estilo de vida de um biobanco inglês com 202.842 homens e 239.659 mulheres. O trabalho envolveu o cálculo do risco individual genético para 16 cânceres em homens e 18 em mulheres.

Entre os pacientes com alto risco genético, a incidência de câncer em cinco anos foi 5,51% em homens e 3,69% em mulheres com estilo de vida mais saudável —contra 7,23% em homens e 5,77% em mulheres com estilo de vida não saudável.

Pacientes com estilo de vida menos saudável e risco genético mais alto tiveram 2,99 vezes (nos homens) e 2,38 vezes (nas mulheres) mais probabilidade de desenvolver câncer do que aqueles com um estilo de vida saudável e com um risco genético mais baixo.

Para a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz, diretora do corpo clínico do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), o grande mérito do trabalho foi demonstrar que é possível modificar o risco de câncer adquirindo hábitos saudáveis, independentemente do risco genético que a pessoa já tenha.

“Quando você tem os cinco hábitos de vida saudáveis, você fica num risco menor de desenvolver câncer, mesmo tendo predisposição genética. Quando só tem um ou nenhum, o risco aumenta para principais tipos de câncer”, explica a médica.

Há um conjunto de evidências demonstrando, por exemplo, que a obesidade leva a alterações hormonais e estados inflamatórios que aumentam o risco de câncer. “Essas questões ligadas aos hábitos de vida agem em diferentes momentos do metabolismo celular que estão associados ao câncer. Não há uma explicação única”, diz ela.

Segundo o cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, mais de três quartos dos cânceres são causados por alterações genéticas no tecido alvo. O cigarro, por exemplo, altera a genética do pulmão e uma dieta não saudável, a do intestino.

“As pessoas que têm predisposições genéticas constitucionais, seja por um único gene importante ou por vários menos importantes ao mesmo tempo, estão muito mais sujeitas às agressões ambientais do que os indivíduos que têm uma carga genética intacta [por isso, o impacto é maior]”, afirma.

O cirurgião oncológico José Luiz Bevilacqua, professor da pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês, reforça que um estilo de vida saudável pode prevenir não só o câncer mas também uma série de outras doenças, como as cardiovasculares, que matam até mais que o câncer.

A pesquisa chega em um momento em que há uma grande preocupação sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 na qualidade de vida dos pacientes crônicos.

Um estudo da USP mostrou, por exemplo, que um grupo de mulheres sobreviventes do câncer de mama piorou suas condições de saúde durante a crise sanitária.

Antes praticantes de canoagem na raia olímpica da USP, 90% delas reduziram ou pararam essa atividade durante o isolamento social. Como consequência, ganharam de um a 15 quilos de peso corporal. A maioria (58%) também apresentou sintomas de Covid-19.

“Inatividade física e aumento da massa corpórea são dois fatores de risco associadas à reincidência de vários tipos de câncer, inclusive o de mama”, diz Patrícia Chakur Brum, coordenadora da pesquisa e professora de fisiopatologia do exercício, da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

O estudo envolveu 41 mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama (como mastectomia, quimioterapia e radioterapia) no SUS e, depois de reabilitadas, começaram a remar dentro de um grupo chamado Remama. São monitoradas por profissionais de educação física e professores da USP.

Com os resultados preocupantes apontados no estudo, os professores da USP iniciaram um novo projeto, o Remama online, para que elas continuem praticando exercícios em casa. Segundo Brum, a literatura científica mostra que a atividade física pode prevenir ao menos 13 tipos de câncer, como o de mama, próstata e cólon.

“O que exatamente o exercício faz nas células tumorais, imunes e nos marcadores genéticos é ainda um conhecimento incipiente. Precisamos de muito investimento em pesquisa para que a gente entenda isso”, diz ela, que foi uma das ganhadoras do prêmio Octavio Frias de Oliveira

Para ela, tantos os exercícios físicos como a promoção de hábitos de vida mais saudáveis deveriam ser prioridades nas políticas públicas de saúde. “Mas isso continua sendo negligenciado.”

A oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz também viu piora nos indicadores de saúde de pacientes de ambos os sexos em ambulatórios públicos e privados. “As pessoas pararam as atividades físicas, descuidaram da dieta, ganharam muito peso, estão consumindo mais bebidas alcoólicas, algumas voltaram a fumar.”

Segundo ela, nesta retomada dos serviços de saúde, fala-se muito dos pacientes com sequelas da Covid-19, mas ainda não está sendo discutido o impacto a longo prazo desse aumento da obesidade, do consumo de álcool, do sedentarismo e da alimentação de má qualidade.

Como foi feita a pesquisa

Um dos grandes méritos da pesquisa publicada na revista Cancer Research foi criar um escore de risco poligênico para o câncer, ou seja, a chance de a pessoa desenvolver câncer baseado no conjunto dos genes, para tumores em geral, e não apenas para um câncer específico para o qual ela já tem uma predisposição.

“A gente sempre faz um discurso muito individualizado. Por exemplo, você não fumar te protege dos cânceres associados ao cigarro. O artigo olha isso de maneira mais global”, afirma a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz.

Com base nas informações do biobanco inglês, os pesquisadores classificaram cada paciente como tendo um estilo de vida geral desfavorável (de zero a um fator saudável), intermediário (dois a três fatores saudáveis) ou favorável (quatro a cinco fatores saudáveis).

Foram usados métodos estatísticos para combinar essas pontuações em uma única medida de risco de câncer, com base na proporção relativa de cada tipo de tumor na população em geral. E, por fim, gerados escores de riscos separados para homens e mulheres.

Os pacientes com maior escore de risco poligênico para o câncer eram quase duas vezes mais prováveis (no caso de homens) de ter um diagnóstico de câncer cinco anos depois. Nas mulheres, risco foi de 1,6 vez.

Fonte: Folha de S.Paulo 



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