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Especial Outubro Rosa: “A falta do meu seio me transformou em uma mulher forte”, diz Evelin Scarelli

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/10/2013 - Data de atualização: 15/10/2013


Evelin Scarelli

"Lembro-me de ter acordado, aos 23 anos, e colocado automaticamente a mão no seio esquerdo. Confesso que nem eu e nem a minha ginecologista na época tínhamos esse costume. Cresci ouvindo a respeito do câncer como no Harry Potter, onde não se podia "nomear" o grande vilão da história para não atraí-lo. Estava de férias em Atibaia (minha cidade natal) e resolvi passar em um médico por lá mesmo. Ele me pediu um exame de ultrassom. O nódulo palpável tinha o tamanho de um caroço de pêssego e segundo o exame, todas as características benignidade, o que fez o médico me aconselhar a deixá-lo onde estava, considerando que voltaria outras vezes no decorrer da minha vida. O início de diagnóstico foi um processo pra lá de diferente até para o meu novo médico. Estávamos completamente despreocupados e quando o resultado da biópsia chegou, ele mesmo não acreditou no diagnóstico e mandou para revisão. Demorou um pouco mais de um mês até que o resultado da biópsia chegasse em nossas mãos. Pedi uma semana para pensar a respeito de tudo, mas ele explicou que isso não seria possível. Operei 15 dias antes de começar as sessões de quimioterapia.

A primeira cirurgia foi apenas para retirada do nódulo. Após a surpresa do câncer, toda a equipe médica que cuidava do meu caso optou pela mastectomia (que inicialmente seria bilateral). Eu já saí da cirurgia com a reconstrução mamária. Aproveitei que estava na chuva e coloquei prótese nos dois seios. Quando acordei, parte de mim estava sentido os efeitos colaterais da anestesia e a outra parte celebrava os novos "acessórios". A prótese colocada na reconstrução subiu e o plástico precisou de uma nova cirurgia para fixá-la no lugar. Uma confusão danada, mas o resultado ficou ótimo. Eu tive dois tipos de tumores (carcinomas) diferentes. Não bastava estar fora das estatísticas com a idade e a falta de histórico, tinha que ter dois tumores que não "conversavam" com o mesmo tratamento. Mas o segundo, que não respondia à quimioterapia, só foi descoberto na biopsia da mastectomia, depois da reconstrução. Não esperávamos pela radioterapia, mas já estava com a prótese de silicone. Como a prótese ficou exposta a 28 sessões de radio, ela sofreu uma contratura (depois inflação e infecção) e precisará ser trocada em breve.

RENASCER

Eu não sei explicar a sensação que nasceu em mim logo após o recebimento do diagnóstico. O câncer não é a minha doença, mas sim minha e de toda a minha família. Inicialmente, sabia que tinha que ficar bem por eles. Depois, fui me (re)descobrindo e assim, agradecendo a Deus pela oportunidade de "renascer" tão jovem. Sem o diagnóstico, a probabilidade de amadurecer tão menina seria quase inexistente e não tenho vergonha em assumir isso. Se questionar o por quê faz parte do nosso processo individual e natural de aceitação. Me questionei apenas uma vez sobre isso e no mesmo dia, olhei pra dentro e me perguntei friamente: ‘Pera aí, mas por que não comigo?’ Foi quando passei a aceitar todo o diagnóstico como um presente e me fazer a pergunta correta: "Em quem essa experiência com o câncer pode me transformar?" O câncer chegou, trouxe um milhão de coisas novas e só levou a minha mama. Que por sinal, graças às próteses, estão como eu sempre quis. O resto (pelos e cabelos) foram estados temporários e reversíveis.

Meu foco era totalmente na cura. E como sempre fui muito vaidosa, aquele processo de perder pelos, cabelos e ganhar peso, foi de verdade, uma grande libertação. Mas foi o "meu" processo. Cada vez mais, acredito na ideia de que o nosso organismo não esteja acostumado a tantas agressões internas. O meu não estava. E a minha cabeça em relação às mudanças também não. Leva um tempo até você se acostumar e dizer que é natural. Esse tempo pode ser rápido para uns – como foi para mim - ou extremamente lento para outros. Meus cabelos eram enormes, mas encontrei uma ONG que aceitava cabelos para confeccionar perucas a mulheres e crianças também com câncer, mas sem condições para compra-las. Quando dei por mim, cortá-los foi um grande motivo de festa: estava usando a minha "perda" para gerar felicidade e ser útil. Encontrei na gratidão uma grande aliada a todo esse - e outros - processo do tratamento.

GAROTA DO LENÇO ROSA
Disso tudo nasceu um projeto profissional. Usei os lenços que ganhei durante a quimioterapia e criei o projeto Lenço Rosa. Repassei-os a mulheres desconhecidas que estavam em inicio de tratamento quimioterápico. Cada um com uma cartinha feita à mão, contando a minha "peregrinação" com os tratamentos e mostrando que, assim como tudo na vida, aquela fase seria para ela apenas mais um processo. Os lenços foram ofertados por blog e facebook e, inicialmente, eram apenas meus. Hoje, coordeno o "Espaço cor de Rosa" no Instituto Oncoguia, onde além de informações e assistência de qualidade para pacientes, já presenteamos mais de 300 mulheres com lenços e próteses externas de mama por todo o Brasil. Além das doações que fazemos, recebemos lenços de todos os cantos do país, tanto de pacientes quanto de outras mulheres espectadoras do câncer, mas que querem ajudar a espalhar cores nessa fase por vezes tão "cinza". A aceitação, pelo menos comigo, exigiu algumas longas "conversas internas" frente ao espelho.

São as minhas cicatrizes que mostram e relembram o meu caminho, e isso é lindo. Hoje eu admito com toda convicção e emoção desse mundo: foi o processo que gerou a falta do meu seio que me transformou em uma mulher extremamente forte, carregada de testemunhos. Sou solteira, claro que expor o meu corpo futuramente pode até me preocupar um pouco, mas quando lembro a minha história, respiro fundo e sinto um grande orgulho por chegar onde cheguei: eu não sou aquilo que me falta. E agradeço a maturidade que recebi junto à doença para reconhecer isso. Acreditei muito no que estava sentindo e segui meu coração dentro das escolhas que me foram impostas por esse elemento chamado câncer”.

Matéria publicada no veículo Marie Claire no dia 15/10/2013


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