Categorias


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Bristol MerckSerono Lilly Amgen Pfizer AstraZeneca Boehringer Bayer Janssen MSD Takeda Astellas UICC Libbs Abbvie Ipsen Sanofi Daiichi Sankyo GSK Avon Nestlé Servier


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

[ENTREVISTA] A Braquiterapia no Tratamento do Câncer de Próstata

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/09/2015 - Data de atualização: 15/09/2015


Você sabe o que é braquiterapia e como se dá a sua utilização no tratamento do câncer de próstata? Sabe se é um candidato à sua utilização? Já conversou com seu médico à respeito?

A braquiterapia é um tipo de tratamento que, assim como a radioterapia convencional, utiliza-se de fontes de radiação para combater o tumor. A principal diferença entre as duas, é que enquanto na radioterapia convencional a fonte de radiação está longe do tumor, na braquiterapia a radiação fica próxima ou em contato com ele, poupando assim tecidos sadios.

Maria Elisa RostelatoO Instituto Oncoguia conversou com Maria Elisa Rostelato, doutora em ciências, física e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) sobre o uso da braquiterapia no tratamento do câncer de próstata. A pesquisadora falou do uso do iodo-125 nesta abordagem terapêutica, um radioisótopo que emite radiação com energias muito baixas e que, por isso, é conveniente para a irradiação em órgãos de superfícies pequenas e com tecidos próximos muito sensíveis.

Dra. Rostelato contou que hoje ainda não há produção nacional de sementes de iodo-125 no Brasil.

"Mas nós temos já desenvolvido um protótipo nacional pelo IPEN, e estamos construindo um laboratório para produzir o iodo-125 em território nacional”.

Confira a entrevista e leve o tema para a próxima consulta com seu oncologista!

Instituto Oncoguia - Em que consiste a radioterapia para câncer de próstata e quais as diferenças entre a radioterapia convencional e a braquiterapia?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Qualquer terapia com radiação é chamada de radioterapia, que engloba, então, teleterapia e a braquiterapia. A teleterapia é aquela feita com unidades de cobalto ou aceleradores lineares, onde a fonte de radiação fica longe do tumor. A braquiterapia, com prefixo 'braq' oriundo do grego ('curta distância'), é aquela em que a fonte radioativa fica em contato ou próxima ao tumor. Então, a grande vantagem da braquiterapia é que focada, vai diretamente ao ponto, poupando os tecidos sadios. Sem contar que o procedimento não é cirúrgico.

Instituto Oncoguia - E por que a vantagem no fato do procedimento não ser cirúrgico?

Dra. Maria Elisa Rostelato - O grande problema da cirurgia, é que entre 70% e 90% dos pacientes ficam impotentes, e, cada vez, o câncer de próstata atinge homens mais jovens. Na braquiterapia, o risco de impotência cai para uma média de 15% a 25%. Além do que, a cirurgia também pode provocar incontinência urinária. Cabe salientar que não estou afirmando aqui que a braquiterapia não possa repercutir em incontinência urinária ou impotência, mas as chances se reduzem muito.

Instituto Oncoguia - E quais são os pacientes elegíveis para a braquiterapia?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Há uma série de condições, entre elas, o tumor estar em estágios iniciais, localizados na próstata.

Instituto Oncoguia - O que é o Iodo 125? Qual o benefício da utilização desse radioisótopo no tratamento do câncer de próstata?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Ele é um radioisótopo conveniente para o câncer de próstata, pois emite radiação com energias baixas. O que isso quer dizer? Quer dizer que a radiação que o iodo emite ‘caminha pouquinho’ dentro do tecido e é já absorvida. Assim, em órgãos como a próstata, que está próxima a outros muitos sensíveis - como o reto e a bexiga - pode-se sugerir uma dose de radiação mais alta, pois esta não atingirá os tecidos próximos, ou atingirá uma margem muitíssimo pequena. O iodo-125 é indicado, também, para câncer oftálmico, por atingir uma região muito limitada.

Instituto Oncoguia - É como é realizado o tratamento com o iodo 125?

braquiterapiaDra. Maria Elisa Rostelato - O procedimento, como disse há pouco, não é considerado cirúrgico. As sementes de iodo-125 (cápsulas de titânio, material bio-compatível) são implantadas através de agulhas, ou de um aplicador que funciona como um revólver. O implante é feito entre o escroto e o reto, sem a necessidade de se fazer incisões no paciente, e todo o procedimento é guiado por ultrassom. As sementes colocadas são implantes permanentes, ou seja, não e retirado após o término da atividade do iodo-125, que tem uma meia vida de 59,4 dias, ou seja, dois meses. O iodo-125, após 60 dias tem sua radiação diminuída pela metade e, em mais 60 dias, pela metade da metade. Assim, a maior parte da sua energia estará depositada nos primeiros dois meses.

Instituto Oncoguia - Quais as medidas de segurança para manipulação de substâncias radioativas no que se refere ao paciente e seu entorno?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Como a energia do iodo-125 é muito baixa, não há necessidade de proteção radiológica. A radiação ficará somente no local onde foi implantada.

Instituto Oncoguia - E quantas sementes, ou cápsulas de platina contendo iodo-125, são implantadas no paciente com câncer de próstata?

Dra. Maria Elisa Rostelato - São implantadas entre 70 e 120 sementes por próstata.

Instituto Oncoguia - O paciente deve resguardar-se após a aplicação?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Dois dias após à aplicação das sementes o paciente já está de volta as suas atividades rotineiras.

Instituto Oncoguia - Hoje o Brasil, para tratar seus pacientes, precisa importar as sementes de iodo-125. A Sra. comentou que o IPEN tem uma pesquisa em andamento para o desenvolvimento do isótopo no país. Fale sobre isso.

Dra. Maria Elisa Rostelato - Nós já desenvolvemos um protótipo nacional, e estamos construindo um laboratório para produzir o iodo-125 no Brasil. As pesquisas, tiveram início há cerca de 10 anos, e são financiadas pela Fapesp e pela Agência Internacional de Energia Atômica. Hoje o IPEN distribui as sementes para o Brasil todo, mas elas são importadas. Nós acreditamos que em cerca de 2 anos consigamos ultrapassar a escala de produção em laboratório, para chegar a área comercial.

Instituto Oncoguia - Então, o tratamento não é acessível a muitos pacientes?

Dra. Maria Elisa Rostelato - Hoje o tratamento está disponível em centros de tratamento particulares e em alguns convênios médicos, mas não pelo Sistema Único de Saúde. A proposta do IPEN é que quando começarmos a produção das sementes no Brasil façamos uma parceria com sociedades médicas - como a Sociedade Brasileira de Radioterapia e Sociedade Brasileira de Física Médica - para então chegarmos até o Ministério da Saúde e estimular o governo a cobrir o tratamento no SUS. Com certeza, quando tivermos uma produção nacional e em larga escala, o tratamento será muito mais barato e acessível.

Instituto Oncoguia - Dentro deste contexto, de uma perspectiva real de produção do iodo-125 no Brasil pelo IPEN, como vê o futuro da braquiterapia no tratamento do câncer de próstata em nosso país?

Dra. Maria Elisa Rostelato - A braquiterapia é um tipo de tratamento que tem possibilidades de crescer, sem dúvidas. Se nós produzirmos aqui e o SUS passar a cobrir, teremos um número muito grande de pacientes que poderão se beneficiar desta terapia. Hoje distribuímos uma faixa de 40 mil sementes por ano e, se o tratamento for incorporado no SUS, o número tende a pelo menos triplicar! Mas, para isso, o SUS precisa se comprometer.


Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2022 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive