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É preciso combater o câncer de forma integrada

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 29/03/2019 - Data de atualização: 29/03/2019


Equipamento de última geração para radioterapia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo - Eduardo Knapp - 04.set.18/Folhapress

Novo conceito no tratamento oncológico, a estratégia que envolve drogas que agem de modos diferentes sobre os tumores foi um dos grandes destaques no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, com foco em câncer urológico.
 
Segundo estimativas do Global Cancer Observatory, plataforma da Organização Mundial da Saúde, os casos de tumores de próstata e bexiga irão dobrar no Brasil até 2040. Os registros de câncer de rim crescerão 70% no mesmo período. Portanto, o debate sobre opções de alta eficácia, que preservem a qualidade de vida, é fundamental para dar esperança para pacientes e médicos.

Podemos imaginar que o câncer é um complexo sistema integrado de linhas de metrô de uma grande metrópole, cheio de conexões. Se quisermos interromper o fluxo —neste caso, o movimento das células cancerígenas dentro do corpo humano— não adianta apenas interromper a circulação em algumas “linhas” se ele pode escapar por outras.

É preciso atuar de forma integrada, com diversos recursos. Essa é a nova concepção, que ganhou força no evento americano, realizado há algumas semanas.

Um exemplo é o estudo Keynote-426, que mostrou que o uso de pembrolizumabe (novo imunoterápico) combinado a axitinibe (antiangiogênico) como terapia de primeira linha para câncer de rim localmente avançado é mais eficaz do que a terapia anteriormente adotada, que utilizava um único medicamento (sunitinibe, um outro antiangiogênico) com redução do risco de morte de 47%. Do mesmo modo, as novas formas de imunoterapia para tratamento do tumor de bexiga, aliada a medicamentos que bloqueiam vias específicas do seu crescimento, estão alterando a sobrevivência dos pacientes e mudando a história da doença avançada.

No câncer de próstata, o medicamento enzalutamida —um inibidor do receptor de androgênico—, associado à supressão dos níveis de testosterona, demonstrou benefício em postergar a progressão da doença ou morte em 1.150 pacientes com doença avançada quando comparado à supressão dos níveis de testosterona isoladamente.

Do mesmo modo, um novo anti-hormônio, chamado abiraterona (associada à supressão dos níveis de testosterona) foi responsável, em um estudo com 1.199 pacientes com câncer de próstata, pela diminuição do risco de morte de 34% quando comparada com supressão dos níveis de testosterona isoladamente.

Para pacientes com câncer de próstata em que não há mais controle da doença com o bloqueio hormonal (resistentes à castração), adiar o aparecimento das metástases é um objetivo do tratamento. 
O estudo Aramis avaliou o Darolutamida, um novo antagonista de receptor de andrógeno. Foram recrutados 1.509 pacientes para receber o medicamento ou o placebo. Observou-se que a nova medicação diminuiu de forma importante o risco de aparecimento de metástase ou morte em 59% dos casos.
 
As perspectivas são muitas e os desafios, maiores ainda. Porque, apesar dos bons resultados, sabemos que nossa distinta realidade, em um país de dimensões continentais e com diferentes estruturas, impõem-nos enormes desafios para o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento.
 
Precisamos informar a população sobre as possibilidades de prevenção e rastreamento e impulsionar e apoiar os responsáveis para que as políticas públicas e as pesquisas clínicas para o setor de oncologia sejam eficientes.
 
Nossa missão é evitar o câncer e, ao mesmo tempo, combatê-lo com as melhores armas disponíveis, proporcionando maiores taxas de cura em benefício dos 1,2 milhão de brasileiros que recebem todos os anos esse diagnóstico no nosso país.

Fernando Cotait Maluf
Diretor associado do Centro de Oncologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia (Brasília) e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein

Fonte: Folha de S.Paulo

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