Categorias


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Varian Bristol MerckSerono Lilly Amgen Pfizer AstraZeneca Bayer Janssen MSD ACS Mundipharma Takeda Susan Komen Astellas UICC Libbs Healthy Americas GBT Abbvie Ipsen Shire


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

Dois cafés e a conta com Sandra Nóbrega

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 28/05/2018 - Data de atualização: 28/05/2018


Sandra Nóbrega vivia de salto alto. Ela trabalhava para empresas como Xerox, Telemar, Peugeot, Volkswagen e Indústrias Nucleares do Brasil, selecionando e contratando mão de obra. Como executiva, tinha motorista particular e uma "vida farta, de nababo", como diz. "No meu guarda-roupas, havia mais de 200 pares de sapatos. Minha mãe sempre me tratou como princesa", conta essa administradora de 59 anos. Até que um problema de saúde fez com que conhecesse outra realidade, a dos hospitais públicos. A partir daí, sua vida se transformou. Ela criou em novembro de 2000 a Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa (caccst.org.br), nome dado em homenagem à Santa Teresa de Ávila. "Sou fascinada por ela. Mas a Casa não tem foco religioso”, ressalta. Nos primeiros seis meses, a instituição funcionou em Bangu, depois se mudou para Santa Teresa e, há 13 anos, se instalou numa casa própria no Estácio. Começou com cinco crianças e hoje atende 68 famílias de baixa renda, algumas delas de outros estados, proporcionando qualidade de vida e esperança em todo o tratamento. Ao longo dos 18 anos do projeto, já foram atendidas mais de duas mil crianças e jovens até 19 anos. Na visita ao local, uma das mães me disse: "A Casa cobre tudo. Ela me dá dormitório, material de higiene, alimentação, medicamento, carinho, apoio psicológico e emocional.” Sandra confirma: "Se precisar, pagamos até o gás da casa da mãe. Como eu iria botar a cabeça no travesseiro se ela não puder fazer comida por falta de gás?” Também há passeios culturais e turísticos. Num dos muros da instituição, lê-se: "Câncer não é contagioso, mas solidariedade é!” Além de campanhas tradicionais, como a de doação de alimentos, há eventos como o Arraiá Solidário. O próximo acontece dia 30 de junho, no Colégio Sion.

Como sua vida se transformou tanto?

Um dia comecei a sentir uma pressão muito forte na cabeça e achei que era uso inadequado da lente de contato. Fui ao oftalmologista e saí com uma suspeita de tumor cerebral. Passei por vários exames, mas não apareceu nada. Piorei a ponto de não conseguir levantar da cama. Estava com anemia profunda e fiz 15 transfusões de sangue. Até que me indicaram um neurologista do Pedro Ernesto, José Maurício Godoy, que descobriu que meu problema era no sangue. Meu organismo não absorvia ferro. Nunca imaginei que ia entrar num hospital público na vida. Enquanto esperava ser atendida, percebi o que as pessoas passam ao procurar saúde pública. Uma vez, perguntei a uma mãe: "Por que seu filho está chorando, é por causa da dor?” Ela disse: "Não, é fome. Não dei comida porque não tenho dinheiro.” Percebi a dificuldade das famílias em iniciar e dar continuidade ao tratamento, por questões como custo dos medicamentos e dificuldade de transporte. Me dei conta: "O que estou fazendo com a minha vidinha?” Eu era prepotente, arrogante. Achava que ajudava os outros arrumando emprego, mas não estava fazendo nada para ninguém, estava era ganhando dinheiro empregando as pessoas.

Como funciona a Casa de Apoio?

Trabalhamos em parceria com os hospitais: Hemorio, Gaffrée e Guinle, Hospital da Lagoa, Hospital Jesus, Hospital dos Servidores, Pedro Ernesto, Fundão. As assistentes sociais de lá identificam as necessidades das mães e nos passam. Nós as acolhemos. Elas acabam tendo que parar de trabalhar durante o tratamento, e nós passamos a ser os provedores. Se moram longe, podem ficar hospedadas aqui. Se a criança não puder se locomover, nós levamos ao hospital. Compramos remédios, que são caríssimos, caso o hospital não tenha. Providenciamos exames, se os aparelhos não estiverem funcionando. Nossa equipe faz visitas domiciliares para ver como vive a família. Já mobiliamos casas inteiras depois que foi tudo perdido em enchente. Se são nove pessoas na família, alimentamos as nove, mesmo que só uma esteja doente. Damos ainda suporte médico. Minha filha Roberta tem uma rede de profissionais voluntários que atendem em seus consultórios.

Como está a situação do câncer infantil?

Um grande problema no Brasil é a falta do diagnóstico precoce. Este ano já perdemos três crianças. Ano passado foram 14. Nossa luta é para que os médicos identifiquem mais rapidamente a doença. E temos que ter um olhar muito detalhado e atento para nossos filhos. Nem toda febre que não passa é virose, nem todo abdômen inchado é verme, nem toda dor no osso é pancada, nem toda moleza e fraqueza é pirraça.

Como é o perfil das famílias atendidas?

Lidamos com famílias desestruturadas e de baixa renda. Muitas delas passam por problemas como violência doméstica, violência sexual, alcoolismo, drogas. Temos como responsabilidade fortalecer, amparar e dar motivação a essas mães. A ideia é fazer com que só a doença seja um problema. O restante deixa com a gente.

Que retorno que você recebe das mães?

Uma delas diz: "Não sei o que seria de nós sem a Casa. Ela é tudo de bom na vida da gente.” A filha de 17 anos tem leucemia e problemas como uma alergia rara que incha muito a pele. No calor, precisa passar 24 horas no ar condicionado. Como mora em Queimados e não tem condições, fica de tempos em tempos aqui. Atendemos uma mãe cujo filho de 8 anos foi diagnosticado com leucemia aos 2 meses. Sua sobrinha de 19 anos também tem câncer. E ela mesma, de 48 anos, descobriu há dois meses um câncer de mama. Essa mãe ganhou uma casinha de uma igreja evangélica, e nós damos alimentação, remédios, casacos, calçados, mochila e material escolar, além de geladeira e cama. Ela diz: "Minha vida mudou da água para o vinho desde que passei a ser apoiada pela Casa. Quando recebi meu diagnóstico, chorei muito, mas elas me dão apoio moral, me fortalecem, me acompanham ao hospital. Enxugaram minhas lágrimas.” Tenho um vínculo de amor e uma gratidão enorme por essas famílias, que estão sempre me ensinando e me dando a oportunidade de ser mãe, já que eu trabalhava muito e não tive tempo de criar meus dois filhos.

Fonte: O Globo

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.

Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2019 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive